Nesta quarta-feira (2), o corpo da publicitária Juliana Marins, que faleceu após um acidente na Indonésia, foi submetido a uma nova autópsia no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Rio de Janeiro. O procedimento foi realizado após solicitação da família à União.
Juliana já havia passado por uma autópsia na Indonésia. No entanto, os familiares ainda buscam esclarecimentos sobre a hora exata e a causa da morte. Segundo a Folha de S. Paulo, o novo exame teve início às 8h30 e durou cerca de duas horas e meia, sendo conduzido por dois peritos legistas da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A análise foi acompanhada por Mariana Marins, irmã da vítima, e por um perito da Polícia Federal. O professor de medicina legal Nelson Massini foi contratado pela família para acompanhar o procedimento.
Ainda de acordo com o veículo, a realização da nova autópsia foi autorizada em audiência na Justiça Federal, na terça-feira (1º), com a presença da Advocacia-Geral da União (AGU), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Governo do Estado do Rio. Um laudo preliminar com os resultados deve ser emitido em até sete dias.

Busca por respostas
Juliana desapareceu após cair em uma fenda no Monte Rinjani, na ilha de Lombok, em 20 de junho. Ela foi vista com vida, mas o resgate, que se estendeu por quatro dias, só a alcançou no dia 24, quando já havia falecido. O corpo foi retirado do local no dia seguinte, com múltiplas fraturas e grave hemorragia interna.
De acordo com o legista responsável pela primeira autópsia, Juliana teria sobrevivido por quatro dias após a queda. No entanto, a certidão de óbito emitida pela Embaixada do Brasil em Jacarta, com base no laudo das autoridades indonésias, não apresentou informações conclusivas sobre a data e hora da morte.
Diante das dúvidas, os familiares solicitaram o novo exame para apurar se o procedimento original foi realizado corretamente e identificar possíveis sinais que possam ter passado despercebidos. “Precisamos saber se a necropsia que ele fez foi bem feita. Me pareceu que o hospital não dispõe de tantos recursos assim”, disse Manoel Marins, pai de Juliana, ao RJ2.
A Defensoria Pública da União também enviou um ofício à Polícia Federal solicitando a abertura de inquérito para investigar o caso. Taísa Bittencourt, defensora pública federal, destacou a importância da celeridade na nova análise: “A família necessita de confirmação da data e horário da morte, a fim de apurar se houve omissão na prestação de socorro pelas autoridades indonésias”.
A apresentação do resultado final da necropsia dependerá do estado do corpo e da eventual necessidade de exames complementares.

Desabafo
Após o procedimento, o corpo de Juliana foi liberado por volta das 11h. Do lado de fora do IML, Mariana Marins conversou com a imprensa e falou sobre o processo. “A nova autópsia aqui no Brasil foi feita. Agora a gente está na expectativa do laudo, que não sai hoje, demora alguns dias por conta de alguns exames que têm que ser feitos na minha irmã”, explicou.
Ela aproveitou para agradecer o apoio recebido em meio à perda: “Eu agradeço muito ao IML por essa parceria, por essa ajuda. Agradeço também ao PGE [Procurador-geral do Estado], à União, à Polícia Federal. Sem toda essa ajuda, sem toda essa comoção, a gente não teria conseguido trazer Juliana aqui para o Rio de Janeiro tão rápido, e a gente não teria conseguido também aprovar e fazer essa autópsia hoje”, declarou.
A irmã também falou sobre o medo da família de não conseguir recuperar o corpo: “Uma coisa que a gente temia era que Juliana ficasse desaparecida. Então, apesar de o resgate não ter acontecido no tempo hábil para a Juliana ter saído com vida, pelo menos a gente está com Juliana de volta no Brasil”.

Marins destacou: “Eu sei como é importante para todas as famílias quando tem esse desfecho — quando a pessoa fica desaparecida é muito ruim. É muito bom realmente a gente saber que Juliana está aqui de volta com a gente, pra gente conseguir dar esse adeus digno para ela”.
Por fim, Mariana fez um apelo: “Meu pedido mais uma vez é: não esqueçam Juliana, que ainda tem muita coisa que a gente tem que pedir por ela. Ela sofreu muita negligência nesse resgate. Então a gente vai continuar atrás”.
Assista abaixo:
AGORA! Mariana Marins fala sobre a perícia realizada no corpo da irmã morta em vulcão na Indonésia: “Agradeço a todos que têm apoiado e meu pedido, mais uma vez, é que não esqueçam Juliana.” #sbtrio #sbt #noticias pic.twitter.com/sKUyPq60YK
— SBT Rio (@sbtrio) July 2, 2025
A despedida final de Juliana será no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói. O horário do sepultamento ainda não foi divulgado.
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