Nesta sexta-feira (26), Gusttavo Losi, integrante do grupo responsável pelo salto de rope jump que lançou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas sem cordas, em Limeira (SP), se pronunciou em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. Ele afirmou que chegou a conversar com a jovem, que estava nervosa, e tentou tranquilizá-la. Também disse que a tragédia poderia ter sido evitada com a checagem dos equipamentos.
Losi, que atuava como freelancer no grupo desde 2025, explicou que era responsável por recepcionar os participantes da atração e conduzir a etapa inicial de preparação para o salto. Nesse processo, ele realizava a colocação dos primeiros equipamentos, como cadeirinha, peitoral e mosquetões. No entanto, afirmou que não tinha atribuição para instalar as cordas nem para fazer a verificação final dos itens de segurança.
No dia da morte de Maria Eduarda, ele relatou ter iniciado o procedimento de equipamentos. “O meu contato com a Maria Eduarda foi colocar a cadeirinha nela, o peitoral, os mosquetões. Ela estava nervosa. Como sempre conversei com as pessoas, perguntei: ‘e aí, como você se chama? Está nervosa? É a primeira vez?’. Ela falou que era a primeira vez dela, que ela estava muito nervosa”, relembrou.

Enquanto fazia a preparação, Losi disse ter tentado acalmar a jovem. “Lembro que enquanto eu colocava o equipamento nela, falei: ‘pode ficar tranquila, vai dar tudo certo, você vai gostar, querer vir mais vezes’”, relatou. Segundo o profissional, após essa etapa inicial, outros integrantes deveriam ter instalado as cordas e realizado a checagem final de todos os equipamentos de segurança.
Integrante aponta falha na checagem
Ele afirmou ainda que essa verificação poderia ter evitado a morte de Maria Eduarda. “Sim [morte podia ter sido evitada]. Faltou checagem. É triste. Só levantaram ela e fizeram o salto. Se tivesse tido a checagem antes, teria salvo a vida dela, como em todos os outros saltos”, lamentou.
O jovem também contou que ouviu o barulho da queda enquanto auxiliava outro participante. Ao perceber a situação, desceu da ponte para prestar socorro e afirmou que a jovem ainda estava viva quando chegou ao local. “A gente chegou até o corpo. Quando cheguei lá, a Maria Eduarda estava viva, estava com uma respiração muito ofegante”, lembrou.

Losi relatou ainda ter tentado ajudar a vítima. “Fiquei ali olhando, tentando entender o que eu poderia fazer. Falei para a [nome da enfermeira]: ‘posso desrosquear um pouquinho só para afrouxar um pouco o mosquetão, para não apertar tanto o tórax dela, para ver se ela consegue respirar melhor?’. Daí ela falou: ‘se for só desrosquear, pode, não pode mexer, não pode tirar o equipamento’”, contou.
O ex-freelancer que ajudava na organização dos saltos de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis (SP), afirmou, em entrevista exclusiva à EPTV, nesta quinta-feira (25), que conversou com a jovem Maria Eduarda antes do salto em que ela morreu. pic.twitter.com/HyBAYqA8QE
— Jornal da EPTV Campinas (@jornaldaeptvcps) June 26, 2026
Ele também afirmou que não notou se a jovem estava com a câmera em mãos após a queda, e reiterou que seu foco era prestar auxílio. Depois disso, retornou à sua função no local e ajudou na organização da área. “Puxei os equipamentos que ficavam pendurados, era uma tenda, empurrei para o lado para poder tirar e organizar. Daí, nisso, os policiais chegaram e abordaram a gente”, declarou.
O rapaz disse ainda estar profundamente abalado com o caso. “Sinto muito pelo que aconteceu. Por mais que eu não tenha tido participação direta no que houve, por mais que não fosse minha função a checagem de segurança, foi algo que mexeu comigo. São imagens que vou levar para o resto da minha vida. O que eu podia fazer, que estava no meu alcance, no meu conhecimento, eu fiz. Não fugi”, afirmou.
Depoimento e investigação
Losi chegou a ser levado à delegacia, prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberado, já que não teve responsabilidade direta pela queda de Maria Eduarda. Após o ocorrido, seis integrantes da equipe foram presos: Maicon Fernandes, Luiz Felipe Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, Gabriel Barros Martins e Evelyne dos Santos Gonçalves, proprietária da empresa.
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