Pedro Neschling abriu o coração ao falar sobre o diagnóstico tardio de surdez e as transformações que viveu após começar a usar aparelho auditivo. Em participação no programa “Sem Censura”, apresentado por Cissa Guimarães, nesta segunda-feira (15), o ator contou que conviveu por anos com dificuldades auditivas sem receber a orientação adequada e explicou como passou a se identificar como uma pessoa com deficiência.
Durante a entrevista, Pedro revelou que sempre percebeu que tinha uma perda auditiva, mas acreditava que suas dificuldades faziam parte da rotina de qualquer pessoa. Segundo ele, um diagnóstico equivocado acabou atrasando o tratamento.
“Eu achava que tinha uma perda auditiva. Fui mal diagnosticado pelo otorrino na época, que me disse que, como eu já tinha adaptações sociais suficientes para viver minha vida, eu não precisava colocar aparelho”, relatou.
O ator explicou que conviveu por anos com cansaço constante e a necessidade de estar sempre atento ao ambiente para compreender conversas e situações ao seu redor. “Eu achava que aquela dificuldade que eu vivia, aquele cansaço que eu sentia, aquela paranoia que eu tinha de estar o tempo inteiro olhando para os lados para entender tudo eram parte de mim”, afirmou.

A situação só mudou quando Pedro procurou outro especialista, já aos 30 anos. Na época, ele já acumulava anos de carreira na televisão e no teatro. “Depois de ter feito novelas, peças de teatro, já estar trabalhando desde os 18, um otorrino virou para mim e falou: ‘É um milagre você ter uma vida social e profissional com a perda auditiva que você tem. Sai daqui e vai imediatamente testar um aparelho que você vai ver como é que tua vida vai mudar’”, recordou.
A experiência, segundo ele, foi transformadora. “Você só sabe o que você não tem depois que você passa a ter. Eu não tinha como saber o que eu não escutava antes de começar a escutar”, destacou.
Filho da atriz Lucélia Santos e do maestro John Neschling, Pedro contou que o processo de adaptação ao aparelho auditivo também trouxe uma nova compreensão sobre sua própria condição. “A partir do momento em que eu comecei a escutar e a perceber que muitas das coisas que eu passava não eram normais, aí sim eu comecei a me identificar como uma pessoa com deficiência”, afirmou.
Hoje, o ator utiliza sua visibilidade para compartilhar informações sobre a surdez e combater preconceitos relacionados às deficiências. “Quero acabar com o estigma de que a surdez é um problema ou que qualquer deficiência seja uma carta condenatória”, disse.
Pedro ainda destacou que a experiência mudou sua forma de se relacionar com as pessoas e contribuiu para desenvolver mais empatia. “Eu falo sempre que a surdez me ensinou a ouvir. Acho que hoje em dia eu tenho uma capacidade de empatia e de sensibilidade ao outro muito por conta da minha surdez. Então acho que é uma característica positiva, e não negativa para mim”, concluiu.
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