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Dom Phillips e Bruno Pereira: Corpos do jornalista e do indigenista são encontrados no AM, diz esposa do britânico

Dom Phillips e Bruno Pereira estão desaparecidos desde o dia 5. Agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança Pública, Marinha e do Exército trabalhavam nas buscas

Dia triste para o jornalismo e a causa indígena. Nesta segunda-feira (13), foram encontrados os corpos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, que estavam desaparecidos desde o dia 5 de junho. A informação foi repassada por Alessandra Sampaio, esposa de Dom Phillips, para o jornalista André Trigueiro. No entanto, oficialmente, ainda aguarda-se a confirmação da perícia da Polícia Federal para concluir o caso.

“Alessandra voltou a fazer contato dizendo que recebeu há pouco ligação da PF informando que os corpos precisam ser periciados. A Embaixada Britânica já havia comunicado aos irmãos de Dom Phillips que eram os corpos do jornalista e do indigenista. Agora todos aguardam a perícia”, escreveu o comentarista da Globo News.

Ao vivo no canal fechado, o jornalista contou que Alessandra recebeu a notícia diretamente de amigos que participavam das buscas na Amazônia. “Aproximadamente quinze minutos depois [de confirmar a morte], ela voltou a fazer contato e disse que havia acabado de receber uma ligação da Polícia Federal confirmando que dois corpos haviam sido encontrados. Entretanto, eles não haviam sido identificados e que isso só seria possível a partir do trabalho da perícia”, disse.

De acordo com o “The Guardian”, a família de Phillips foi informada da descoberta de dois corpos pelo embaixador brasileiro no Reino Unido. “Ele não descreveu a localização e disse que foi na floresta, que estavam amarrados a uma árvore e ainda não haviam sido identificados“, relatou Paul Sherwood, cunhado do britânico.

Na sexta-feira (11), a Polícia Federal já havia apontado que foram encontrados “materiais orgânicos aparentemente humanos” no Rio Itaquaí, próximo ao porto de Atalaia do Norte. Os dois sumiram na região do Vale do Javari, no Estado do Amazonas. Apesar disso, ainda não há certeza sobre o local onde os corpos foram encontrados.

As buscas pelos desaparecidos estavam concentradas em uma área abaixo da “Comunidade Cachoeira”, em Atalaia do Norte. Para reforçar a procura, o governo do Amazonas enviou bombeiros, policiais civis e militares. Voluntários falaram para as equipes de busca que encontraram sinais de escavação às margens do Rio Itaquaí, local em que Pereira e Philips foram vistos navegando.

Bruno Araújo e Dom Phillips estavam desaparecidos desde o último domingo (5). (Foto: Reprodução/G1)

O desaparecimento

Além de indigenista, Bruno Araújo Pereira era servidor federal licenciado da Funai. Ele também dava suporte à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) em projetos e ações específicas. Em 2018, se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém-contratados da Fundação Nacional do Índio, mas foi exonerado em 2019, após pressão de setores ruralistas ligados ao governo Bolsonaro.

Dom Phillips morava em Salvador com a família e fazia reportagens sobre o Brasil para veículos como Washington Post, New York Times, Financial Times e The Guardian.

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Os dois sumiram durante visita à equipe de Vigilância Indígena, localizada próxima ao Lago do Jaburu. O objetivo do jornalista era realizar algumas entrevistas com os indígenas. Defensor dos povos originários, Bruno recebia ameaças constantes de madeireiros, garimpeiros e pescadores.

As buscas começaram no domingo por integrantes da Univaja. Sem sucesso, eles acionaram as autoridades no dia seguinte. Agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), da Marinha e do Exército participaram da operação. Phillips estava trabalhando em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson.