A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos da marca Ypê, na fabrica de Amparo, em São Paulo. Os germes foram detectados nos itens suspensos pela agência, no último dia 7.
Nesta quarta-feira (13), em uma reunião da diretoria colegiada, o presidente da órgão regulador, Leandro Pinheiro Safatle, reiterou que a população não utilize os produtos da marca listados pela Anvisa. Além disso, ele pediu que o serviço de atendimento ao consumidor da empresa seja procurado.
“Foram detectadas 76 irregularidades, abrangendo desde falhas graves relacionadas à qualidade microbiológica com a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais 100 lotes produtos acabados, até a deficiência no controle de materiais de embalagem”, explicou Safatle.
Segundo ele, a constatação ocorreu após uma inspeção conjunta da Anvisa, do CVS-SP (Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo) e da GVS-Campinas (Vigilância Sanitária Municipal de Amparo). Essa foi, inclusive, a primeira vez que a agência confirmou a identificação da bactéria em lotes da Ypê. Em novembro do ano passado, a própria marca tinha identificado os germes na produção.

Safatle também disse que o fabricante e a Anvisa estão realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado. A empresa apresentou investimentos realizados, intensificou os esforços para corrigir as irregularidades e se comprometeu a adotar medidas que cumpram as determinações sanitárias até essa quinta-feira (14).
A diretoria da Anvisa retirou da pauta, o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo contra a resolução, que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento dos produtos. O caso voltará à análise do colegiado na sexta-feira (15). A análise também discutirá o pedido da Ypê para suspender as sanções aplicadas.
A fabricante apresentará um novo plano de ações corretivas e investimentos, além de detalhar o cronograma de adequações, conforme a Anvisa. A agência ressaltou que esse é um passo essencial para tentar retomar a comercialização integral dos produtos afetados.
Os lotes de itens irregulares têm numeração com final 1. A Anvisa orientou que os consumidores suspendam uso e contatem o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da fabricante.
Veja os produtos afetados:
Lava-louças (Detergentes)
Lava-louças Ypê Clear Care
Lava-louças com Enzimas Ativas Ypê
Lava-louças Ypê
Lava-louças Ypê Toque Suave
Lava-louças Concentrado Ypê Green
Lava-louças Ypê Clear
Lava-louças Ypê Green
Lava-roupas Líquidos / Sabão Líquido
Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
Lava-roupas Líquido
Tixan Ypê Cuida das Roupas
Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Green
Lava-roupas Líquido Ypê Express
Lava-roupas Líquido Ypê Power Act
Lava-roupas Líquido Ypê Premium
Lava-roupas Tixan Maciez
Lava-roupas Tixan Primavera
Lava-roupas Tixan Power Act
Desinfetantes
Desinfetante Bak Ypê
Desinfetante de Uso Geral Atol
Desinfetante Perfumado Atol
Desinfetante Pinho Ypê
Sobre o caso
Os produtos da Ypê tiveram comercialização suspensa pela Anvisa após um relatório final da inspeção, realizada em abril, destacar indícios de irregularidades no tanque de manipulação de produtos para lava-louças. Os servidores da Anvisa também identificaram que resíduos eram armazenados e devolvidos às linhas de envase.
A Ypê tentou reverter a suspensão de produtos, e apresentou 239 medidas corretivas para contornar a decisão do órgão fiscalizador. Na última sexta-feira (8), porém, a Anvisa voltou atrás e liberou a venda de produtos da marca, mas manteve o alerta para o consumidor evitar a compra.

Em nota, a Ypê informou que mantém suspensas as linhas de produção de sua fábrica de líquidos. A decisão vale mesmo após a liberação da fabricação e venda dos produtos pela Anvisa.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques