O ex-delegado e apresentador de TV, Jorge Lordello, e o perito criminal, Ricardo Salada, revelaram o que mais intrigou durante as investigações sobre o crime de Suzane von Richthofen. Em entrevista a Chico Barney ao programa “O Povo Quer Saber”, do Canal UOL, a dupla contou que a postura da mandante do crime é o que mais chama atenção até hoje.
Para Lordello, um dos momentos mais reveladores ocorreu durante o velório de Manfred e Marísia von Richthofen, quando a autoria das mortes era investigada. Ele, que ainda atuava na Polícia Civil, compareceu ao cemitério à paisana e percebeu um comportamento de Suzane que se tornou decisivo no caso.
“Eu percebo primeiro a roupa dela. E outra coisa que percebi, ela chorava, chorava, chorava na feição, mas não derramava uma lágrima. Eu nunca vi Suzane derramar uma lágrima. Aquilo me chamou a atenção“, disse Lordello.
Além da frieza, os especialistas notaram que ela possui o perfil de uma pessoa manipuladora. “Eu falo que a Suzane não é uma dominadora, ela é uma pessoa sedutora. Mas ela pratica o pior tipo de sedução, ela seduz a tua mente. Imagina, é impossível ela conhecer tantas pessoas e todo mundo ficar apaixonado por ela“, afirmou Salada.

Suzane von Richthofen, cujo nome atual é Suzane Louise Magnani Muniz, foi condenada a 39 anos de prisão como mandante dos homicídios dos próprios pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002. Inicialmente, o caso foi tido como latrocínio, mas, dez dias depois, Suzane, seu então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, confessaram o crime.
Daniel também foi condenado a 39 anos de prisão. Já Cristian recebeu pena de 38 anos. Suzane deixou a penitenciária em janeiro de 2023, para cumprir o restante da pena em liberdade. Os irmãos Cravinhos também estão em regime aberto.
Críticas a “Tremembé”
A vida no presídio de Suzane, Daniel e Cristian foi retratada na série “Tremembé”, do Amazon Prime. Para Lordello e Salada, a obra distorce a realidade do sistema carcerário ao tentar humanizar o ambiente prisional. “Para mim é ‘Malhação’. Eles pegaram todo o escopo da ‘Malhação’, uma coisa romantizada, humanizada, e jogaram aquilo para um ambiente carcerário. Essas pessoas que eventualmente foram fazer a série nunca entraram no presídio“, declarou o ex-delegado.
“Eu fui delegado de polícia muitos anos, eu escrevo livros, eu não sou autorizado a entrar dentro do presídio e entrar na cela. Ou seja, eu tive um contato no presídio muito pequeno. Agora, como eles escreveram a série?“, questionou. “Lá tem as suas leis, as suas regras, as suas penas, e ‘ai’ de quem desobedeça. Olhou torto, no outro dia não acorda“, acrescentou Salada.
Lordello ainda criticou a inversão de valores que pode ser provocada diante do entretenimento romantizado. “Eu fico imaginando Andreas Richthofen vendo essa confusão toda, vendo essa ‘Malhação do Tremembé’. Nós temos que verificar as 11 famílias do Maníaco do Parque que perderam suas filhas. Como é que fica toda essa gente que conheceu as vítimas e chega lá, aparece o assassino com um ar de bonzinho, de apaixonado?“, destacou.
Assista à entrevista:
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques