Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como responsável pelo grupo de rope jump investigado pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmou em depoimento que sua única função na equipe era cuidar das redes sociais. De acordo com o UOL, que teve acesso ao vídeo do depoimento, a empresária negou qualquer participação na parte técnica dos saltos e defendeu os funcionários.
As declarações foram prestadas à Polícia Civil no mesmo dia do acidente. Durante o depoimento, Evelyne afirmou que praticava rope jump havia cerca de um ano e meio, mas que nunca participou da preparação dos saltos. “Como eu não faço parte de nada operacional, eu sempre falo, inclusive nas redes sociais, que eu tenho muito medo. Eu não tenho nenhuma qualificação pra te dar respostas técnicas. Porque a minha única função é editar os vídeos, postar nas redes sociais, viralizar”, declarou.
Segundo a empresária, sua atuação durante os eventos se limitava à recepção dos participantes. Ela explicou que era responsável por receber os clientes, fazer o cadastro e entregar as fichas para a ordem da atividade. Questionada sobre o momento em que Maria Eduarda foi lançada da ponte, Evelyne afirmou que não conseguiu acompanhar a preparação da jovem. “Não dava para enxergar, não é próximo. Eu estava na primeira tenda. Se eu for te falar de metros, seria uns 20 metros”, disse.

Na sequência, ela contou que preenchia um documento quando ouviu um barulho e percebeu que algo havia acontecido. “Eu ouvi o barulho, olhei para eles e eles estavam em choque”, relatou. Segundo Evelyne, enquanto os instrutores correram em direção ao local da queda, ela permaneceu paralisada por alguns minutos, sem conseguir reagir.
A dona do grupo saiu em defesa dos funcionários e classificou o caso como uma fatalidade. “Quero acrescentar que a forma como eu enxergo, com toda confiança e toda a expertise que eles têm, de tantos anos nesse esporte, em várias equipes que eles já passaram, é que realmente é uma fatalidade. Não consigo entender o que aconteceu, ninguém consegue”, afirmou.
Evelyne também negou que os envolvidos tenham tentado fugir após a tragédia. “A gente não fugiu, a gente está aqui esperando para ser julgado, pra eu fazer o que for. Independentemente do que aconteceu, do que fizerem com a gente, a gente vai assumir, a gente vai ficar aqui”, declarou.
Assista ao depoimento:
A empresária foi presa temporariamente no último fim de semana. Já os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves permanecem presos desde o dia do acidente e foram indiciados por homicídio doloso qualificado. Outro funcionário do grupo, Gabriel Barros Martins, também foi detido posteriormente por, segundo a investigação, deixar o local e não comparecer para prestar depoimento.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu no dia 13 de junho após cair de aproximadamente 40 metros de altura durante um salto na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo. Um vídeo mostrou a jovem sendo lançada da plataforma sem que o equipamento de segurança estivesse conectado.
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