Menina de 11 anos morre após ser espancada por 5 colegas em escola de Pernambuco; polícia aponta suposta motivação

Alícia Valentina morreu na noite de domingo (7)

Alícia Valentina, de 11 anos, morreu após ser agredida por colegas na Escola Municipal Tia Zita, em Belém do São Francisco (PE). O caso está sendo investigado pelo Ministério Público de Pernambuco. Saiba mais sobre o caso e acompanhe as atualizações.

Alícia Valentina, de 11 anos, teve morte cerebral confirmada no domingo (7), após ser agredida por quatro meninos e uma menina dentro da escola onde estudava, no município de Belém do São Francisco (PE). Segundo o boletim de ocorrência, uma das agressões começou porque Alícia se recusou a “ficar com um dos colegas”.

De acordo com o g1, o ataque ocorreu na quarta-feira (3), na Escola Municipal Tia Zita. As informações passadas para o boletim de ocorrência sobre o caso foram relatadas por outra criança, que também estuda na instituição.

Alícia foi atendida inicialmente em três unidades de saúde no interior do estado, antes de ser transferida para o Hospital da Restauração, em Recife. Os médicos confirmaram a morte cerebral da menina na noite de domingo (7). O atestado de óbito consta “traumatismo cranioencefálico produzido por instrumento contundente”, isso significa que a vítima pode ter sido atingida na cabeça por algum objeto.

Certidão de óbito da vítima. (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Conforme o boletim de ocorrência, Alícia “foi interceptada pelos agressores, que começaram a lhe agredir” no banheiro ou nas proximidades. O documento ainda aponta que um dos envolvidos é um menino, cujo nome não será divulgado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Um dos motivos que levaram [o menino] a agredir Alícia teria sido a negativa da mesma em aceitar ‘ficar com ele'”, aponta o B.O.

O caso foi inicialmente registrado como lesão corporal na Delegacia de Belém do São Francisco, mas posteriormente a ocorrência foi retificada para lesão corporal seguida de morte. A denúncia foi feita pela tia da vítima, já que a mãe acompanhava a filha no hospital.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu um procedimento administrativo para acompanhar o caso e solicitou informações à prefeitura, que “voluntariamente já se predispôs a entregar dados e informações para contribuir com as investigações”. 

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A mãe de Alícia, que preferiu não se identificar, disse que só percebeu a gravidade dos ferimentos quando a filha chegou ao segundo hospital em Salgueiro (PE). Durante o atendimento inicial, a menina não contou como foi agredida. Segundo a mãe, os exames mostraram que a adolescente sofreu uma pancada muito forte na cabeça, e que “não tinha sido um tapa de jeito nenhum”.

“Foram feitos vários exames. Não acusou nada nos exames. Foi feita a tomografia, tirou raios-x. E aí aconteceu que o médico falou que era uma lesão corporal no cérebro. Tinha sido uma pancada muito forte. Não tinha sido um tapa de jeito nenhum”, disse, em entrevista à TV Globo.

Boletim de Ocorrência registrado pela tia da adolescente. (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Na escola, os familiares da vítima não conseguiram detalhes sobre a agressão, mas uma professora disse que parte do ocorrido foi registrada pelas câmeras de segurança. A mãe relatou que foi informada sobre a condição da filha por uma professora. Depois das agressões, Alícia foi levada pelos funcionários da escola ao hospital municipal, recebeu atendimento médico e acabou sendo liberada.

“Cheguei na escola, a professora disse que tinha sido dentro do banheiro, mas também não sabia explicar o que aconteceu. Aí disse que tinha dois garotos e uma menina na porta, não sabe se estava segurando, e a filmagem, que ele [um dos garotos] estava dando um soco. Mas ali não foi só um soco, não. Ali foi de pé ou bateu com a cabeça dela na pia ou na privada”, explicou.

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Em casa, a vítima apresentou sangramento no ouvido, e foi levada pela mãe à um posto de saúde. Depois de vomitar sangue, Alícia foi encaminhada ao Hospital Municipal de Belém do São Francisco e, em seguida, transferida de forma imediata ao Hospital de Salgueiro, a cerca de 80 quilômetros da cidade.

“Alícia era uma menina doce, não mexia com ninguém, era calma, todo mundo de Belém gostava dela. Então, eu peço justiça por isso. Quem fez tem que pagar. Isso não pode ficar assim. Minha filha não era de briga. Todo mundo gostava dela. Chegar aqui e bater assim, espancar, né? E vai ficar por isso? Não, eu quero justiça”, desabafou.

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