Nesta quarta-feira (18), o caso da adolescente autista de 19 anos que teve 17 dentes extraídos durante um atendimento no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), unidade de saúde vinculada ao governo do Estado do Pará, teve uma atualização. A reportagem do portal DOL teve acesso ao documento que confirma que a extração teria sido autorizada pela mãe da jovem.
Como apontou a publicação, ela teria assinado um termo de responsabilidade que permitiu o procedimento odontológico. A denúncia inicial foi feita pela família da paciente, que alegou que os dentes foram retirados sem o conhecimento ou consentimento da mãe. Após a repercussão do caso, o governador do Estado pediu que a situação fosse apurada.
Segundo informações do g1, a jovem havia agendado apenas uma limpeza e um procedimento de restauração, mas, devido a um suposto erro médico, passou por quatro horas de extrações dentárias. Os familiares afirmaram que a paciente possui autismo nível 3 e realiza terapias e atendimentos médicos e odontológicos no CIIR há cinco anos, com o dentista Diego Gomes.
Em depoimento à polícia, os parentes relataram que, há cerca de um mês, a jovem foi submetida a uma tentativa de sedação para um procedimento de limpeza e restauração, mas o método não surtiu efeito. Ela acabou sendo imobilizada e uma máscara foi usada para induzir o sono.
Após esse momento, a mãe e o padrasto deixaram a sala de atendimento. “Havia uma agitação, um entra e sai no bloco cirúrgico, e ninguém explicava nada para minha mãe”, relatou a irmã da paciente, que preferiu não se identificar.
Em seguida, a equipe teria informado que houve um problema com o aparelho de oxigênio. Os familiares receberam uma guia para a realização de uma radiografia panorâmica e, logo depois, a jovem foi encaminhada à enfermaria e liberada.
No dia 16, a paciente retornou ao centro para dar continuidade à limpeza e à restauração. Segundo a família, a equipe informou que o procedimento seria realizado mesmo sem a radiografia. A adolescente foi novamente imobilizada, desta vez sem sedação, e submetida à extração de 17 dentes.

Segundo informações apuradas pelo portal DOL, os dentes extraídos foram encaminhados para perícia, que indicou ausência de possibilidade de reabilitação bucal. Além disso, a condição clínica da paciente comprometia a higienização bucal adequada por um longo período, o que agravou o quadro dentário.
Ao processo foram anexados laudos médicos que confirmaram a necessidade da extração. Os documentos também detalham os efeitos pós-cirúrgicos e a possibilidade de um novo procedimento, caso seja necessário.
Veja o texto da autorização:
“Estou ciente do método proposto e de sua necessidade, bem como dos riscos aos quais estarei sujeito, tais como: sangramento gengival, diminuição do diâmetro ósseo; cicatrização aquém do esperado; junção do cemento com esmalte; hiperplasia gengival; sensibilidade dentária; mobilidade dentária. Além disso, estou ciente que, em casos de cirurgia de gengivectomia ou gengivoplastia, serão removidas estruturas dentárias de forma permanentemente alterando o formato da gengiva que envolve os dentes.
Tenho ciência que o(a) cirurgião(ã)-dentista se compromete a utilizar as técnicas e os materiais adequados à execução do tratamento e que a resposta ao tratamento também dependerá de fatores biológicos (específicos do meu organismo), limitação da ciência, além de outras variações de ordem local ou sistêmica. Comprometo-me a seguir rigorosamente as orientações do(a) cirurgião(ã)-dentista, comunicando imediatamente qualquer alteração em decorrência dos procedimentos realizados e comparecer pontualmente às consultas marcadas.
Declaro que todas as minhas dúvidas foram esclarecidas, e ciente de todas as informações acima, dou meu consentimento para realização do tratamento”.
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