Adolescente de 17 anos é vítima de estupro coletivo no RJ, e polícia indicia quatro suspeitos; identidades são divulgadas

Câmeras de segurança também registraram a chegada e a saída da vítima, dos rapazes e de um adolescente também suspeito

Uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O caso ocorreu em 31 de outubro, mas só veio à tona no sábado (28), após a polícia indiciar os quatro jovens suspeitos pelo crime.

Uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O caso ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. No entanto, só veio a público no sábado (28), quando a polícia indiciou os quatro jovens suspeitos pelo crime.

Conforme o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. O menino teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, foi sozinha. Os dois, inclusive, viveram um relacionamento entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então.

No elevador, o adolescente avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já no apartamento, a jovem foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o menino, os outros 4 rapazes entraram no cômodo.

De acordo com a vítima, após a insistência do adolescente, ela concordou que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, como apontou o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal.

Em determinado momento, disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida. A vítima também relatou que, ao deixar o apartamento, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.

Portal dos Procurados divulgou cartaz dos quatro jovens denunciados pelo estupro coletivo (Foto: Divulgação/Disque Denúncia)

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Imagens de câmera de segurança

A investigação teve acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio. Os registros mostram a chegada dos suspeitos ao apartamento, às 19h24, do dia 31 de janeiro. Menos de dois minutos depois, a vítima aparece no local acompanhada pelo adolescente.

A gravação também exibiu o momento em que a vítima deixou o imóvel e seguiu em direção ao elevador. Segundo o relatório, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retornou ao apartamento e faz gestos que os investigadores descreveram como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao fato.

Veja:

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Troca de mensagens e laudo

Prints de conversas por WhatsApp entre a vítima e o adolescente foram incluídos no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar, enquanto o suspeito argumenta que não haveria problema em ir sozinha. As conversas mostram ainda a combinação do encontro na portaria do prédio e os horários em que ela informa que está chegando.

Troca de mensagens entre a vítima e o suspeito menor de idade (Foto: Reprodução)

O laudo de exame de corpo de delito aponta a existência de lesões compatíveis com violência física. Conforme a perícia, foram identificados infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. O exame descreve ainda três grupos de equimoses nas regiões dorsal e glúteas. Testes rápidos também apresentaram resultado positivo, e materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.

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Polícia expede mandado de prisão contra suspeitos

Os quatro homens foram indiciados pelo crime de estupro com concurso de pessoas, e são considerados foragidos. São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos; e Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19. Já o adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime. O procedimento dele foi desmembrado para a Vara da Infância e Juventude, e a identidade não será divulgada.

João Gabriel era atleta do Serrano FC, que anunciou o afastamento imediato do jogador em uma nota nas redes sociais. “Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência. O atleta está afastado e seu contrato suspenso. Estamos acompanhando de perto o desenrolar do caso e os desdobramentos da investigação”, declarou o clube, no Instagram.

Serrano FC se pronunciou após caso de estupro coletivo no Rio (Foto: Reprodução/Instagram)

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A defesa de João Gabriel negou que ele tenha cometido estupro, em nota ao g1. “Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo”, detalhou.

“No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”, concluiu a defesa.

A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do campus Humaitá II informaram que abriram processo administrativo para desligar dois estudantes denunciados pela participação no estupro coletivo. “Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos estudantes”, pontuou, em comunicado.

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“O Colégio Pedro II repudia toda forma de violência. Nossa política institucional afirma e reafirma o combate ao assédio, à violência de gênero e a toda forma de discriminação. Somos uma instituição que educa para o exercício pleno da cidadania. Nosso compromisso pedagógico e político objetiva a formação de uma juventude capaz de respeitar as diferenças, lutar contra as desigualdades sociais e repudiar a violência. E é esse compromisso que nos move todos os dias”, enfatizou o texto.

Ao final, a instituição salientou que “não compactua com a barbárie brutal da violência de gênero vivenciada a cada hora em nosso país. Unidos na indignação, a gestão do campus Humaita II e a Reitoria se solidarizam com todas as mulheres de sua comunidade. Porque a dor de uma de nós é a dor de todas nós. Manteremos as ações enérgicas e necessárias diante da urgência da situação e nos disponibilizamos às autoridades legais para o que for necessário”.

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