O professor agredido por pai de aluna em escola do DF será investigado pela Corregedoria após denúncias de conduta inadequada. A Secretaria de Educação e o Batalhão Escolar atuam no caso.
A Corregedoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal investiga a conduta do professor agredido pelo pai de uma aluna dentro do Centro Educacional 4, em Guará. Segundo o portal g1, que teve acesso ao boletim de ocorrência, o docente, de 53 anos, teria o costume de xingar os alunos.
As denúncias sobre o professor foram feitas à Polícia Civil. Nesta terça-feira (21), a direção da escola reuniu os estudantes para ouvir demandas, esclarecer dúvidas e acalmá-los após o ocorrido. Em nota, a secretaria informou que a Coordenação Regional de Ensino do Guará está acompanhando o caso. Uma reunião com o corpo docente da instituição para alinhar orientações sobre o encaminhamento de situações disciplinares também foi realizada.
LEIA TAMBÉM:
Além disso, o Batalhão Escolar da Polícia Militar foi acionado para reforçar a segurança na entrada e saída dos alunos no local pelos próximos dias. “A Secretaria repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma o compromisso de garantir um espaço seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade“, informou.
A agressão aconteceu na segunda-feira (20). Em entrevista à TV Globo, o docente disse que foi surpreendido pelo pai da estudante após ir à sala de coordenação. “Já tinha terminado o primeiro horário, estava no intervalo. Eu estava indo pegar pincel para usar na sala de aula. Ele não falou nada, já chegou me xingando e me socando“, detalhou.

Segundo o professor, a agressão aconteceu depois que ele chamou a atenção da aluna, que supostamente se recusava a copiar o conteúdo do quadro. “Eu chamei a atenção dela porque ela estava usando o celular na hora que não era para usar. Ela deve ter chamado o pai, e ele foi à escola na mesma hora para tirar satisfação comigo“, contou.
“Eu fui ríspido com ela, falei que não era para usar o celular, para copiar o conteúdo do quadro e ela se recusava a fazer isso. Às vezes, eu permito que eles usem a calculadora do celular, mas somente nessas horas de cálculo, jamais para ficar vendo as redes sociais ou ficar brincando com o celular“, explicou.
Relato dos alunos
Os estudantes também se manifestaram sobre a suposta conduta do professor nas redes sociais. “Ele se chama de professor opressor. Ele xinga os alunos, grita, abusa do poder dele, fala coisas muito desnecessárias na sala, envergonha os alunos na frente dos outros. É um absurdo, ele realmente é um opressor“, afirmou uma das alunas, em vídeo publicado no Instagram.
Ela relatou xingamentos do docente contra os alunos e disse que a amiga estaria usando o celular porque tem um problema de visão. “Ela está sem óculos agora, porque ela não tem condição de fazer um novo. O dela quebrou, e ela sempre usa o celular para copiar. Todos os professores estão cientes disso, tanto que já é algo normal. Eles não brigam. Nessa aula, ele falou: ‘Sai dessa porr* de celular e vai copiar agora’“, detalhou.
A estudante ainda relatou que o professor já teria tirado fotos inapropriadas de alunas e desabafou sobre lidar com esses tipos de situações dentro da escola. “A gente está ali para aprender, não é para ser desrespeitado ou humilhado por professor nenhum“, lamentou.
Assista à integra:
Câmeras de segurança registraram o momento que o homem entra na sala de coordenação e dispara diversos socos na cabeça do professor, que tenta se proteger enquanto é contido por outros funcionários. Imagens feitas por outras pessoas no local também mostraram a filha tentando separar a briga e aplicando um “mata-leão” no pai para cessar os ataques. Além da filha, outras três estudantes presenciaram as agressões.
