Ana Paula Lamego Balbino, delegada e esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior — réu confesso pelo homicídio de Laudemir de Souza Fernandes — declarou em depoimento que o marido não apresenta comportamento agressivo. A afirmação, no entanto, contrasta com registros que apontam antecedentes por violência doméstica e um crime no trânsito.
Na declaração obtida pelo UOL, Ana Paula disse que, durante os três anos em que estiveram juntos, Renê não apresentou comportamento agressivo e não consumia drogas ilícitas ou bebidas alcoólicas. Ela acrescentou que não tinha conhecimento de que ele manuseava armas. A funcionária pública contou que mantinha as pistolas “em um cantinho” de uma estante no escritório da casa em que viviam e suspeita que Nogueira poderia saber onde estavam guardadas.
A delegada afirmou também não ter presenciado o marido manusear armas de fogo. No entanto, investigações apontam que Renê já foi filmado em posse de armamentos e que exibiu o distintivo da Polícia Civil de Minas Gerais pertencente à esposa.

O inquérito policial enviado ao Ministério Público de Minas Gerais descreve que o empresário tinha “fascínio” por armas e pelo cargo ocupado por Ana Paula. A informação embasou a decisão judicial de torná-lo réu.
Renê responde atualmente por lesão corporal grave em São Paulo, acusado de agredir uma ex-companheira em 2021. Segundo o Ministério Público, a vítima teve um dos braços quebrados. “Eu respondo [por] uma luxação do quinto metatarso da minha ex-esposa, mas eu já tenho uma medida cautelar contra ela dada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo“, disse o acusado em audiência de custódia, ao ser questionado pelo juiz.
A denúncia aponta que o casal vivia uma relação conturbada que resultou em violência física. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou ao UOL que o caso tramita em segredo de Justiça.
Renê já teve outras denúncias por violência doméstica. Em 2003, no Rio de Janeiro, uma ex-companheira registrou ocorrência contra ele. O caso chegou ao Juizado Especial Criminal e resultou em medidas protetivas à vítima. A ação foi concluída em julho de 2024, mas os detalhes estão sob segredo de Justiça. Em 2005, outra mulher relatou ter sido agredida pelo empresário, sendo mordida nas costas. Não há informações sobre desfecho desse processo.

Em 2011, Renê foi investigado por homicídio culposo após atropelar uma mulher de 50 anos no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Ele dirigia em alta velocidade. A vítima, que não teve sua identidade divulgada, chegou a receber atendimento, mas não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil do Rio confirmou o registro e informou que o caso foi encaminhado ao Ministério Público.
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