Mulher acusada de transfobia em sessão de ‘Wicked’ se pronuncia, rebate influenciadora e dá sua versão do ocorrido: ‘Pesadelo’

Viviane Milano afirmou que não chamou Malévola Alves de homem

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A mulher acusada de transfobia por Malévola Alves, durante uma sessão da montagem brasileira de “Wicked”, se pronunciou nas redes sociais e deu a sua versão do ocorrido. Viviane Milano rebateu a influenciadora e afirmou que foi “injustamente acusada de algo impensável“. Ela repudiou o posicionamento da equipe do musical e disse que registrou um B.O. com o intuito de resguardar os seus direitos e o da filha, Mary, de 10 anos.

Mãe de 5 filhos, Viviane contou que decidiu ir ao espetáculo “como forma de acolhimento e alegria em meio à apreensão pela saúde” de um dos filhos, que possui paralisia cerebral e atualmente está internado na UTI. Ela também falou que esperou três meses para ir ao musical com Mary, que estuda teatro há anos e possui um perfil de 1,5 milhão de seguidores no Instagram.

Viviane, então, deu a sua versão do ocorrido. “Na quarta-feira, quando nos dirigimos à fila de retirada da pipoca, percebi uma confusão já instalada: pelo que me foi possível compreender, aparentemente uma mulher havia ‘furado’ a fila, o que gerou desentendimento entre os presentes. Quando soou o segundo sinal, anunciando o início iminente da peça, minha filha já aflita para tomar seu assento, pedi em tom alto que uma senhora parasse de gritar e finalizasse logo a discussão, para que assim pudéssemos todos retirar pipocas a tempo“, contou.

Ela negou que tenha chamado Malévola de homem. “Ela se voltou contra mim e, após breve discussão, se afastou, em companhia de um rapaz. Sem compreender a razão da confusão, e apenas tentando entender quem havia furado a fila, perguntei em voz alta – sem ironia, julgamento ou qualquer menção a identidade de gênero: ‘Era o homem ou a mulher que estava na fila?’. O casal então retornou, já aos berros: quem eu posteriormente viria a saber se tratar da influenciadora Malévola Alves, começou a gritar que eu havia cometido um crime, o que me causou imenso estranhamento, já que até então eu não sabia se quer quem ela era ou o que exatamente alegava ter acontecido“, afirmou.

Malévola revelou ter sofrido ofensas preconceituosas. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

“Minha filha se assustou, a peça estava para começar, eu não estava compreendendo a acusação que me era feita, portanto me mantive calada, peguei pipocas e refrigerantes e segui para nossas poltronas em silêncio, enquanto a influenciadora nos acompanhava, sempre aos gritos. No interior da sala de teatro, Malévola Alves passou a incitar os presentes, como é possível verificar em diversos vídeos repercutidos na internet, e parte da plateia começou a vaiar a mim e à minha filha”, relatou.

Ela citou o pedido da produção para que se retirasse do teatro junto a Mary: “Em dado momento, a produção da peça e os responsáveis pelo teatro pediram que deixássemos o ambiente, dizendo estarem me trazendo esse pedido por eu ser a única pessoa calma naquela situação, que não parecia mais que se resolveria de outra forma. A essa altura minha filha, nervosa com a situação, já estava chorando, Por isso, diante da promessa do Sr. Levi (responsável pelo teatro Renault) de nos fornecer ingressos na mesma fileira para o sábado seguinte, e com o bem estar da minha filha em mente, saí. Mesmo com a certeza de estar sofrendo uma injustiça”. 

Viviane disse que tentou dialogar com a influenciadora, mas foi rejeitada.”Me ofereci para conversar com Malévola Alves, mas os representantes do teatro e da produção não o permitiram e apenas me informaram que ela ‘não queria papo’“, destacou.

A mulher contou ainda que foi recepcionada por dois policiais no saguão do teatro, e que Malévola não quis registrar queixa pelo “suposto crime sofrido”. “Fui eu quem, ali mesmo, no saguão do teatro, registrou boletim de ocorrência. Tenho total interesse em esclarecer os fatos com base na verdade dos registros e testemunhos, e confio que a Justiça poderá reverter o julgamento público precipitado e profundamente injusto a que fomos submetidas“, escreveu, acrescentando que não houve um procedimento de caráter “criminal” conforme a produção do musical.

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Em seu relato, Viviane também afirmou que as acusações aumentaram nas últimas 48 horas e que a polêmica impactou sua família. “O que deveria ter sido uma experiência agradável para ela, se transformou em pesadelo, não apenas pela violência gratuita que sofremos no teatro, mas também pela subsequente exposição irresponsável de nossa imagem, pelas acusações de transfobia sem fundamento e afirmações injustas a respeito da índole da minha família“, desabafou.

Ela revelou que após o ocorrido, Mary teve medo de sofrer retaliações. “Minha filha e eu ainda estamos em choque. Na manhã após os eventos, ela se recusou a ir à escola, com ‘medo de apanhar’. Ela também está com receio de voltar a ir ao Teatro Renault para assistir a ‘Wicked’. Mary cresceu no meio do teatro e da comunidade LGBTQIAPN+ e agora se vê em meio a uma polêmica absurda, na qual a mãe é injustamente acusada de algo impensável“, lamentou.

Por fim, Viviane repudiou os posicionamentos da equipe do musical, incluindo o diretor, a atriz principal e a conta oficial nas redes sociais, por causar “extrema surpresa e dor”. “Como se a acusação feita contra mim já tivesse sido previamente aceita e julgada“, completou.

Leia a íntegra:

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Relembre o caso

Na quarta-feira (26), a influenciadora Malévola Alves afirmou que foi vítima de transfobia durante uma sessão de “Wicked”, em São Paulo. Ela disse ter sofrido ofensas preconceituosas por parte de Viviane Milano na plateia, que foi vaiada até ser convidada a se retirar do evento.

A conta do espetáculo no Instagram informou que o caso fez com que a montagem do musical atrasasse cerca de 18 minutos. Em registros compartilhados nas redes sociais, Malévola afirmou: “Eu fui vítima de transfobia por aquela mulher. Ela me chamou de homem“. Em seguida, ela ecoou gritos de “Tira” e “Fora”, que foram entoados pela plateia.

Confira:

Nas redes sociais, o musical repudiou o episódio de transfobia, bem como a intérprete de Glinda, Fabi Bang. A atriz desejou que a criança “não seja refém desse comportamento hostil e intolerante da mãe dela” e que a vítima, Malévola, “seja indenizada“.

Ou que a Justiça minimize, de alguma forma, o sofrimento e o constrangimento da vítima, e que essa criança supere a noite de hoje, que poderia ser apagada na vida dela. E fica uma mensagem: primeiro que transfobia nem pensar. E segundo que a pessoa que vem assistir a um espetáculo como ‘Wicked’ e tem um ato como esse, ela não sabe o que que está fazendo da vida dela. Ela não entendeu nada“, comentou.

Assista:

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