Juliana Soares, agredida com 61 socos por ex em elevador, relata ameaças nas redes sociais: “Palavras horríveis”

A vítima segue em recuperação após agressão brutal cometida por ex-atleta dentro de elevador

Juliana Soares, espancada pelo ex-namorado em Natal (RN), disse que vem sofrendo novas ameaças nas redes sociais. Igor Eduardo Pereira Cabral está preso por tentativa de feminicídio. A vítima disse que transforma a dor em conscientização sobre violência contra mulheres, alertando sobre os diferentes níveis de abusos.

Juliana Soares, que foi espancada pelo ex-namorado em um elevador de Natal (RN), relatou que está sofrendo novas ameaças nas redes sociais. O agressor, Igor Eduardo Pereira Cabral, foi preso e responde por tentativa de feminicídio.

“Recebi uma ameaça na internet dizendo que iam vir a Natal e me dar 121 socos. Eram palavras horríveis, que não posso nem repetir ao vivo”, afirmou Juliana, em entrevista ao Encontro com Patrícia Poeta.

Além das consequências físicas, a estudante destacou os impactos emocionais que vem sofrendo: “Eu tenho alguns comportamentos que não tinha antes, de estar em estado de vigília. Isso é pós-traumático, já é esperado, e eu estou com acompanhamento psiquiátrico e psicológico”. 

Igor teve a prisão preventiva determinada no dia 26 de julho, logo após o episódio de agressão contra Juliana. (Foto: Reprodução/TV Globo)

A vítima também explicou que vem tentando transformar a dor em algo positivo, usando o caso para conscientizar outras mulheres. “Transformei a dor em missão. Se eu consegui, outras mulheres também conseguem. Eu sou uma vítima, mas não sou coitada. O amor não machuca, o amor cuida, trata bem. Qualquer sinal contrário disso é motivo para se afastar, porque às vezes pode ser que você não tenha uma segunda chance, assim como eu tive“, relatou.

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Segundo Juliana, ela já participou de rodas de conversa para alertar mulheres sobre os diferentes tipos de violência: “Algumas pensam que a violência só acontece quando existe agressão, mas ela tem vários níveis, várias camadas. A violência começa com uma palavra mal dita, um gesto que nem sempre é uma agressão física”.

A estudante disse que quer retomar sua rotina e continuar engajada na causa. “Eu sempre trabalhei, sempre estudei, e agora quero estar envolvida com mulheres que sofrem algum tipo de violência, alertando e participando ativamente”, concluiu.

Igor foi flagrado desferindo 61 socos contra a ex-namorada. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Relembre o caso

A agressão contra a estudante Juliana Soares, de 35 anos, ocorreu no dia 26 de julho, dentro do elevador de um condomínio em Natal. As câmeras de segurança registraram o momento em que o ex-namorado dela, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, desferiu 61 socos em apenas 34 segundos. A violência deixou consequências graves: três fraturas na região do olho direito, uma fratura extensa abaixo do nariz, outras menores na maçã do rosto e a mandíbula quebrada.

De acordo com as investigações, a motivação teria sido uma crise de ciúmes do agressor. Juliana relatou, em entrevista ao “Fantástico”, que decidiu permanecer dentro do elevador justamente para garantir que as câmeras registrassem a cena. “Ele foi até o elevador em que eu estava para tentar me convencer a sair. Mas eu não saí, porque sabia que, se saísse, não haveria câmeras para registrar o que acontecesse. Ele disse que eu ia morrer e começou a me agredir. Do décimo sexto andar até o térreo, ele me esmurrava sem parar”, contou.

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A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Igor por tentativa de feminicídio, encaminhando o caso ao Ministério Público. O órgão reforçou a necessidade de manter a prisão preventiva, alegando “gravidade dos fatos, periculosidade do indiciado e necessidade de proteção à integridade física e psicológica da vítima”. Igor foi transferido para a Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, onde alegou ter sido agredido por agentes penitenciários.

Juliana precisou fazer uma cirurgia de construção facial. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em nota, a defesa do ex-jogador admitiu o ataque, mas atribuiu o episódio a um “contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional”. “Lamento profundamente que minha conduta, influenciada por um contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional, tenha contribuído para essa situação. Embora as circunstâncias ainda estejam sendo apuradas, sinto a necessidade sincera de expressar meu pedido de perdão a todos que, de alguma forma, foram afetados”, declarou.

A advogada da vítima, Renata Araújo, destacou que a decisão de Juliana foi crucial para a elucidação do caso. “Se ela tivesse saído, não teríamos os registros desse crime bárbaro, dessa tentativa de feminicídio”, concluiu.

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