Estupro coletivo no Rio: Ex-subsecretário, pai de um dos suspeitos, entrega relato do filho e leva invertida de Roberto Cabrini; assista

Ao “Domingo Especular”, José Carlos Costa Simonin disse que, se o filho cometeu o crime, “tem que pagar”

O ex-subsecretário José Carlos Costa Simonin se pronunciou após o filho, investigado por estupro coletivo no RJ, se entregar à polícia. Ele entregou os argumentos do jovem sobre o caso e reagiu às acusações. Simonin ainda levou invertidas de Roberto Cabrini em meio às respostas dadas.

José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, se pronunciou sobre a denúncia de envolvimento do filho, Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, no caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

Ao “Domingo Espetacular” deste domingo (8), José Carlos disse “não concordar” com os episódios, acrescentando que o filho deve “pagar” por seus atos caso seja confirmada sua participação efetiva no abuso. O ex-subsecretário foi exonerado de seu cargo após o caso e denúncias de outras vítimas virem à tona.

“Eu, minha esposa e minha família não concordamos com esse acontecimento, com esse tipo de relação sexual entre as pessoas. Se o meu filho errou, ele tem que pagar. Nesse exato momento, o condenado sem ter o direito constitucional de defesa fui eu”, declarou. Em seguida, Roberto Cabrini questionou se José Carlos tem consciência de que a vítima não consentiu com a relação sexual com os maiores de idade.

“Ela diz que está levando mais duas amigas e o rapaz diz que está ele e mais três pessoas. E depois ela vai sozinha”, respondeu o ex-subsecretário, referindo-se a uma troca de mensagens já exposta entre a adolescente e o menor. “Não fica muito cômodo acusar a vítima?”, devolveu Cabrini. “Eu jamais vou acusar a vítima, não vou colocar essa carga nela”, afirmou o entrevistado.

Troca de mensagens entre a denunciante e o menor de idade citada por José Carlos (Foto: Reprodução/Record)

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“Tem certeza que o senhor perguntou: ‘Filho, você cometeu isso?'”, prosseguiu o jornalista. “Ele disse que não [estuprou], que foi um ato voluntário. Que a menor teve relação com ele voluntariamente“, defendeu Simonin. O episódio aconteceu no dia 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro que, segundo a reportagem, pertence à família do ex-subsecretário.

Cabrini, então, abordou rumores que circulam na mídia e nas redes sociais sobre o imóvel: “Existem pessoas que, inclusive, o acusam de manter o apartamento onde seu filho faria festas de comportamento bastante discutível. O senhor tem consciência disso? Sabia do que acontecia ali?”.

José Carlos, por sua vez, negou. “Eu não tenho consciência, nem essas pessoas. [Isso] não me diz nada. [O apartamento] pertence à minha esposa e ao meu filho. Se eu soubesse [do que acontecia lá], eu teria impedido. Nem desconfiava”, alegou ele.

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Diante da denúncia de estupro, Cabrini quis saber o posicionamento de Vitor Hugo sobre o caso. “Ele admite que ela foi para o apartamento junto com os outros meninos, e eles ficaram lá juntos”, acrescentando que o rapaz contou sobre a relação sexual, mas negou ter estuprado ou agredido a adolescente. “De forma nenhuma. Ele diz que, particularmente, não agrediu ninguém”, ressaltou.

“E como ele explica as lesões sérias no corpo da vítima?”, indagou Cabrini. “Ele não explica porque diz que não foi ele. Se alguém fez isso nela, não foi ele”, declarou José Carlos. A reportagem também exibiu imagens da adolescente e do menor descendo de elevador após o ocorrido. “Ela sai tranquilamente. Eu não sei o que aconteceu com ela após ela ter saído de lá”, argumentou José Carlos, em seguida.

Os quatro investigados do caso estão presos, enquanto o menor foi levado para o Degase (Foto: Reprodução/TV Globo)

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Para Simonin, a vítima teria agido de forma diferente se tivesse sido estuprada no local.[Isso significa] que eles não estavam fazendo nenhuma violência. Se não, a vítima teria gritado, teria pedido socorro”, opinou. Em contrapartida, o jornalista ponderou o possível sentimento de impotência da jovem por estar na presença de cinco homens.

“Talvez. Mas a forma como ela saiu e depois voltou, deu um beijo no rosto do menino, encostou a cabeça no ombro dele… Eu acho que não, né. Isso não explica as lesões no corpo dela e eu não posso explicar porque não estava lá“, rebateu o ex-subsecretário. “Isso preocupa, porque é uma violência contra uma menina. Com certeza, me preocupa, me deixa estarrecido”, completou.

O dominical ainda teve acesso a documentos do caso, incluindo o depoimento da denunciante, que detalham o que teria acontecido. “Os cinco fecharam a porta do quarto e me impediram de sair. Todos eles continuaram a ter relações sexuais. Um deles chegou a me dar chutes no abdômen”, descreveu ela.

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“O senhor concorda que essa é a descrição de um estupro?”, quis saber Cabrini. “Eu não explico, nem justifico. Isso quem tem que explicar são os peritos, que têm que ser ouvidos pela Justiça”, afirmou Simonin. O delegado responsável pelo caso, Angelo Lages, afirmou que as lesões confirmadas pelo IML Instituto Médico Legal) são compatíveis com o depoimento da vítima.

“O perito deixou claro pra gente que as lesões eram compatíveis. Ela teve lesões nas partes íntimas, nas costas, no nádega. Inclusive, havia a suspeita de uma fratura na costela”, explicou a autoridade. Sobre conjunção carnal, os exames ainda estão incompletos. Mas, há vestígios de conjunção carnal recente. O exame também concluiu que existem sinais de violência.

Após a repercussão do caso, outras duas garotas denunciaram que foram estupradas por membros do grupo, anos atrás. A segunda denunciante tinha apenas 14 anos na época dos episódios e, hoje, está com 17 anos. A terceira já é maior de idade. “O senhor tomou conhecimento disso?“, questionou o jornalista. Por fim, José Carlos respondeu: “Não sei desse grupo a que estão se referindo, e não tem nenhum fundamento, nenhuma prova”.

Assista à íntegra:

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Embate nas redes sociais

Na madrugada desta segunda (9), após a reportagem ir ao ar, o advogado que representa a vítima, divulgou uma mensagem ofensiva que teria recebido de José Carlos. Em um print do Instagram, o texto diz: “Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar as suas contas. Vagabundo”.

Em resposta, Rodrigo Mondego fez a publicação em seu perfil, declarando que não irá se calar. “Caro ex-subsecretário, vagabundo não sou. Sou sim advogado e trabalho bastante. Inclusive para que o vagabundo do seu filho continue enjaulado, respondendo na Justiça pelo estupro que lhe é imputado. Cada um ocupa o lugar que escolheu, eu ao lado da vítima, e o senhor, passando a mão na cabeça de estuprador. A Justiça seguirá fazendo o resto”, concluiu ele, na conversa.

Veja:

Advogado da vítima expõe mensagem que teria recebido do ex-subsecretário (Foto: Reprodução/Instagram)
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