Academia é condenada a indenizar ex-aluno advertido por bermuda considerada “inadequada” em GO

Marcus Andrade recorreu à Justiça por danos morais

Um ex-aluno de uma academia em Anápolis (GO) será indenizado após recorrer à Justiça por danos morais ligados a uma advertência sobre sua bermuda. O caso ganhou repercussão nas redes e terminou com decisão judicial favorável ao cliente.

O ex-aluno que denunciou a advertência de uma academia, localizada na cidade de Anápolis, em Goiás, por conta do tamanho de sua bermuda, será indenizado. Segundo informações de Danilo Boaventura, do portal 6, Marcus Vinicius Cardoso de Andrade, de 42 anos, receberá R$ 20 mil após entrar com uma ação por danos morais.

De acordo o jornalista, o 3º Juizado Especial Cível entendeu que a repreensão da Hope Select sobre a vestimenta, por si só, não configurou discriminação. A decisão apontou que estabelecimentos privados podem estabelecer regras de convivência e códigos de vestimenta para os frequentadores.

A Justiça, porém, explicou que a indenização se deve pela publicação do estabelecimento, de uma nota oficial nas redes sociais, para responder às alegações do antigo aluno. Ao justificar tal advertência afirmando que buscava “agradar e honrar a Deus”, a academia introduziu um “argumento religioso em um episódio que envolvia um cliente homossexual”.

Marcus Andrade disse ter se sentido constrangido após advertência. (Foto: Reprodução/Instagram)

Conforme Boaventura, a juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro entendeu que essa associação “ultrapassou o limite de uma simples defesa institucional” e “reforçou publicamente uma reprovação moral ligada à orientação sexual do empresário”.

Para a magistrada, a inclusão do elemento religioso no debate público amplia o constrangimento e a exposição do cliente, o que caracteriza “falha na forma como administrou a crise” e o dever de indenização. A Hope Select não comentou a decisão.

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Relembre o caso

O caso aconteceu no dia 30 de junho de 2025 e repercutiu dias depois nas redes sociais. Marcus Andrade expôs que foi advertido na academia por causa do tamanho da bermuda que usava enquanto fazia exercícios. Em seu relato, ele afirmou que chegou a ser barrado e proibido de usar os equipamentos do local. “Eu postei nas redes, porque eu me senti extremamente constrangido. Me senti como uma pessoa que não tinha o direito de estar ali“, disse ao portal g1, na época.

Marcus contou que foi abordado por um funcionário após fazer o seu treino de costas. Ele estava sentado em um espaço, que é integrado com o local de treino, e aguardava uma carona do marido. Neste momento, ele foi abordado e conduzido até uma sala de vidro: “Ele relatou que um dos alunos havia reportado a ele que estava incomodado com o meu vestuário, porque a minha bermuda, meu short, era muito pequeno, e a esposa dele que também treinava ali tinha se sentido constrangida“.

Segundo Marcus, o funcionário pediu que ele não usasse mais roupas como aquela, “porque ia contra o código de vestimenta da academia, e que eles prezavam pela moral e pelos bons costumes, que aquilo era um ambiente familiar“. Ele também contou que a justificativa do funcionário foi que ele estava fazendo exercícios provocativos. O empresário, entretanto, garantiu não ter feito nenhum agachamento. Depois do ocorrido, Marcus cancelou a sua matrícula e a da sua mãe.

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Nota nas redes sociais

A mensalidade na academia custa cerca de R$ 1.500 e Marcus havia pago um ano de treino, o que custou aproximadamente R$ 15 mil. O empresário falou que a academia reembolsou o valor e pediu desculpas. Dias depois, o estabelecimento também emitiu a nota nas redes sociais, que corroborou com a indenização.

No texto, o local afirmou ser “um ambiente acolhedor, respeitoso e seguro para todos”. “Mais do que promover saúde física, buscamos encantar e surpreender propósito, sempre para agradar e honrar a Deus“, declarou. Considerado “academia de boutique”, o estabelecimento pontuou que a roupa do aluno era apropriada para corridas ao ar livre, mas “inadequada” para determinados movimentos de musculação.

Foi gentilmente sugerido o uso de uma bermuda de compressão por baixo, como forma de garantir maior conforto e segurança para todos os envolvidos“, diz o texto. A publicação teve os comentários limitados após a repercussão do caso.

A nota de esclarecimento publicada pela academia. (Foto: Reprodução/Instagram)
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