Roberto Farias Tomaz, jovem de 19 anos que ficou desaparecido por cinco dias na trilha que leva ao Pico Paraná, disse que ainda não conversou com a amiga que o deixou para trás. Em entrevista à CNN Brasil, nesta terça-feira (6), ele explicou que está sem o celular e, consequentemente, qualquer contato com outras pessoas, exceto a família.
De acordo com o rapaz, as notícias que ele tem recebido são através da irmã, Renata. “Eu não tive nenhum contato com a parte externa até agora. Eu estou sem celular, sem comunicação nenhuma. Tudo o que eu sei é pela minha irmã, que foi me passando algumas informações“, declarou.
Roberto também descreveu os dias na área de mata fechada enquanto aguardava ajuda. “Nesses cinco dias que eu fiquei lá, achei que estivesse sozinho. Vi um helicóptero apenas uma vez, que foi no primeiro dia. Achei que eles tinham encerrado as buscas no segundo dia“, compartilhou.
“Minha irmã comentou que estavam apitando, que tinha bastante bombeiro, mas a selva faz muito barulho dos bichos, animais, a cachoeira quando bate na água faz o barulho de um helicóptero. Achei que tinha helicóptero, mas quando eu abria o olho, via que era a água batendo na cachoeira. Eu falei: ‘Não posso ficar aqui parado, porque tinha muito bicho’. A única forma era continuar andando e pedir proteção, orei bastante“, completou.
Assista:
A jovem que deixou Roberto na trilha foi identificada como Thayane Smith. Ela justificou a atitude com o fato do amigo não ter o mesmo “estilo de vida”. O caso chamou atenção pela forma como Thayane se posicionou depois do desaparecimento.
Ela também falou com a imprensa após o resgate do amigo, e reagiu às críticas sobre tê-lo deixado para trás. “Se eu pudesse voltar no tempo, eu tinha feito totalmente diferente. Eu não tinha deixado ele. A gente tinha planos pro dia 2, 3 [de janeiro]. Se eu não tivesse deixado ele, não tinha acontecido isso. Foi um grande aprendizado pra eu nunca mais fazer isso. Eu quebrei a regra, eu sabia dessa regra de que vai junto e volta junto, mas quebrei ela. Eu fui irresponsável em relação a isso“, reconheceu, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.
O que aconteceu
A Polícia Civil (PC-PR) informou que Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de Thayane, também de 19 anos. Segundo relatos, ele se sentiu mal durante a subida, vomitando algumas vezes até o topo da montanha. Eles chegaram ao cume na madrugada do dia 1º, por volta das 4h.
Os dois, então, decidiram descansar e encontraram outros grupos de pessoas no local. Durante a descida, Roberto ficou para trás e Thayane seguiu o trajeto. O segundo grupo, que havia ficado no cume, também iniciou a descida pouco tempo depois e chegou a passar pelo ponto onde o jovem teria ficado, mas já não o encontraram.
Roberto foi localizado com vida nesta segunda-feira (5), após cinco dias de buscas. Da fazenda em Cacatu, ele ligou para sua família e atualizou sobre seu estado de saúde. “Estou cheio de roxo no corpo, com várias escoriações. Estou sem enxergar porque perdi meus óculos, sem bota, e só isso. Mas eu estou bem. Foi Deus. Se você vê o meu estado, você não acredita“, descreveu.
Posteriormente, ele foi levado para o Hospital Municipal de Antonina. À Secretaria de Estado da Saúde, a unidade afirmou que o jovem chegou lúcido, com sinais de desidratação leve, hematomas em membros inferiores e assaduras na região inguinal. Roberto recebeu medicamentos e reidratação endovenosa e permanece no local para observação e outros exames.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques