Uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O caso ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. No entanto, só veio a público no sábado (28), quando a polícia indiciou os quatro jovens suspeitos pelo crime.
Conforme o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. O menino teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, foi sozinha. Os dois, inclusive, viveram um relacionamento entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então.
No elevador, o adolescente avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já no apartamento, a jovem foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o menino, os outros 4 rapazes entraram no cômodo.
De acordo com a vítima, após a insistência do adolescente, ela concordou que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, como apontou o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal.
Em determinado momento, disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida. A vítima também relatou que, ao deixar o apartamento, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.

Imagens de câmera de segurança
A investigação teve acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio. Os registros mostram a chegada dos suspeitos ao apartamento, às 19h24, do dia 31 de janeiro. Menos de dois minutos depois, a vítima aparece no local acompanhada pelo adolescente.
A gravação também exibiu o momento em que a vítima deixou o imóvel e seguiu em direção ao elevador. Segundo o relatório, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retornou ao apartamento e faz gestos que os investigadores descreveram como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao fato.
Veja:
Troca de mensagens e laudo
Prints de conversas por WhatsApp entre a vítima e o adolescente foram incluídos no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar, enquanto o suspeito argumenta que não haveria problema em ir sozinha. As conversas mostram ainda a combinação do encontro na portaria do prédio e os horários em que ela informa que está chegando.

O laudo de exame de corpo de delito aponta a existência de lesões compatíveis com violência física. Conforme a perícia, foram identificados infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. O exame descreve ainda três grupos de equimoses nas regiões dorsal e glúteas. Testes rápidos também apresentaram resultado positivo, e materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
Polícia expede mandado de prisão contra suspeitos
Os quatro homens foram indiciados pelo crime de estupro com concurso de pessoas, e são considerados foragidos. São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos; e Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19. Já o adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime. O procedimento dele foi desmembrado para a Vara da Infância e Juventude, e a identidade não será divulgada.
João Gabriel era atleta do Serrano FC, que anunciou o afastamento imediato do jogador em uma nota nas redes sociais. “Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência. O atleta está afastado e seu contrato suspenso. Estamos acompanhando de perto o desenrolar do caso e os desdobramentos da investigação”, declarou o clube, no Instagram.

A defesa de João Gabriel negou que ele tenha cometido estupro, em nota ao g1. “Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo”, detalhou.
“No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”, concluiu a defesa.
A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do campus Humaitá II informaram que abriram processo administrativo para desligar dois estudantes denunciados pela participação no estupro coletivo. “Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos estudantes”, pontuou, em comunicado.
“O Colégio Pedro II repudia toda forma de violência. Nossa política institucional afirma e reafirma o combate ao assédio, à violência de gênero e a toda forma de discriminação. Somos uma instituição que educa para o exercício pleno da cidadania. Nosso compromisso pedagógico e político objetiva a formação de uma juventude capaz de respeitar as diferenças, lutar contra as desigualdades sociais e repudiar a violência. E é esse compromisso que nos move todos os dias”, enfatizou o texto.
Ao final, a instituição salientou que “não compactua com a barbárie brutal da violência de gênero vivenciada a cada hora em nosso país. Unidos na indignação, a gestão do campus Humaita II e a Reitoria se solidarizam com todas as mulheres de sua comunidade. Porque a dor de uma de nós é a dor de todas nós. Manteremos as ações enérgicas e necessárias diante da urgência da situação e nos disponibilizamos às autoridades legais para o que for necessário”.
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