A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou por homicídio culposo, lesão corporal culposa e crime contra as relações de consumo o dono e o padeiro responsável pela produção da torta de frango que causou a morte de uma idosa de 75 anos e deixou outras duas pessoas com sequelas graves em Belo Horizonte. O caso aconteceu em abril deste ano, após o trio consumir o alimento comprado na Padaria Natália, localizada no bairro Serrano, na Região da Pampulha.
Segundo as investigações, Cleuza Maria de Jesus Dias, de 75 anos, morreu após ser internada com sintomas de intoxicação. A sobrinha dela, Fernanda Isabella de Morais Nogueira, de 23 anos, e o namorado, José Vitor Carrillo Reis, de 24, também foram hospitalizados em estado grave e continuam apresentando sequelas neurológicas, como perda de força muscular e dificuldades motoras. Os três haviam consumido a torta e uma empada compradas no local.
De acordo com a delegada Eliane Seda, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, a perícia concluiu que o alimento foi contaminado por toxina botulínica. A análise foi feita por um grupo técnico composto por médicos, peritos e agentes da vigilância epidemiológica. Apesar de exames laboratoriais feitos anteriormente não detectarem a toxina, a polícia baseou sua conclusão no critério clínico-epidemiológico.

“O alimento ficou mais ou menos 20 minutos na casa das vítimas. No momento que o casal percebeu que a torta estava com o odor e o sabor desagradável, as pessoas que estavam na residência não consumiram. Então, a contaminação não ocorreu na residência, porque o tempo de permanência ali foi muito curto”, explicou Seda à Folha de S. Paulo.
O chefe do Departamento de Combate à Corrupção e Fraudes da Polícia Civil, Adriano Assunção, classificou como negligente a conduta dos indiciados. “Houve negligência com o armazenamento dos produtos no interior da padaria, também negligência na manipulação desses produtos e também, em principal, nas condições em que eles eram produzidos no local, de expor isso a público”, declarou.
Relembre o caso
A torta foi comprada na noite de 21 de abril. O casal notou um sabor azedo e retornou ao local para reclamar. Os funcionários confirmaram que o alimento estava impróprio e devolveram o dinheiro. Horas depois, Fernanda e José Vitor foram levados à UTI e entubados. Cleuza, tia de Fernanda, que também havia ingerido a torta, desmaiou em casa, foi reanimada pelo filho, mas morreu após cerca de um mês internada.

A padaria foi interditada pela Vigilância Sanitária no fim de abril, após a constatação de “irregularidades de higiene e estrutura sanitária”. O local não possuía alvará sanitário nem cadastro para a liberação do documento, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte.
O padeiro responsável, Ronaldo de Souza Abreu, foi contratado como freelancer, sem carteira assinada, e trabalhou por apenas seis dias na padaria, tendo encerrado suas atividades um dia antes da venda do salgado. Em depoimento à polícia, ele negou envolvimento criminoso e afirmou que presenciou falhas graves de higiene no estabelecimento. Clique aqui para saber mais detalhes.
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