Nesta segunda-feira (4), o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, preso após agredir a namorada com 61 socos, foi indiciado por tentativa de feminicídio. Segundo informações do g1, a Polícia Civil de Natal, no Rio Grande do Norte, onde o caso ocorre, concluiu o inquérito e o encaminhou ao Ministério Público.
A vítima, Juliana Garcia, foi atacada dentro de um elevador pelo então namorado no dia 26 de julho. O episódio foi registrado por uma câmera de segurança do condomínio, que flagrou o momento em que Igor encurrala Juliana antes de iniciar a série de agressões brutais. De acordo com as investigações, o ataque durou apenas 34 segundos, tempo suficiente para que a vítima recebesse 61 socos na cabeça e no rosto.
As consequências da violência foram graves: Juliana sofreu três fraturas na região do olho direito, uma fratura extensa abaixo do nariz, fraturas menores na maçã do rosto e teve a mandíbula quebrada. A polícia aponta que o ataque foi motivado por uma crise de ciúmes do agressor.

No relatório encaminhado ao Ministério Público, a Polícia Civil reforçou a necessidade da manutenção da prisão preventiva, decretada no dia da agressão. A corporação justificou o pedido com base na “gravidade dos fatos, na periculosidade do indiciado e na necessidade de proteção à integridade física e psicológica da vítima“.
Na última sexta-feira (1º), Igor foi transferido do centro de triagem onde estava para a Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim. No novo local, ele alegou ter sido agredido por agentes penitenciários. Em depoimento na Delegacia de Plantão da Zona Norte de Natal, onde registrou a ocorrência naquela noite, Igor afirmou ter sido “colocado em uma cela isolada, algemado e nu, e agredido com murros, chutes, cotoveladas e spray de pimenta“.
Após a denúncia, a Seap (Secretaria da Administração Penitenciária) informou que tomou conhecimento das agressões “supostamente cometidas por policiais penais de plantão” e que providências imediatas foram adotadas.
Agressor se manifesta
Nesta segunda-feira (4), Igor se pronunciou por meio de nota divulgada por sua defesa. No comunicado, o ex-jogador pediu perdão pelo ataque a Juliana e alegou que a agressão ocorreu “em um contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional”.
“Reconheço que houve dor, angústia e sofrimento, especialmente para Juliana, sua filha, sua família, bem como para os meus pais e demais entes queridos. Lamento profundamente que minha conduta, influenciada por um contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional, tenha contribuído para essa situação. Embora as circunstâncias ainda estejam sendo apuradas, sinto a necessidade sincera de expressar meu pedido de perdão a todos que, de alguma forma, foram afetados”, diz o comunicado enviado à Inter TV pela defesa de Igor.

Vítima fala pela primeira vez
Neste domingo (3), Juliana concedeu sua primeira entrevista após o ataque. Em conversa com o Fantástico, ela relembrou os momentos de terror que viveu nas mãos do ex-companheiro. “Ele foi até o elevador em que eu estava para tentar me convencer a sair. Mas eu não saí, porque sabia que, se saísse, não haveria câmeras para registrar o que acontecesse. Ele disse que eu ia morrer e começou a me agredir“, contou. “Do décimo sexto andar até o térreo, ele me esmurrava sem parar“, relatou.
Segundo a advogada de Juliana, Renata Araújo, permanecer no elevador foi uma estratégia de autoproteção. “Se ela tivesse saído, não teríamos os registros desse crime bárbaro, dessa tentativa de feminicídio“, afirmou.
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