Esposa de empresário preso por matar gari em BH é indiciada por corregedoria; defesa se manifesta

A Polícia Civil diz que Ana Paula Balbino omitiu informações aos investigadores

Em Belo Horizonte, a delegada Ana Paula Balbino, esposa do empresário Renê Júnior, foi indiciada pela Corregedoria da PCMG por prevaricação. A arma usada por Renê no assassinato do gari Laudemir Fernandes era dela.

A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa de Renê Júnior, foi indiciada pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por prevaricação. O empresário foi preso pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, em 11 de agosto, em Belo Horizonte. A arma usada no crime pertencia à Ana Paula.

Segundo a legislação, a prevaricação acontece quando um funcionário público retarda, omite ou deixa de praticar, indevidamente, um ato de ofício por interesse ou sentimento pessoal. A Polícia Civil diz que a delegada omitiu informações aos investigadores. De acordo com as autoridades, ela negou que Renê Júnior tivesse acesso às armas de fogo que ela guardava em casa.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que a Corregedoria Geral de Polícia Civil (CGPC) concluiu e enviou para a Justiça, o inquérito policial, que apurou fatos relacionados à morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, resultando no indiciamento da servidora em decorrência da suposta prática do crime de prevaricação“, confirmou a instituição ao g1.

Ana Paula já havia sido indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido por “ceder” ou “emprestar” seu armamento ao marido. Ela pode pegar entre dois e quatro anos de detenção. A pena pode aumentar em 50% por ser servidora pública.

Ana Paula Balbino está afastada do cargo por motivos de saúde. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em nota, o advogado da delegada, Leonardo Avelar Guimarães, informou que ela está ciente do indiciamento, No entanto, devido ao estado de saúde dela “não foi possível o exercício efetivo do seu direito de defesa no referido inquérito“.

Ana Paula está afastada do cargo por motivos de saúde. Ela deixou de exercer a função em 13 de agosto, dois dias depois da prisão do marido. A delegada também deletou os perfis que mantinha nas redes sociais e, até o momento, não se manifestou publicamente sobre o crime. A Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais também instaurou procedimento administrativo contra ela.

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O crime

O assassinato de Laudemir de Souza Fernandes aconteceu no dia 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte. O empresário Renê Júnior se irritou no trânsito e atirou contra o gari, que estava em horário de trabalho. Renê foi preso poucas horas depois do crime.

Ele confessou ter atirado em Laudemir. No entanto, de acordo com as autoridades, o empresário mentiu durante depoimento ao alegar que só usou a arma de Ana Paula no dia em que matou o gari, e que ela não sabia do uso da pistola. Ele foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Se condenado, a pena pode chegar a 35 anos de prisão.

O casal também foi alvo de um pedido de bloqueio de R$ 3 milhões em bens. O Ministério Público de Minas Gerais quer usar o valor para indenizar a família de Laudemir. Ana Paula também é alvo do bloqueio porque, segundo a promotoria, é dona da arma do crime e responde solidariamente pelo caso.

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