Juliana Garcia, que foi agredida com 61 socos pelo ex-namorado Igor Eduardo Pereira Cabral, pode ter sequelas devido à extensão de fraturas em seu rosto. À Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (4), o cirurgião-dentista responsável pela operação explicou que a recuperação da vítima será lenta e ela continuará em observação.
A cirurgia aconteceu no Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), vinculado à rede Ebserh, na última sexta-feira (1º). Juliana ainda não tem previsão para receber alta.
“Diante de um trauma desta magnitude, não dá para afirmar que a paciente está livre de sequelas. Para isso, será monitorada nos próximos meses para definição do que será realizado”, explicou Kerlison Paulino de Oliveira.
Ele acrescentou que, apesar das limitação, a vítima já consegue falar. “No entanto, permanecerá com dieta pastosa por um período mais longo do que o habitual, devido à severidade do caso. Iremos evoluindo lentamente na dieta até que possa ingerir alimentação mais consistente”, pontuou.
[Atenção! Imagens fortes] Veja o momento da agressão e da prisão de Igor:
A mulher que foi espancada com mais de 60 socos pelo companheiro em um elevador de Natal agradeceu o apoio que tem recebido nas redes sociais e disse que irá focar na recuperação. pic.twitter.com/vVuYVnwaue
— Band Jornalismo (@BandJornalismo) July 30, 2025
A operação estava prevista para durar aproximadamente entre 4h30min e 5h, mas se estendeu para 7h. Conforme o site, foram encontradas fraturas cominutivas — fragmentos presentes nas regiões atingidas que dificultam as fixações ósseas com placas e parafusos.
“A estrutura precisa ficar rígida o suficiente para a obtenção do melhor resultado. O procedimento foi realizado com o objetivo de reestabelecer forma e função da face. Foram utilizadas placas e parafusos para reconstrução das áreas atingidas”, detalhou Oliveira.
Ele acrescentou que as lesões sofridas por Juliana foram na maçã do rosto direita, na órbita, no maxilar e na mandíbula, e ainda houve uma fratura nasal.
Também à Folha, a vítima relatou que as discussões entre ela e o ex-namorado foram iniciadas por causa de ciúme. Igor teria visto no celular da companheira mensagens trocadas entre ela e um amigo dele.
Juliana enfatizou que o ex-jogador de basquete já havia apresentado comportamentos agressivos ao longo do relacionamento de dois anos, marcado por “muitas idas e vindas”.
“Ele não gostou. Jogou meu celular na piscina porque queria mostrar a um amigo que estava conosco. Eu saí de perto para evitar o conflito. Ele foi para o meu bloco, subiu para pegar as coisas dele e eu subi pelo outro elevador para encontrar ele lá. Quando subimos, eu o notei agressivo”, narrou ela.

“Eu não quis sair do elevador porque achei que ele fosse me agredir e, no corredor, não tem câmeras. Ele queria me convencer a sair de lá. Foi aí que ele disse que eu ia morrer e começou a me bater sem parar”, completou.
Igor, por sua vez, alegou que sofreu um surto claustrofóbico em depoimento à polícia. Ele está preso desde o dia 26 de julho, dia em que o crime foi cometido. O episódio foi registrado por uma câmera de segurança do condomínio, que flagrou o homem encurralando Juliana antes de iniciar a série de agressões brutais.
De acordo com as investigações, o ataque durou apenas 34 segundos, tempo suficiente para que a vítima recebesse 61 socos na cabeça e no rosto. Já nesta segunda (4), Igor foi indiciado por tentativa de feminicídio. Conforme o g1, a Polícia Civil de Natal, no Rio Grande do Norte, concluiu o inquérito e o encaminhou ao Ministério Público.
Neste mesmo dia, o homem se pronunciou por meio de uma carta. “Lamento profundamente pela minha conduta, influenciada por um contexto de uso de substâncias e instabilidade emocional, tenha contribuído para essa situação. Embora as circunstâncias ainda estejam sendo apuradas, sinto a necessidade sincera de expressar meu pedido de perdão a todos que, de alguma forma, foram afetados”, declarou.
Igor salientou que houve “dor, angústia e sofrimento, especialmente para Juliana, sua filha, sua família, bem como para os meus pais e demais entes queridos”. Ele disse, ainda, esperar que “Juliana consiga encontrar força para seguir em frente, com serenidade, coragem e paz”.
“Enfrento o momento atual com humildade e esperança de que, com o tempo, todas as partes envolvidas possam encontrar caminhos de cura, reflexão e recomeço”, concluiu Igor.
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