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Mia, uma cadelinha da raça golden retriever, tinha apenas 11 meses quando desapareceu enquanto estava hospedada na casa de um adestrador em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A polícia encontrou o corpo do animal enterrado no quintal da residência, após o adestrador alegar que a cachorrinha havia fugido.
Segundo a TV Globo, o desaparecimento de Mia foi registrado nesta segunda-feira (24). Quando a Polícia Civil realizou buscas na casa do adestrador, Mário Sérgio Dornelas, encontrou o corpo do animal, que possuía chip de identificação. Os voluntários do grupo Nas Garras da Lei, especializados na defesa de animais vítimas de maus-tratos, desenterraram o corpo de Mia.
“Verificamos o quintal e vimos que ali no canto a terra estava mexida. Então, já é sinal de que algo estava enterrado ali. Aí, com toda a técnica para não deteriorar mais o corpinho da Mia, cavamos em volta, retiramos, e constatamos através de chip, que ela tinha chip, que era a Mia”, explicou Jack Calderini, agente do Nas Garras da Lei.

A cadela estava hospedada na residência do adestrador desde 9 de janeiro, quando seus tutores, Francine Banchi e o marido, contrataram um serviço de adestramento para a cachorrinha. Inicialmente, a hospedagem seria de apenas três dias, mas Mário Sérgio sugeriu um treinamento de 30 dias para melhorar o comportamento de Mia.
Após o término do prazo, o adestrador pediu mais 15 dias, alegando que Mia ainda não estava completamente treinada. “Porque ele disse que ela não estava 100% no xixi e no coco durante o passeio. E que aí ele ia ter certeza que estaria me entregando ela 100% adestrada, né?”, disse Francine Banchi, tutora do animal.
A cadelinha deveria retornar para a casa no dia 14 de fevereiro, mas no dia 13 Mário Sérgio informou aos tutores que Mia havia fugido. Eles imediatamente iniciaram a busca pela cachorrinha, vasculhando a vizinhança e verificando imagens de câmeras de segurança, mas não encontraram nenhum indício de que ela tivesse realmente escapado. “Desde então a gente iniciou essa batalha incansável de 10 dias, sem dormir, sem comer, atrás dela”, disse a dona do animal.

O adestrador, por sua vez, publicou um vídeo em suas redes sociais, tentando justificar a situação: “A Mia fugiu lá da minha casa onde ela estava fazendo adestramento, onde ela estava fazendo adaptação do adestramento e a gente sabe que isso acontece às vezes com cachorro, cachorro foge, cachorro vai pra rua, cachorro sai. Quem conhece meu trabalho, sabe como eu sou com os animais, como eu amo, como eu trato. Anos que eu tenho aqui de adestramento. Eu maltratar animais? Isso não acontece”.
Na manhã desta segunda-feira, a polícia chegou à residência do adestrador, mas Mário Sérgio não estava em casa. A família dele permitiu a entrada dos agentes, que realizaram uma inspeção no imóvel. Durante a busca, foram encontrados mais três cachorros em um ambiente insalubre, com forte cheiro, fezes e urina espalhadas. A água disponível estava em um balde, suja, e não havia ração. A Polícia Civil realizará perícia no local para avaliar se houve maus-tratos aos outros animais.

A família de Mário Sérgio afirmou que ele sempre foi dedicado aos animais e que escolheu a residência para oferecer um ambiente melhor para cuidar deles. Até o fim da manhã, o adestrador não havia se apresentado à polícia.
Para os tutores de Mia, a descoberta de seu corpo foi um misto de alívio e tristeza. “Uma dor que não dá para explicar, mas também a certeza de que ela morreu para salvar outros cachorros que estavam aqui em situação de maus-tratos e a gente não sabe o que ia acontecer. Então, ela cumpriu a missão dela e a gente vai levar o nome dela para sempre”, concluiu Francine.
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