Veja:
Pai de aluna dá nove socos em professor após bronca por uso de celular em sala de aula no DF https://t.co/p1TMTT44Pd #g1 pic.twitter.com/OVubSnUsCQ
— g1 (@g1) October 21, 2025
O docente ficou com olho roxo e hematomas nas costas. À TV Globo, ele afirmou que não conhece o pai da estudante e que foi a segunda vez que deu aula na turma. “É muito triste. Já trabalhei em várias escolas. Já tive discussões várias vezes, mas jamais saiu em vias de fato como hoje, então eu estou muito decepcionado“, desabafou.
“Vou pegar um atestado, vou tentar melhorar um pouco a cabeça, porque a cabeça da gente fica muito ruim. Então assim, eu tô sem condição nenhuma de voltar pra sala de aula no momento“, contou.
Confira:
‘Tô sem condição nenhuma de voltar para a sala de aula’, diz professor espancado por pai de aluna no DF https://t.co/CRdCC6kIw4 #g1 pic.twitter.com/gTzCrlOPhU
— g1 (@g1) October 21, 2025
Pai da aluna se manifesta
O suspeito foi identificado como Thiago Lênin Sousa e levado para a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), usado para crimes de menor potencial ofensivo. Ele vai responder em liberdade por lesão corporal, injúria e desacato.
Em depoimento, obtido pela emissora, o homem afirmou que a filha ligou dizendo que o docente teria a xingado. Ele admitiu que “partiu para cima” do professor, mas negou ter feito ameaças. Nesta quarta-feira (22), em nota assinada por seu advogado, Thiago disse que se arrepende das agressões e declara que teve um “surto momentâneo” na tentativa de proteger a filha.
Leia a íntegra:
“Nos últimos dias, a imprensa tem noticiado o fato ocorrido em uma escola na cidade do Guará/DF, onde um pai desesperado pelo pedido de ajuda de sua filha agiu de forma sem pensar e agrediu um ‘professor’. Sem dúvida alguma, a atitude do meu cliente é reprovável e inaceitável, contudo, jamais pode ser criminalizada como está sendo. O meu cliente se arrepende das agressões feitas ao ‘professor’, reconhecendo que agiu de forma incorreta diante da situação, sem dúvida alguma foi um surto momentâneo de um pai que só queria proteger sua filha, que é a verdadeira vítima no ocorrido.
Vale ressaltar que a adolescente possui deficiência visual e estava sem os óculos no dia do ocorrido, e precisa do auxílio do celular para copiar a matéria na lousa. O que fez durante todas as aulas de outros professores, sem problema algum. Ocorre que o referido ‘professor’ ao vê-la usando o celular, proferiu palavras de baixo calão dentro da sala de aula que não posso usá-las aqui por não ser conveniente. A adolescente se sentiu humilhada com as palavras usadas pelo ‘professor’, que deveria ser um exemplo de educador em uma sala de aula. O mínimo que se espera de alguém que se formou para ensinar educação é ser educado, respeitoso e saber conversar com as pessoas, principalmente seus alunos.
Os alunos comovidos da forma humilhante, grosseira e desrespeitosa em que a colega fora tratada pelo ‘professor’, se revoltaram contra o mesmo e começou uma discussão generalizada na sala de aula até que vários alunos ligaram para o meu cliente informando o que estava acontecendo. A atitude desse ‘professor’ que já é conhecido nas redes sociais como ‘professor opressor’ e outros adjetivos pejorativos, fez com que os alunos fizessem um abaixo-assinado requerendo a sua transferência do colégio.
A adolescente vem recebendo várias mensagens de apoio de vários alunos da rede pública de educação, contudo, o que a mesma quer é voltar para a sua vida normal, e já está sendo assistida por um psicólogo e psiquiatra. Diante do exposto, meu cliente reitera o seu arrependimento pelas vias de fatos, sabendo que essa atitude tomada nunca será a melhor solução para o problema. Porém, infelizmente dentro de algumas escolas, ainda tem profissionais que deveriam ser o exemplo de um educador, que deveriam tratar seus alunos de forma respeitosa, justas e honesta, mas continuam nas suas arrogâncias, achando que a melhor maneira de educar é sendo mal-educado, um verdadeiro contrassenso“.