Caso Henry Borel: Polícia descobre conversa de Jairinho com ex no dia da morte do menino, e últimas imagens de Henry em vida são divulgadas; assista

A investigação da morte de Henry Borel ganhou novos desdobramentos. Uma reportagem exibida nesse domingo (28), no “Fantástico”, revelou imagens exclusivas dos últimos momentos do garoto, em vida, assim como divulgou trechos de depoimento feito na última semana, por uma ex-namorada de Dr. Jairinho, padrasto da criança.

A mulher – cuja identidade não foi revelada – denunciou o vereador por agressões contra ela e a filha. Em mensagem enviada por ela ao pai de Henry, Leniel Borel, a mulher lamentou o falecimento da criança e disse ter sido negligente, ao deixar que situações problemáticas envolvendo Jairo e a então afilhada, passassem impunes.

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“Hoje já se passaram quase… quase não, oito anos de tudo que aconteceu comigo. Eu nunca fiz nada, nem nunca procurei nada, por medo. A verdade é essa. E esse medo, vou ser bem sincera, eu tenho até hoje. Hoje, eu tenho medo de alguma coisa acontecer, por ele saber as coisas que eu sei, em relação a mim, que aconteceram comigo e com ele”, declarou ainda, em áudio enviado ao pai de Henry.

Mensagens enviadas a Leniel. (Foto: Reprodução/Fantástico)

À polícia, a ex-namorada de Jairinho chegou a afirmar que o parlamentar rasgou sua roupa na rua quando a viu chegando em casa após uma balada. Em outra ocasião, também de acordo com a declarante, depois de se recusar a conversar com Jairinho, ele a teria puxado, fazendo com que ela batesse os seios contra a grade de um portão. A ação ocasionou a abertura de alguns pontos nos seios da mulher que havia recentemente colocado implantes de silicone.

Ainda no depoimento, a ex-namorada alegou que, quando estava sozinho com a filha dela, o vereador dizia à menina que ela “atrapalhava a vida da mãe” e que “a vida da sua mãe seria mais fácil sem ela”. Ademais, o político supostamente dava “cascudos” na cabeça da garota, que na época, tinha 3 anos, assim como torcia seus braços e pernas. A mulher também o acusou de ter afundado a cabeça da menina em uma piscina.

As histórias acima serviram como alerta para o pai de Henry. “Foi muito parecido [o relato] das reações que a menina tinha com o que o meu filho tinha. De vomitar, de não conseguir olhar o Jairinho, de não querer ficar perto do padrasto, de preferir ficar com os avós do que ficar com a mãe, não querer está próximo dele (Jairinho) de jeito nenhum”, declarou Leniel, ao Fantástico.

Envolvimento com outra ex e suposta traição

A polícia descobriu também que Jairinho conversou com uma ex-namorada – que não foi identificada – momentos antes da morte de Henry. Em depoimento, a mulher disse que às 15h47 do domingo (7), mandou uma mensagem de texto ao vereador: “Estou cansada de você!”. A resposta chegou à 1h47 da madrugada (8). “Pelo amor de Deus”, escreveu o vereador. Foi aproximadamente nesse horário, às 1h50, que Monique e o namorado deixaram a sala de estar para assistir televisão no quarto de hóspedes, para não interromper o sono de Henry.

O parlamentar não mencionou a morte do menino. A mulher só soube do caso por amigos em comum e pela imprensa. Ela ainda disse que, mesmo separados desde outubro do ano passado, Jairo continuava a ajudando financeiramente e que ambos se encontraram presencialmente por três vezes em janeiro deste ano. Conversas por telefone ou mensagem também eram frequentes. Por fim, a ex revelou que chegou a ficar com o vereador há cerca de um mês e que ambos já brigaram, com trocas de xingamentos, mas sem agressão física.

Antigas acusações contra Jairinho

Dr. Jairinho já havia sido acusado formalmente em 2014. Ana Carolina Ferreira Neto, ex-mulher do vereador, registrou ocorrência na época, contando que ele sempre foi violento, agredindo a ela e sua filha, chegando até a tentar enforcá-la. O caso foi arquivado e o parlamentar negou ter cometido tais violências.

Apesar da denúncia de anos atrás, Ana enviou na última semana uma carta feita a mão para a defesa do parlamentar, na qual afirma que o homem “sempre fez o bem”. No documento, a ex-mulher – com quem Jairinho tem dois filhos – diz que o vereador é um “cara completamente preocupado com tudo. “Fazia questão dos domingos terem o nosso programa de família. Chega ser um absurdo ter que escrever sobre ele (Jairinho), pois sempre fez o bem, com os filhos, funcionários, vizinhos…”, alegou.

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As imagens divulgadas

A reportagem exibiu ainda imagens de câmeras de segurança, nas quais Monique Medeiros, mãe de Henry, aparece segurando o filho no colo, às 19h18, do domingo (7) – poucas horas antes da morte do garoto. Na ocasião, a professora teria ido com o pequeno até uma padaria para comprar lanches. Essa seria uma tentativa de acalmar a criança, que supostamente chorou e vomitou após ser entregue pelo pai, Leniel, no local.

