Médico que perdeu a filha pra Covid (Reprodução/ GloboNews)

Médico que perdeu a filha de 7 anos para a Covid-19 faz apelo e leva jornalista Aline Midlej às lágrimas na GloboNews; assista

Rodolfo está na linha de frente na luta contra a pandemia desde o início e perdeu a filha em apenas três dias

Nesta quinta-feira (6), o médico Rodolfo Aparecido da Silva emocionou o público ao dar um depoimento para o “Jornal das Dez”, da GloboNews. Rodolfo perdeu a filha de sete anos para a Covid-19 e, ainda assim, encontrou forças para celebrar a chegada e a aprovação das vacinas para crianças de 5 a 11 anos. A jornalista Aline Midlej, que comandava o programa, não conseguiu segurar as lágrimas.

O médico contou que estava na linha de frente na luta contra o vírus desde o início. Segundo ele, a filha Alícia, que não tinha nenhuma comorbidade pré-existente, acabou falecendo em três dias. “Foram quase quatro meses sem ver os meus filhos, por causa do isolamento, na época da pior fase da pandemia. E depois passar por tudo isso… A minha filha não tinha nenhum probleminha de saúde, nunca teve nenhuma doença, nunca foi hospitalizada, não teve cirurgia e não tomava nenhuma medicação”, disse.

“E ela teve essa doença sistêmica, né? Que levou ela a óbito em três dias. Isso é a coisa mais triste do mundo! O que a gente passou, a impotência de não poder fazer nada, de não conseguir transferir ela de hospital se fosse necessário. Então a gente não quer que outro paciente, outra criança, outro amigo, vivencie isso que a gente passou e está passando ainda. Porque a dor de perder, ainda mais uma criança, não tem como eu te explicar”, continuou.

O médio comemorou a previsão do início da vacinação infantil: “Então hoje a gente está feliz e radiante. Eu, meus filhos, minha esposa, minha família toda, com essa vacinação das crianças”.

Quando a câmera voltou para o estúdio, a âncora Aline estava com lágrimas nos olhos. “Doutor Rodolfo, eu sinto muito pelo seu relato. A sua filha tem a idade da minha sobrinha. Desculpe, mas eu queria perguntar ao senhor como é sentir a vacina mais perto, como o seu filho tem lidado com isso. Como que isso tá sendo conversado em casa? Tem sido possível celebrar a chegada da vacinação? O que o senhor tem sonhado em relação a essa nova fase para toda sua família?”, questionou a jornalista.

“Ontem a gente ficou esperando o pronunciamento [do governo] e foi uma felicidade imensa quando foi autorizada [a vacina]. Meu filho chorou de alegria, mesmo com a tristeza da falta da irmã. Mas a gente acredita em Deus e que tudo tem um motivo, a gente tem que pensar assim pra continuar levando a vida”, contou o médico.

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A jornalista, ainda emocionada, explicou por que chorou durante o pronunciamento de Rodolfo. “Meu pesar aqui foi de emoção sim, porque eu penso em tantas outras crianças como a sua filha, crianças que estão próximas a mim. Mas o meu choro também é de uma comoção, de um orgulho, de saber que a gente pode trazer aqui na GloboNews profissionais como o senhor. Que mesmo passando por essa perda, compartilha a sua dor e de alguma forma toca o coração de outros pais”, disse a âncora, agradecendo o médico pela participação.

Ao se despedir, o doutor também fez um forte apelo para que os responsáveis não deixem de levar as crianças para vacinar: “Pais, mães, avós, tios, cuidadores das crianças, não deixem de vacinar os seus filhos. De jeito nenhum! A gente quando nasce já recebe a primeira vacina no hospital. Então esse é um passo imenso da ciência. Eu acredito na ciência! E acredito que essa vacina está aí para ajudar, sim, e para não deixar que as crianças, que têm um futuro brilhante, deixem essa vida por não ser vacinado. Que isso toque o coração de todo mundo, pra que vacinem as crianças em casa”.

Nesta quarta-feira (5), o Ministério da Saúde incluiu crianças de 5 a 11 anos no plano nacional de vacinação contra a Covid-19. Segundo o UOL, ao contrário do que queria o presidente Jair Bolsonaro, o governo também anunciou que não exigirá receita médica para a imunização. O documento apenas orienta “que os pais procurem recomendação prévia de um médico antes”.

A vacina aplicada será a Pfizer, única autorizada até o momento para esta faixa etária, e a campanha ocorrerá de forma decrescente, ou seja, dos mais velhos para os mais novos, com prioridade para aqueles que têm alguma comorbidade. O governo também afirmou que a vacinação de crianças, ainda sem data oficial para iniciar, não será obrigatória.