Juliana Soares, que foi espancada pelo ex-namorado em um elevador de Natal (RN), relatou que está sofrendo novas ameaças nas redes sociais. O agressor, Igor Eduardo Pereira Cabral, foi preso e responde por tentativa de feminicídio.
“Recebi uma ameaça na internet dizendo que iam vir a Natal e me dar 121 socos. Eram palavras horríveis, que não posso nem repetir ao vivo”, afirmou Juliana, em entrevista ao Encontro com Patrícia Poeta.
Além das consequências físicas, a estudante destacou os impactos emocionais que vem sofrendo: “Eu tenho alguns comportamentos que não tinha antes, de estar em estado de vigília. Isso é pós-traumático, já é esperado, e eu estou com acompanhamento psiquiátrico e psicológico”.

A vítima também explicou que vem tentando transformar a dor em algo positivo, usando o caso para conscientizar outras mulheres. “Transformei a dor em missão. Se eu consegui, outras mulheres também conseguem. Eu sou uma vítima, mas não sou coitada. O amor não machuca, o amor cuida, trata bem. Qualquer sinal contrário disso é motivo para se afastar, porque às vezes pode ser que você não tenha uma segunda chance, assim como eu tive“, relatou.
Segundo Juliana, ela já participou de rodas de conversa para alertar mulheres sobre os diferentes tipos de violência: “Algumas pensam que a violência só acontece quando existe agressão, mas ela tem vários níveis, várias camadas. A violência começa com uma palavra mal dita, um gesto que nem sempre é uma agressão física”.
A estudante disse que quer retomar sua rotina e continuar engajada na causa. “Eu sempre trabalhei, sempre estudei, e agora quero estar envolvida com mulheres que sofrem algum tipo de violência, alertando e participando ativamente”, concluiu.

Relembre o caso
A agressão contra a estudante Juliana Soares, de 35 anos, ocorreu no dia 26 de julho, dentro do elevador de um condomínio em Natal. As câmeras de segurança registraram o momento em que o ex-namorado dela, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, desferiu 61 socos em apenas 34 segundos. A violência deixou consequências graves: três fraturas na região do olho direito, uma fratura extensa abaixo do nariz, outras menores na maçã do rosto e a mandíbula quebrada.
De acordo com as investigações, a motivação teria sido uma crise de ciúmes do agressor. Juliana relatou, em entrevista ao “Fantástico”, que decidiu permanecer dentro do elevador justamente para garantir que as câmeras registrassem a cena. “Ele foi até o elevador em que eu estava para tentar me convencer a sair. Mas eu não saí, porque sabia que, se saísse, não haveria câmeras para registrar o que acontecesse. Ele disse que eu ia morrer e começou a me agredir. Do décimo sexto andar até o térreo, ele me esmurrava sem parar”, contou.
A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Igor por tentativa de feminicídio, encaminhando o caso ao Ministério Público. O órgão reforçou a necessidade de manter a prisão preventiva, alegando “gravidade dos fatos, periculosidade do indiciado e necessidade de proteção à integridade física e psicológica da vítima”. Igor foi transferido para a Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, onde alegou ter sido agredido por agentes penitenciários.

Em nota, a defesa do ex-jogador admitiu o ataque, mas atribuiu o episódio a um “contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional”. “Lamento profundamente que minha conduta, influenciada por um contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional, tenha contribuído para essa situação. Embora as circunstâncias ainda estejam sendo apuradas, sinto a necessidade sincera de expressar meu pedido de perdão a todos que, de alguma forma, foram afetados”, declarou.
A advogada da vítima, Renata Araújo, destacou que a decisão de Juliana foi crucial para a elucidação do caso. “Se ela tivesse saído, não teríamos os registros desse crime bárbaro, dessa tentativa de feminicídio”, concluiu.
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