As filmagens ainda mostram Dr. Jairinho no elevador com Henry e Monique, após se encontrar com os dois na portaria do prédio em que moravam, às 19h39 da noite. O parlamentar passou a mão na cabeça do menino dentro do elevador. Horas depois da morte da criança, as câmeras de segurança registraram o político, às 9h08 da manhã da segunda-feira (8), deixando o apartamento. À polícia, ele disse ter deixado o hospital e ido para casa para trocar o chinelo pelo tênis.

Imagens da câmera de segurança do prédio. (Foto: Reprodução/Fantástico)

Por fim, a matéria exibiu imagens das câmeras da loja de um shopping, que mostraram Henry ao lado do pai em um momento de descontração, trocando carinhos antes da morte da criança. “O que eu quero saber é como foi, quem foi e por que fizeram isso com o meu filho”, encerrou Leniel.

Entenda o caso

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de Henry Borel, enteado do vereador Jairo Souza Santos. O menino, que tinha 4 anos de idade, faleceu na madrugada do dia 8 de março. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal, divulgado em reportagem do jornal RJ2, há sinais de violência e o óbito foi causado por hemorragia interna e laceração hepática, decorrentes de uma ação contundente.

A perícia constatou ainda múltiplos hematomas no abdômen e membros superiores, infiltração hemorrágica na região frontal do crânio, edemas no encéfalo, grande quantidade de sangue no abdômen, contusão no rim à direita, trauma com contusão pulmonar, laceração hepática (no fígado) e hemorragia retroperitoneal.

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Henry, que passava a noite na casa da mãe, Monique Medeiros da Costa Almeida, e do padrasto, foi levado ao hospital pelos responsáveis, mas chegou ao local sem vida. Dr. Jairinho e a namorada prestaram depoimento por cerca de 12 horas, na 16ª DP (Barra da Tijuca). Eles foram ouvidos em salas separadas e deixaram a delegacia às 2h30, do dia 18.

O casal relatou que ouviu um barulho durante a madrugada e encontrou o garoto desacordado, caído no chão do quarto. Leniel Borel de Almeida Jr., pai da criança, ouviu da ex-mulher que o pequeno foi encontrado com dificuldade de respirar e os olhos já revirados.

Henry tinha apenas 4 anos de idade. “Menino ativo, inteligente, amigo, companheiro, muito divertido, gostava de brincar. Quando não conhecia alguém, era até meio introvertido. O resto era só alegria”, lamentou Leniel. (Foto: Reprodução)

Peritos ouvidos pela TV Globo dizem ser impossível que Henry tenha se machucado de tal forma, somente ao cair da cama. Uma queda de uma altura baixa é pouco provável que esteja na origem dessas lesões traumáticas. “Nós observamos esses tipos de lesões em acidentes de trânsito, com muito mais energia”, afirmou o legista Carlos Durão. Os ferimentos do menino também não poderiam ter sido causados durante uma tentativa de reanimá-lo.

Ao jornal O Globo, Dr. Jairinho enviou uma nota na qual disse “estar triste, sem chão e suportando a dor graças ao apoio da família e dos amigos“. “As autoridades apuram os fatos, e vamos ajudar a entender o que aconteceu. Toda informação será relevante. Por isso, acho prudente primeiro dizer na delegacia a dinâmica dos fatos, até mesmo para não atrapalhar os trabalhos desenvolvidos”, informou o líder de Marcelo Crivella na Câmara.

Monique Medeiros da Costa Almeida e Dr. Jairinho deixam a delegacia após 12 horas de depoimento sobre a morte do menino Henry Borel  (Foto: Reprodução/Globo)

Em 18 de março, a 16ª DP teve acesso às imagens de câmeras de segurança que mostram o menino Henry em boas condições e sem lesões aparentes, durante passeio pelo shopping com o pai, ainda no dia 7, e sendo deixado mais tarde no condomínio onde moram Monique e Jairo.

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“O menino estava em perfeitas condições, totalmente normal, brincando, alegre, feliz, e quanto a isso não tem nenhum questionamento a se fazer. O que me chamou atenção nesse caso foi o laudo. O que o pai me contou foi que ele foi para o hospital com alegação de parada respiratória e quando tive acesso ao laudo, ele transcreveu causa de morte por ação contundente, hemorragia no fígado e lesões em outros órgãos. Isso me causou total estranheza, pois não tinha nexo causal com o que aconteceu e a informação prestada no hospital”, disse Leonardo Barreto, advogado de Leniel, ao UOL.

“Se eles (a mãe e o vereador) mudaram a versão, está bem claro o que aconteceu. Nossa função aqui não é atribuir responsabilidade a ninguém, não é tentar incriminar A ou B, é simplesmente saber a verdade como o menino morreu”, acrescentou ele à reportagem. O advogado disse ainda que o pai do menino está estarrecido. “Quando ele viu o laudo o mundo dele caiu, desabou, ele está completamente mal e desnorteado”, concluiu.