O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes, foi denunciado nesta quinta-feira (11) pelo Ministério Público de Minas Gerais por quatro crimes, incluindo fraude processual. Segundo a promotoria, Renê tentou envolver a esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, para dificultar as investigações.
De acordo com o MP, o investigado solicitou à delegada que entregasse uma arma diferente da usada no homicídio, na tentativa de confundir a perícia. O objetivo, segundo o promotor Cláudio Barros, era atrapalhar o andamento do inquérito. “[Ele] tentou inovar, artificiosamente e para fins de produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, o estado da coisa, com o nítido propósito de induzir a erro o juiz ou o perito”, disse Barros em coletiva de imprensa.
Ana Paula não atendeu ao pedido do marido e entregou as duas armas que tinha em casa. Segundo as autoridades, as armas de fogo eram uma pistola de uso funcional e uma pistola calibre .380 utilizada por Renê no crime.

Mesmo assim, a Polícia Civil indiciou a delegada em duas frentes: por porte ilegal de arma de fogo e por prevaricação. O MP, no entanto, decidiu não denunciá-la, considerando que a soma das penas seria inferior a quatro anos, e informou que Ana Paula poderá optar por um acordo de não persecução penal.
“Se for o caso, fará a proposta do acordo de não persecução penal, desde que estejam preenchidos os requisitos para tanto, dentre eles a necessária confissão por parte do destinatário do benefício”, acrescentou o promotor.
Ao UOL, os advogados de Ana Paula afirmaram que ela está afastada do cargo por motivos de saúde. Segundo sua defesa, “não foi possível o exercício efetivo do seu direito de defesa no referido inquérito”. A delegada também segue sendo investigada administrativamente pela Corregedoria, podendo receber penalidades que vão de advertência a suspensão, ou até à perda do cargo.
Crimes adicionais atribuídos a Renê
Além da fraude processual, o investigado responde por homicídio triplamente qualificado, ameaça e porte ilegal de arma de fogo. O homicídio possui três qualificadoras: motivo fútil, meio que impossibilitou a defesa da vítima e perigo comum, já que os disparos foram feitos em via pública, em área residencial e em horário de grande movimento.

Antes do assassinato, o empresário também teria ameaçado a motorista do caminhão de lixo. Segundo o MP, Renê também vai responder por isso. A denúncia aponta ainda que o suspeito estava com a arma da esposa sem autorização legal.
A promotoria enviou o caso à Justiça de Minas Gerais. Se aceito, o empresário passa a ser réu. A expectativa do MP é que uma decisão definitiva seja tomada em até um ano. “Acredito que, talvez, em menos de um ano, nós possamos ter uma decisão de pronúncia, se houver prova para tanto”, concluiu Barros.
Relembre o caso
Na manhã do dia 11 de agosto, Laudemir fazia a coleta de lixo em Belo Horizonte quando Renê pediu que o caminhão fosse retirado da via. A motorista, Elen Dias, respondeu que havia espaço suficiente para a passagem, o que teria provocado a irritação do empresário. Ele ameaçou atirar contra a condutora, e os garis interferiram.

Em seguida, Renê sacou a arma e efetuou um disparo que atingiu Laudemir no tórax. O gari foi socorrido e levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem (MG), mas não resistiu.
Conforme o Boletim de Ocorrência (BO), Renê dirigia um carro da marca BYD por volta das 9h, o que facilitou as buscas. Por meio de câmeras de segurança, os policiais conseguiram identificar a marca, o modelo e as iniciais da placa. A motorista ainda forneceu mais uma letra e os dois últimos números da placa.
Câmera de segurança flagra momento em que gari é baleado em BH
📹: Imagens cedidas pela Band Minas pic.twitter.com/gPlZcQIPRj
— BHAZ (@portal_bhaz) August 13, 2025
Após negar o crime, o investigado confessou ter matado Laudemir. Segundo a Polícia Civil de MG, Renê disse que atirou contra o gari, mas negou que tenha ocorrido uma discussão de trânsito. O homem acrescentou que sua esposa, que é delegada, não sabia que ele havia pegado a arma, uma pistola calibre .380.
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