Globo Fantastico Tratamento Precoce

Médicos que defendem o ineficaz “tratamento precoce” da Covid-19 processam TV Globo após reportagem do ‘Fantástico’; saiba detalhes

A TV Globo está sendo processada por defensores do ineficaz “tratamento precoce” contra a Covid-19. De acordo com o Notícias da TV, a Associação Médicos Pela Vida quer um pagamento de R$ 10 mil pelo custo do processo e o direito de resposta ao canal, querendo reafirmar suas crenças sobre a cloroquina e outros remédios que, cientificamente, não têm eficácia contra o coronavírus.

A associação se incomodou com uma matéria do “Fantástico” de 28 de março de 2021, na qual o jornalístico condenou o uso do chamado “kit Covid” – com medicamentos como a hidroxicloroquina, e vermífugos, como a ivermectina. A reportagem mostrou que tais remédios não funcionam contra a doença da pandemia e, pelo contrário, ainda trazem muitos riscos de vida para os pacientes, levando muitos à fila do transplante de fígado.

Fantastico Kit Covid
A Associação Médicos Pela Vida se incomodou com a reportagem do “Fantástico” relatando casos de usuários do inútil “kit Covid” que precisaram transplantar o fígado. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Não houve citação direta da Associação Médicos Pela Vida na matéria. No entanto, ainda assim, a entidade criticou que o programa teria usado sua audiência para depreciar o manifesto da organização – que circulou pelos principais jornais impressos do país em 28 de fevereiro. O manifesto defendia que os médicos pudessem receitar os medicamentos ineficazes para seus pacientes de Covid. O texto, por si só, gerou muitas críticas e uma polêmica na internet, por utilizar dados científicos que não procedem, segundo a agência Lupa.

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Primeira “derrota” na Justiça

No entanto, o processo já sofreu sua primeira derrota na Justiça. A associação queria que a ação judicial fosse tratada em caráter de urgência. A juíza Daniela de Paula, da 29ª Vara Cível de São Paulo, deixou claro que não vê nenhum tipo de urgência no caso. O fato de a TV Globo não ter citado a associação na reportagem foi um dos fatores determinantes. Além disso, a magistrada interpretou que não há pressa e provas suficientes de que a emissora não deu direito de resposta à entidade.

A cloroquina e outros remédios incentivados por Jair Bolsonaro são ineficazes contra a Covid-19. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Não se verifica perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, que enseje a concessão da tutela pleiteada, especialmente pelo fato que entre a veiculação da reportagem em questão e a propositura da presente demanda decorreram quase dois meses. Portanto, diante de todo o exposto, indefiro a tutela de urgência requerida em sede de inicial”, afirmou a juíza na sentença.

Ela endossou que os defensores do tratamento precoce só deram entrada no processo dois meses depois da reportagem que tanto os incomodou. Portanto, o caso deve ser avaliado conforme os ritos normais dos processos. Ainda não há previsão de quando o pedido da Associação Médicos Pela Vida será julgado pela Justiça.

Usuários do “Kit Covid” vão parar na fila de transplante

No início do ano, médicos ouvidos pelo Estadão apontaram que o conjunto de remédios do “kit Covid” teria levado cinco pessoas a precisar transplantar o fígado em São Paulo. A hepatite provocada pelos medicamentos foi considerada a causa de morte de ao menos três desses indivíduos. Segundo os profissionais de saúde, as drogas que compõem o inexistente “tratamento precoce” para o vírus têm causado hemorragias, arritmias e insuficiência renal nos pacientes que fizeram o uso dos medicamentos.

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Diante dos novos estudos, a Associação Médica Brasileira divulgou um boletim no qual condenou o uso dos remédios do “Kit Covid” – promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro e até mesmo adotados pelo Ministério da Saúde no ano passado. A AMB reforçou que foi comprovado que nenhum dos tratamentos citados funciona para lidar com o coronavírus.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, pediu a nota da instituição.

O abuso de remédios para piolho e antivermes, como cloroquina e ivermectina, têm causado complicações no fígado de pacientes. (Foto: Reprodução/TV Globo)

De acordo com o G1, a associação voltou atrás em sua antiga recomendação, visto que, em julho de 2020, a AMB ficou ao lado da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de entidade médicas que eram neutras ou favoráveis que os médicos tivessem o direito de escolher o tratamento para pacientes com Covid-19. Ao invés dos remédios sem eficácia, agora, a AMB listou 13 pontos que devem ser adotados para um enfrentamento eficiente da pandemia. Dentre eles, está a necessidade de prevenir a doença através do isolamento social, o uso de máscaras e uma aceleração da campanha de vacinação.

Entenda o posicionamento da AMB e saiba todos os detalhes, clicando aqui.