Advogado da vítima de estupro coletivo no RJ expõe mensagem de ex-subsecretário, pai de um dos suspeitos, e anuncia medida

Simonin é pai de um dos jovens investigados pelo crime

O advogado da vítima do estupro coletivo em Copacabana afirmou ter recebido ofensas do pai de um dos jovens investigados. A troca de mensagens foi exposta nas redes e pode virar alvo de medidas judiciais.

O advogado Rodrigo Mondego, que representa a adolescente vítima de um estupro coletivo em Copacabana, no Rio de Janeiro, afirmou ter recebido agressões verbais de José Carlos Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do governo Cláudio Castro. Simonin é pai de um dos jovens investigados pelo crime.

Segundo Mondego, as ofensas foram enviadas por meio de DM’s no Instagram. Em uma delas, Simonin teria escrito: “Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar ‘às’ [sic] suas contas, vagabundo”.

No print, exposto nas redes sociais, o advogado respondeu e criticou a postura do pai do investigado. “Caro ex-subsecretário, vagabundo não sou, sou sim advogado e trabalho bastante. Inclusive, para que o vagabundo do seu filho continue enjaulado, responder na Justiça pelo estupro que lhe é imputado. Cada um ocupa o lugar que escolheu, eu ao lado da vítima e o senhor, passando a mão na cabeça de estuprador. A Justiça seguirá fazendo o resto”, escreveu. Depois da divulgação, a página de Simonin foi desativada.

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(Foto: Reprodução/Instagram)

Em entrevista ao jornal O Globo nesta segunda-feira (9), Mondego afirmou que avalia adotar medidas judiciais contra o ex-secretário e apontou que a conduta pode configurar crime previsto no Art. 344 do Código Penal, que trata de violência “contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial, policial, administrativo ou de arbitragem”.

Ele ainda declarou: “Nossa prioridade máxima, inclusive nesta segunda pela manhã, é tentar dar todo suporte à vítima no atendimento psicossocial. Temos reuniões marcadas com alguns órgãos para prestar apoio a ela e à família, vítima indireta desse crime que ela sofreu. O que o ex-subsecretário cometeu pode ser encarado como coação no curso do processo. Ele é pai do acusado e está tentando instigar o advogado da vítima. Nesse momento, a prioridade é o acolhimento da vítima e a responsabilização dos agentes do crime, mas conversarei com colegas para talvez entrar com esta representação”.

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José Carlos Simonin ocupava o cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão na Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro. Ele foi exonerado da função no dia 3 de março, após a repercussão do caso envolvendo seu filho, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos acusados de participar do crime.

O crime

O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro deste ano, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. No entanto, só veio a público no sábado (28), quando a polícia indiciou os quatro jovens suspeitos. Conforme o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. O menino teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, foi sozinha.

Os dois, inclusive, viveram um relacionamento entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então. No elevador, o jovem avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que a vítima recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o menino, os outros quatro rapazes entraram no cômodo.

Portal dos Procurados divulgou cartaz dos quatro jovens denunciados pelo estupro coletivo (Foto: Reprodução/TV Globo)

De acordo com a vítima, após a insistência do adolescente, ela concordou que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, como apontou o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal.

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Em determinado momento, a vítima disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida. Ela também relatou que, ao deixar o local, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, a adolescente contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.

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