Rafael Anjos Martins, de 28 anos, morreu nesta quinta-feira (23), após quase dois meses internado em estado grave em um hospital de Osasco, na Grande São Paulo. Ele foi vítima de intoxicação por metanol, após consumir uma garrafa de gin adulterada comprada em uma adega da zona sul da capital. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Rafael foi internado no dia 1º de setembro, um dia após consumir a bebida com amigos, e, desde então, estava em coma. O jovem ficou dependente de ventilação mecânica e não apresentava fluxo sanguíneo cerebral. De acordo com o laudo médico, o nível de metanol no corpo dele era de 155 mg/l. Médicos ouvidos pelo g1 explicaram que, acima de 100 mg/l, há risco elevado de coma profundo, lesão cerebral extensa e morte.
“Meu filho descansou”, disse a mãe, Helena Martins, ao portal. Em entrevista ao “Fantástico“, Helena já tinha desabafado: “É um crime o que estão fazendo. Hoje é meu filho, amanhã não sei quem pode ser”.
Segundo a advogada Carolina Souza, que representa o grupo de amigos, Rafael ficou 53 dias internado. A princípio, passou por sessões de hemodiálise para remover a toxina do sangue. Depois, foi mantido na UTI com antibióticos e sedação, que acabou sendo suspensa, mas o jovem não acordou.

Relembre o caso
O grupo se reuniu na casa de Rafael na madrugada de 31 de agosto. Segundo o boletim de ocorrência, a bebida foi adquirida por ele em um pacote promocional que incluía gelo e energético, em uma adega na Cidade Dutra. As testemunhas relataram que Rafael ingeriu o gin puro, enquanto os amigos misturaram a bebida com outros líquidos. Ele foi o único a permanecer internado.
Exames constataram a presença de metanol no sangue de Rafael, além de danos graves à visão e ao cérebro. Segundo familiares, o jovem, que era técnico de manutenção de elevadores, chegou a gritar que estava cego pouco antes de ser levado ao hospital.
O caso é investigado por meio de um inquérito aberto pela Polícia Civil. As duas garrafas consumidas naquela noite e outras 14 lacradas foram apreendidas na adega e encaminhadas para perícia.

Outras mortes
De acordo com o governo paulista, os casos confirmados envolvendo o metanol cresceram de 38 para 42. Os investigados caíram para 18, incluindo um óbito em Piracicaba, de um paciente de 49 anos. 423 suspeitas também foram descartadas até esta quarta-feira (22).
As outras mortes confirmadas por intoxicação por metanol no estado são: Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, de São Paulo; Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos, de São Paulo; Marcelo Lombardi, de 45 anos, de São Paulo; Bruna Araújo, de 30 anos, de São Bernardo do Campo; Daniel Antonio Francisco Ferreira, de 23 anos, de Osasco; e Leonardo Anderson, de 37 anos, de Jundiaí.
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