Medicalert Uk Xjlyft Ibd0 Unsplash

Adolescente é apreendida após fingir por semanas ser médica em hospital de Florianópolis; entenda o caso

Parece que tem gente levando as maratonas de séries médicas a sério aqui no Brasil… Nesta segunda-feira (31), a Polícia Militar de Florianópolis apreendeu uma adolescente de 17 anos que fingia ser médica no Hospital Governador Celso Ramos. De acordo com a TV NSC, a jovem passou cerca de duas semanas sustentando o “personagem” com histórias suspeitas, crachá falso, e até chegou a acompanhar pacientes em seus tratamentos.

A mentira começou a ser desvendada por uma das médicas que realmente trabalha no hospital, que ficou desconfiada da sua “colega”. Além das incoerências técnicas, a adolescente, que se apresentou como médica-residente, começou a ficar enrolada em suas próprias mentiras. Diversas vezes ela mudou o nome da faculdade em que supostamente estudava, mas o jaleco utilizado nos atendimentos tinha bordado o nome da Universidade Federal de Santa Catarina. Por conta da pandemia do coronavírus, o hospital está admitindo apenas os estudantes desta escola superior.

Para se ter uma ideia do ponto em que a farsa chegou, a moça fez vários registros da rotina dentro do hospital e publicou nos stories do Instagram, incluindo os bastidores de um procedimento feito dentro do bloco cirúrgico. “Teve relatos de que talvez ela tenha dado inclusive alta para pacientes, tenha dado recomendações erradas de uso de medicamentos. Essa parte por si só, já é muito grave, dar alta para um paciente que talvez fosse realmente alguma coisa muito grave, é inadmissível”, lamentou um entrevistado anônimo.

Fotojet (61)
Adolescente usou crachá falso para ter acesso ao hospital. Foto: Reprodução/TV NSC

Um segundo profissional, também sem se identificar para a emissora de TV, detalhou que a adolescente disse fazer parte das equipes de ortopedia e clínica médica. O comportamento da moça sempre foi muito simpático e proativo, no sentido de realmente parecer uma profissional contratada do hospital. “Como se ela realmente soubesse o que estava fazendo. Eu perguntei qual era a turma dela porque ela tinha UFSC no jaleco. Ela me respondeu que era da turma quatrocentos e algo. Aí eu questionei: ‘Mas essa turma não existe’“, contou o informante.

Continua depois da Publicidade

A jovem também tentava sustentar sua mentira com uma espécie de documento que precisava ser preenchido para comprovar sua presença no hospital. Mais uma vez, um dos profissionais notou que aquele tipo de formulário não existia. Mas foi mesmo a conduta e falta de técnica/conhecimento que denunciaram a adolescente. Um médico checou com a UFSC se a garota realmente fazia parte do quadro de alunos, mas descobriu que ela não era nem acadêmica e muito menos médica. Prontamente, a direção do hospital Celso Ramos acionou a Polícia Militar. Em nota ao G1, a instituição confirmou que a jovem não está matriculada na instituição. O único registro que existe dela é de pensionista, já que o pai foi professor na universidade.

Fotojet (62)
Jovem chegou a registrar rotina no hospital. foto: Reprodução/TV NSC

Por volta das 18h de ontem, ela deixou o hospital acompanhada dos policiais e foi para a delegacia. “A família disse que ela apresenta problemas psiquiátricos, que essa não é a primeira vez que isso aconteceu, e que aconteceu um fato semelhante no ano passado. Em função desses problemas psiquiátricos, ela se passa por outras pessoas”, explicou o tenente coronel Dhiogo Cidral. As redes sociais da jovem confirmaram realmente que ela já esteve em outros hospitais e universidades, também se passando como estudante de medicina.

Continua depois da Publicidade

Também em nota, a Secretária de Saúde se pronunciou: “A Secretaria de Estado da Saúde informa que a direção da Hospital Governador Celso Ramos acionou a Polícia Militar e tomou todas as demais providências ao flagrar uma jovem que tentava se passar por médica residente da instituição, na tarde desta segunda-feira. O fato está sob investigação das autoridades competentes”. A adolescente, por sua vez, deve responder judicialmente por falsidade ideológica e exercício ilegal da medicina.