Nesta quarta-feira (28), vieram à tona novas evidências no caso da corretora Daiane Alves Souza, que estava desaparecida desde 17 de dezembro e foi encontrada sem vida na manhã de hoje. Segundo informações do UOL, áudios, prints de conversas e registros judiciais revelam detalhes do conflito entre a vítima e o síndico Cleber Rosa de Oliveira, que confessou tê-la assassinado.
Cleber foi preso nas primeiras horas desta quarta-feira, em Goiás, suspeito de matar Daiane. Em depoimento, ele confessou o crime e revelou a localização do corpo da corretora, que teria sido desovado em uma área de mata às margens de uma estrada, em Caldas Novas. O síndico foi levado pelos policiais até o local para indicar onde havia abandonado o corpo.
O assassinato foi o desfecho de um conflito que teve início em 2025. À época, o condomínio enviou uma notificação a Daiane, alegando que o apartamento da corretora estaria sendo utilizado como marcenaria. Em resposta, ela afirmou que o síndico estaria impedindo seu trabalho como corretora e orientando a portaria a barrar o recebimento de encomendas.
Com o passar dos meses, o desentendimento ganhou novos contornos e acabou se transformando em um imbróglio judicial. Áudios e prints de conversas foram anexados ao processo, revelando a tensão crescente entre Daiane e Cleber. O condomínio chegou a cortar o fornecimento de luz e água do apartamento da corretora — medidas que posteriormente foram revertidas pela Justiça. Em agosto, os moradores votaram, em assembleia, pela expulsão de Daiane do prédio.
Daiane negou as acusações e reforçou que estava sendo vítima de perseguição por parte do síndico. Apesar da decisão dos moradores, a expulsão foi suspensa pela Justiça após recurso da corretora. Ela alegou que o condomínio não respeitou o prazo mínimo entre a convocação e a realização da assembleia. O juiz André Igo Mota de Carvalho acolheu o pedido até a análise da versão apresentada pelo condomínio.

Nos autos, Daiane apresentou prints de conversas, documentos e áudios para sustentar a denúncia de perseguição. Entre os documentos aos quais o UOL teve acesso está um boletim de ocorrência registrado pela mãe da corretora, Nilce, em maio de 2025. O B.O. relata uma mensagem enviada por Cleber em um grupo de WhatsApp do condomínio, na qual ele se referia a Nilce e à filha como uma “quadrilha de delinquentes”.
Segundo Nilce, a mensagem foi publicada em um grupo com “inúmeros condôminos proprietários de apartamentos”. Ela afirmou que o episódio “causou constrangimento” e gerou “inúmeros comentários de terceiros participantes do grupo” contra sua índole.
Além disso, Daiane também apresentou áudios atribuídos a Cleber. Em um deles, enviado à irmã da vítima, o síndico acusa a corretora de descumprir regras do condomínio e afirma que ela teria desrespeitado a ele e aos funcionários, criando uma “situação insustentável”. Ele ainda diz que tratou do assunto com a mãe de Daiane e que “até a sua mãe também passou a descumprir as regras”.
Em outro trecho, Cleber afirma ter rompido qualquer comunicação com Daiane. “Com ela, eu acredito que nunca mais eu vá conversar”, declarou. O síndico também acusou a corretora de burlar regras do clube do condomínio e de fazer uso indevido de carteirinhas de acesso. “Ela já burlou várias vezes a questão do clube, já pegou carteirinha dela para passar para outra pessoa usar e tenta passar pessoas lá no clube sem a documentação adequada, sem pagar. Ela gera transtorno onde vai”, disse.
Daiane não teria sido o único alvo do síndico. Em outro áudio, enviado à proprietária de um apartamento administrado pela corretora, Cleber chegou a ameaçar a mulher. Ele afirmou que Daiane estava proibida de trabalhar no condomínio e que não voltaria atrás da decisão. Apesar de reconhecer que a proprietária “pode entregar a chave para quem quiser e fazer o que quiser do apartamento”, ressaltou: “A Daiane está proibida de trabalhar lá no condomínio com hospedagem”.
Na gravação, o síndico recomenda que a cliente da vítima troque o responsável pela gestão do imóvel. “A recepção não vai prestar atendimento a ela [Daiane], não vai entregar chave, não vai entregar ficha, não vai fazer nada”, afirmou.
Cleber foi além e ameaçou a proprietária, caso ela mantivesse Daiane na gestão do apartamento. Segundo ele, a insistência seria vista como um “enfrentamento” e, nesse caso, ele se consideraria “dispensado de prestar qualquer assistência”. “Eu acho que vale a pena você refletir sobre isso, de que lado você quer estar. Dos dois não tem jeito”, ameaçou.
Após meses de desentendimentos, Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro. Ela foi vista pela última vez por volta das 19h, ao sair do elevador no subsolo do prédio onde morava havia dois anos. Segundo a mãe da vítima, Daiane descia para religar a luz de casa, já que os cortes no fornecimento eram recorrentes, apesar de não haver atraso no pagamento da conta.
Cleber Rosa de Oliveira e o filho dele foram presos dentro de casa na manhã desta quarta-feira, suspeitos de envolvimento no crime. Já sob custódia da polícia, o síndico afirmou que agiu sozinho e revelou ter escondido o corpo de Daiane em uma área de mata, às margens de uma estrada, em Caldas Novas. A polícia informou que o corpo já estava em avançado estado de decomposição.
