(Foto: Reprodução/Instagram/YouTube)

Ex-funcionária e pacientes denunciam Renato Kalil por assédio sexual e moral: “Extremamente agressivo”; Médico se manifesta

[Alerta de Gatilho] Semanas atrás, Shantal Verdelho teve áudios vazados na web, nos quais desabafava sobre a conduta do ginecologista e obstetra Renato Kalil, responsável por conduzir o parto de Domênica, sua segunda filha com Mateus Verdelho. Dentre as acusações feitas pela influenciadora, estavam a de quebra de sigilo médico e violência obstétrica. Neste domingo (19), novas denúncias contra o médico vieram à tona.

Em entrevista ao “Fantástico“, uma mulher que acompanhou o parto de Shantal disse que o clima teria mudado quando Renato chegou ao hospital, dando detalhes sobre a postura do profissional. “De uma forma sempre muito prepotente, alguns momentos meio agressivo, e não tendo muito respeito ao cansaço e todo o processo que a Shantal estava passando desde o momento que ela chegou na maternidade. Foi exaustivo. De uma certa forma, eu só queria que aquilo acabasse logo. Ele sempre chegava já se impondo, xingando…”, relatou.

A fotógrafa Fernanda Sophia, que acompanhou de perto o trabalho do médico algumas vezes, classificou os partos realizados por Kalil como “os mais violentos e agressivos que já acompanhou”. “Ele é extremamente arrogante, trata muito mal funcionários. Foi extremamente agressivo com a gestante”, afirmou, lembrando-se de como se sentia ao final de cada um dos procedimentos. “Eu sentia como se tivesse compactuando de alguma forma com aquilo, porque a minha vontade era gritar e falar: ‘Gente, não. Pelo amor de Deus'”, declarou.

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As acusações, entretanto, não se resumem à violência obstétrica. A bancária Letícia Domingues alega que sofreu abusos sexuais do médico enquanto estava internada em São Paulo, em 1991. “Eu estava deitada, sonolenta, eu acordei com ele em cima de mim, com o pênis dele na minha boca, a minha camisola estava aberta e com a outra mão ele passava no meu peito. Ele acabou ejaculando na minha cara. Eu lembro da situação que eu estava, que eu não tinha força para falar, para gritar”, desabafou.

Ainda em seu relato, Letícia disse que só conseguiu falar sobre o episódio pela primeira vez em 2009, para amigos próximos: “Tudo isso aconteceu em 1991. Então demorei muitos anos para falar sobre isso. E agora… Há 30 anos presa nessa mesma condição de medo. Medo dele me dar uma combinação de remédios e me matar na hora e medo depois que tive alta também”.

Uma quarta mulher, que preferiu não ser identificada, acusou Renato de assediá-la durante uma consulta médica há cinco anos. “Uma pessoa muito próxima a mim estava fazendo tratamento com ele para engravidar, me indicou e fui numa consulta. Ele me falou que eu tinha um corpo bonito. Achei estranho. Aí ele começou a perguntar sobre minha vida sexual, se eu tinha relações sexuais com mulheres. Falei que sim. Eu sou bissexual. E aí ele começou com um papo, falar de uma fantasia que ele tinha e eu comecei a me sentir muito constrangida. Eu tenho muita raiva que no dia eu não consegui fazer absolutamente nada. E aí nunca mais voltei”, recordou.

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Outra denunciou o médico por gordofobia e quebra de sigilo, ao supostamente comentar sobre situações íntimas de outras pacientes. “Ele fez comentários comigo como: ‘Essa aí nunca vai engravidar porque está gorda’. Todas as consultas ele fala de outras pacientes, ele cita nomes, ele cita inclusive pessoas famosas. Assim, eu sei de histórias de artistas, de blogueiras. Ele é muito antiético”, relatou.

Por fim, uma ex-funcionária de Kalil contou ao noticiário, por telefone, que teria sofrido abusos dentro da casa dele. Segundo ela, o obstetra pedia que ela “tocasse nele”, além de forçar relações sexuais. “Foi a coisa mais difícil da minha vida. Para mim ele é um doente”, disparou.

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A experiência vivida por Shantal com o médico Renato Kalil provocou indignação na web e levantou uma onda de novas denúncias. (Foto: Reprodução/Fantástico/TV Globo)

Renato responde às acusações e se desculpa

Em nova enviada por meio se sua assessoria de imprensa, Kalil respondeu às acusações, afirmando que “jamais recebeu nenhum tipo de reclamação no Conselho Regional de Medicina ou em qualquer hospital” e que não teve a “intenção de ofender ou magoar qualquer pessoa, em especial, suas pacientes”. O médico também pediu desculpas “se alguém se sentiu ofendido”, dizendo ainda que “repudia veementemente os relatos mentirosos que aludem atos com conotação sexual”. Por fim, afirmou que “está à disposição e vai colaborar com as autoridades”, e que “tomará medidas judiciais contra qualquer um que faça acusações caluniosas”.

Shantal registra boletim de ocorrência

Na última semana (14), Shantal registrou um boletim de ocorrência no 27º Distrito Policial, na Zona Sul de São Paulo, contra o ginecologista. A influenciadora entrou com um requerimento de inquérito policial para apurar o caso, solicitando também sigilo na investigação “para que seja preservada sua vida pessoal e todo constrangimento que são consequentes destes fatos”.

No mesmo dia, o Ministério Público de São Paulo deu início a inquirição. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo abriu um processo interno de averiguação às acusações de Verdelho e o Hospital São Luiz, onde ocorreu o parto, também apura a denúncia de violência obstétrica.

Como denunciar?

Para denunciar violência obstétrica, o registro pode ser feito no próprio hospital, clínica ou maternidade onde ocorreu o atendimento. Também é possível prestar queixas pelo disque 180, disque 136 ou para 08007019656 da Agência Nacional de Saúde Suplementar sobre reclamações do atendimento do plano de saúde.