As equipes do Corpo de Bombeiros Militar no Paraná entraram no quarto dia de buscas por Roberto Farias Thomaz, de 19 anos. Neste domingo (4), os profissionais informaram que todas as trilhas da área já foram vasculhadas, o que levou à conclusão de que o jovem pode estar em uma área de mata, e não nos trajetos principais da montanha.
Em razão disso, a estratégia de busca foi alterada. Agora, os bombeiros devem concentrar os trabalhos nos arredores, com o uso de técnicas específicas, como rapel. Também devem ser usados drones para ampliar o alcance das varreduras em áreas de difícil acesso.
Os socorristas chegaram a mostrar o local onde Thomaz teve contato pela última vez com a amiga, também de 19 anos. Ele foi visto pela última vez no dia 1º de janeiro, quando descia a trilha que leva ao Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil.
Confira:
Equipes de Corpo de Bombeiros Militar no PR entram no 4° dia de buscas por jovem desaparecido pic.twitter.com/mrpF3l7v0T
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Os dois haviam se conhecido há menos de um mês e decidiram passar o Réveillon no Parque Estadual Pico Paraná para assistir ao primeiro nascer do sol de 2026 no topo da montanha. Na descida, porém, Roberto teria passado mal e não conseguiu acompanhar o ritmo do grupo. Apesar dos avisos para não deixá-lo sozinho, a amiga seguiu até o acampamento base, enquanto outros trilheiros teriam retornado para tentar localizar o jovem.
Novas versões do caso
O atleta e corredor de montanha Leandro Pierroti, que participou voluntariamente das buscas, apresentou sua versão do caso. Conforme ele, a separação entre Roberto e a amiga ocorreu durante a descida, em um trecho de pedras. A moça seguiu à frente com dois corredores de montanha, enquanto um terceiro permaneceu atrás do jovem desaparecido.
Pierroti destacou que a versão foi confirmada pelos próprios atletas. Ele ainda contestou a informação de que Roberto estivesse passando mal. “Eles disseram que ele estava cansado, mas não vomitando ou em estado grave”, afirmou. Ele explicou, ainda, que o celular do jovem teria molhado durante a virada do ano e, por esta razão, ficou guardado na barraca montada no acampamento A1.
Na gravação, Pierroti chegou a rebater as acusações feitas contra a amiga de Roberto. “Tem muitos fatos errados que a mídia cortou. Estão apresentando a menina apenas como uma vilã e não está ajudando em nada na resolução do caso (…) Nós também estávamos com os mesmos questionamentos e ela falou: ‘A gente era amigo, não estávamos ficando’. Eles não tiveram briga de sair no soco”, recordou.
Ele acrescentou que Roberto e a amiga viram juntos o nascer do sol e se perderam na descida. “Quando eles estavam na parte de pedras, foi ali que eles se perderam. Nesse momento, os corredores encontraram eles, que mostraram o caminho. E tem um momento no vídeo que ela fala pro Roberto: ‘Você tá muito devagar, eu vou passar na frente e vou com eles’. Tinha um último corredor atrás do Roberto”, descreveu.
Assista à íntegra:
Relato de voluntário nas buscas no Pico Paraná pic.twitter.com/p7thYOaBQm
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Já o analista jurídico Fabio Sieg Martins, que encontrou Roberto e a amiga em um trecho da trilha e seguiu caminho com eles, detalhou como tudo aconteceu. Ele ainda reagiu às especulações criadas em torno do desaparecimento do rapaz. “Peço que não gastem energias julgando a atitude da menina, mas utilizem a mentalização para fortalecer a fé de que o menino seja encontrado com vida. Algumas pessoas torcem pelo terror e querem que o pior dos cenários se materialize, não façam isso. Não dá para afirmar que a menina tenha feito algo de forma ‘dolosa’ contra o Roberto”, avaliou.
“Eu não percebi nenhum clima colérico entre eles na trilha. A noite deles foi, aparentemente, tranquila. Eu não sei o que houve entre o cume e o Acampamento 1, nem qual é a versão dos corredores. A única coisa que posso testemunhar e já fiz, foi a questão dela ser avisada, dela ser resistente em voltar para tentar encontrar o menino, o que, por apreensão, notadamente fez sem empatia e, por fim, mediante novos avisos, ter-me deixado para trás, outra vez, em atitude egóica, no meu entendimento. Uso o termo ‘sem noção’ neste vídeo e repiso nele, não é pejorativo, outrossim, conclusivo”, enfatizou.
Martins também pediu que não haja comparativos nas versões contadas e expressou seu apoio para que Roberto seja encontrado o quanto antes. “Não tentem colocar a minha versão em confronto com a do Leandro, a quem admiro bastante e esteve o dia todo em busca do Roberto, o que mais importa”, elogiou.
“A família está na base aguardando respostas e, por efeito, está tendo perdas emocionais e financeiras. Quem puder, for da área de saúde, enfim, tente auxiliá-los. Ontem eu vi que o Roberto é um menino muito especial e querido, veja-se pela quantidade de pessoas que largaram tudo para ir lá na montanha e que relataram ele como uma pessoa de coração enorme. Repito, de sua casa, seja qual for a sua fé, orem pela saúde e segurança dele. Que seja, o quanto antes, encontrado”, concluiu Fabio.
Nos comentários, ele chegou a analisar o comportamento da amiga de Thomaz. “Eu acho que em alguns pontos estão exagerando mesmo com a menina. Não descarto nenhuma opção, mas é pouco provável que ela tenha feito algo ‘doloso’ contra ele. Agora, juridicamente falando, se outro agente estivesse no lugar dela, o resultado não teria sido o atual. Então, há indicativos de comportamentos inconfidentes com a atividade e situação do amigo que colaboraram para esse desfecho”, pontuou.
“E sim, ela foi advertida da seriedade da situação e dos riscos envolvidos. Agora, demais teorias, não passam de teorias. Outro ponto, a questão do celular não pode prejulgar a menina. Pois o aparelho havia ficado na barraca, o que é bem plausível. O problema, minimamente ético ali, foi ela ter o aviso e ser imprudente. As entrevistas dela, o que ela falou, não estou acompanhando”, cravou Martins.
Veja:
Homem que fez trilha com jovem desaparecido no PR relata passo a passo do trajeto pic.twitter.com/urj5rnsRBZ
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Investigação
A Polícia Civil do Paraná instaurou investigação formal no sábado (3), após o registro de boletim de ocorrência pela família de Roberto. De acordo com a corporação, não há indícios de crime até o momento.
A amiga, os montanhistas que tiveram contato com o jovem ao longo do percurso e familiares já foram ouvidos. As autoridades explicaram que as versões colhidas estão sendo comparadas com os dados levantados pelas equipes de resgate que atuam na região desde o desaparecimento de Thomaz.
As buscas envolvem equipes do Corpo de Bombeiros, montanhistas experientes, voluntários e o uso de helicópteros, devido à dificuldade de acesso ao terreno, à vegetação fechada e às condições climáticas da região.

Após um pedido dos bombeiros, o Instituto Água e Terra (IAT) determinou a restrição temporária de acesso a parte do Parque Estadual Pico Paraná. Desde sábado, estão fechadas as trilhas dos morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca.
Segundo o IAT, a medida tem como objetivo “garantir a segurança de visitantes e evitar interferências nas operações de resgate”. A operação – que não tem prazo para encerramento – é classificada como uma das mais complexas já realizadas no parque, devido à altitude, à extensão das trilhas, às variações bruscas de clima e à possibilidade de Thomaz ter seguido por rotas alternativas durante a descida.
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