Madonna revelou que sua cinebiografia foi cancelada devido a um desentendimento com a Universal Studios sobre o orçamento. Em entrevista à revista Interview, da qual é a capa deste mês, a cantora explicou que o estúdio não conseguia entender a alta quantia para retratar sua “vida extraordinária”.
“Eu deveria fazer um filme sobre a minha vida. Trabalhei no roteiro por dois anos e passei dois anos na Universal Studios com os produtores executivos, cuidando do orçamento e da seleção do elenco. Tivemos um desentendimento, eu e a Universal, em relação ao orçamento, porque eu precisava — eu tive uma vida extraordinária, tive uma vida incrível — então precisava de um orçamento grande. Sabe o que quero dizer?”, explicou Madonna.
Segundo a Rainha do Pop, os executivos não “conseguiam entender” a perspectiva que ela tinha para o filme. Ela, então, buscou alternativas em outro país. “Eu encontrei uma maneira de fazer o filme na Sérvia por menos dinheiro, mas acho que eles não gostaram da ideia… sei lá. Talvez simplesmente não acreditassem em mim. Uma das primeiras reações deles, foi: ‘Não acreditamos que você ficaria na Sérvia por mais de quatro dias’. E eu disse: ‘Vocês leram o roteiro?’. Minha vida inteira foi uma luta pela sobrevivência”, afirmou.
A cantora destacou que a viagem seria estritamente profissional. Em seguida, vieram os problemas sobre dar ou não continuidade ao projeto. “Não vou para lá passar férias. Mas enfim, fiquei num limbo quando tudo desmoronou, e então a Netflix entrou em contato para fazer uma série. Foi um processo longo e completamente diferente, porque eu não podia usar o roteiro que tinha com a Universal a menos que o comprasse deles por um preço exorbitante, mesmo eu tendo escrito. Nem pergunte [quanto]“, contou ela.

Madonna disse que precisou adotar uma nova postura e consultar outras pessoas após o limbo em que foi colocada. “Comecei a tentar entender como funcionava a produção de uma série. É um processo muito, muito diferente. Você precisa conhecer muitos roteiristas e encontrar o showrunner certo, e eu não conseguia encontrar nenhum. Isso se arrastou por mais oito ou nove meses. Eu pensava: ‘Ainda bem que tenho outro emprego, porque preciso trabalhar, preciso criar. Preciso fazer aquilo para o qual nasci'”, recordou.
Foi então que, depois da decepção com o trabalho visual, a cantora desenvolveu a ideia de seu novo álbum, o “Confessions on a Dance Floor: Part II”. “Entrei em contato com o Stuart [Price] porque achei que o mundo estava num momento muito difícil e as pessoas precisavam dançar. Eu não trabalhava com o Stuart há muito tempo. Tínhamos acabado de fazer a turnê Celebration juntos, mas, tirando isso, eu não o via nem falava com ele há uns 15 anos”, relatou.
“Eu morava em Nova York e entrei em contato com ele, pensando: ‘E se tentássemos fazer ‘Confessions on a Dance Floor: Part II’ e voltássemos ao mundo da música dance inspiradora?’. Então fui para Londres, visitei o estúdio dele e ficamos experimentando para ver se rolava alguma química entre nós. Eu estava passando por muita coisa na minha vida pessoal. Meu irmão [Christopher Ciccone] estava muito doente e minha madrasta [Joan Ciccone], com quem eu tive um relacionamento muito traumático durante toda a minha infância, tinha acabado de falecer”, detalhou a voz de “Material Girl”.

Até esse ponto, Madonna destacou que ainda estava disposta a dar uma chance à cinebiografia, caso a gigante do streaming seguisse seus termos. “É difícil para mim escrever uma música sobre nada. Eu preciso contar uma história. Então, escrevi sobre muitos traumas familiares e depois começamos a fazer música dançante. Refleti bastante sobre isso algumas vezes, e então disse: ‘Ok, é isso. Parece bom. Então, a menos que a Netflix me ligue amanhã com um roteirista que eu goste, vou seguir por esse caminho’. Claro que, no meio do processo, mais de 75% concluído, encontramos o roteirista, e eu pensei: ‘Não posso voltar atrás agora. Preciso acelerar um pouco as coisas’. E foi o que eu fiz”, afirmou.
Sobre a cinebiografia
A cinebiografia de Madonna, que seria estrelada por Julia Garner, teve a protagonista escolhida após uma árdua competição de canto e dança contra outras atrizes. Dois anos depois, a artista se manifestou contra os produtores de Hollywood que supostamente a estavam pressionando para reduzir a escala do projeto.
Após o cancelamento, uma amiga de Madonna contou ao Page Six que ela queria um roteiro mais “cru”, enquanto a Universal preferia algo “pop e leve”, o que levou a um impasse. A fonte salientou que a cinebiografia será feita “algum dia”, e que a cantora “está ciente de que poderá ter que substituir os atores se eles não estiverem disponíveis”.
