O velório de Juliana Marins, que morreu após cair durante uma trilha em um vulcão na Indonésia, será realizado nesta sexta-feira (4), em Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo a família, o corpo da jovem será cremado, pois esse era um desejo dela. Fotos e vídeos ao lado do caixão foram proibidos durante a despedida.
A cerimônia vai ocorrer em uma capela no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, e será dividida em dois períodos: das 10h às 12h, o velório estará aberto ao público; das 12h30 às 15h, será restrito aos familiares e amigos.
A família de Juliana proibiu que o público faça qualquer registro ao lado do caixão. Contatos com os familiares também não serão permitidos, com o intuito de preservar a intimidade deles. Caso alguém descumpra as regras, será retirado do local.
A Justiça autorizou a cremação do corpo nesta quinta-feira (3). A decisão do juiz titular da Vara de Registros Públicos da Capital, Alessandro Oliveira Felix, atendeu ao pedido formulado pela irmã de Juliana, Mariana Marins, e feito pela Defensoria Pública.

De acordo com o defensor público e coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, Marcos Paulo Dutra, a cremação só foi autorizada com a “comprovação da realização da nova autópsia no Brasil e a liberação do corpo pela Justiça Federal“.
“Embora a nossa atuação diga respeito à cremação, essa é uma forma de resguardar a dignidade humana da Juliana, considerando o desejo pela cremação – dignidade essa que, ao que tudo indica, foi muito negligenciada pelas autoridades da Indonésia. O direito à dignidade humana compreende o direito ao luto“, disse Dutra ao g1.
O corpo de Juliana chegou ao Brasil na terça-feira (1º), e passou por uma nova autópsia no Rio de Janeiro. O exame durou pouco mais de duas horas e foi realizado por dois peritos legistas, acompanhados de um perito médico da Polícia Federal e um assistente técnico representante da família. Um laudo preliminar deve ser entregue em até 7 dias.
A família da jovem apontou “dúvidas na certidão de óbito” emitida na Indonésia para pedir uma nova perícia. Eles afirmam que não houve clareza sobre o momento da morte de Juliana, que só foi resgatada quatro dias após a queda. Segundo os exames, ela sofreu “trauma torácico grave” após cair pela segunda vez na encosta do monte Rinjani.
Segundo o legista Ida Bagus Putu Alit, além da hemorragia interna, a brasileira também tinha ferimentos na cabeça, fraturas na coluna vertebral, nas coxas e outras escoriações pelo corpo. A perícia descartou hipotermia como causa da morte. Juliana morreu entre 50 minutos e 12h50 antes do resgate. “De acordo com meus cálculos, a vítima morreu na quarta-feira, 25 de junho, entre 1h e 13h (14h do dia 24 e 2h do dia 25, no horário de Brasília)“, declarou Putu Alit, do hospital Bali Mandar, à BBC News.
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