Uma mulher, de 46 anos, foi presa nesta quinta-feira (12), em Florianópolis, suspeita de envolvimento no desaparecimento da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas. Segundo informações da NSC TV, afiliada à Globo, a prisão de Ângela Maria Moro ocorreu inicialmente pelo crime de receptação, após a Polícia Civil encontrar objetos que pertenciam à vítima.
De acordo com a investigação, os pertences de Luciani foram localizados em uma pousada que a suspeita se apresenta como a responsável. No entanto, ainda ontem, na audiência de custódia, o juiz citou a existência de indícios de homicídio e determinou prisão temporária de Ângela por 30 dias. Na delegacia, ela negou qualquer envolvimento.
Diante dos indícios de crime contra a vida, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou que o caso seja encaminhado ao Tribunal do Júri. Conforme as autoridades, compras teriam sido feitas com o CPF da vítima, após o desaparecimento. A partir dessas informações, a PC passou a monitorar os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis.
Durante o acompanhamento, os policiais abordaram um adolescente, de 14 anos, que buscava algumas das encomendas. Em seu depoimento, ele afirmou que os produtos seriam destinados ao irmão. Com base nesse relato, os agentes foram até a pousada, onde encontraram a suspeita.

Em um dos apartamentos da pousada, os policiais encontraram duas malas com pertences de Luciani, além de diversos objetos comprados em nome dela, incluindo dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. O carro da corretora, um HB20, que também havia sumido, foi encontrado na pousada.
Depoimentos também indicaram que objetos da vítima teriam sido escondidos e que houve tentativas de dificultar o trabalho das autoridades. Para o MPSC, ainda de acordo com a emissora, os fatos apontam que o caso vai além de um crime patrimonial.
Indícios de homicídio
A existência de indícios de homicídio, citada pelo juiz, refere-se a um corpo encontrado, na quarta-feira (11), em Major Gercino, no Vale do Rio Tijucas, na Grande Florianópolis. A PC investiga, a partir de exames laboratoriais, como análises de DNA, se os restos mortais são da corretora de imóveis.
De acordo com o portal g1, o corpo estava sem cabeça, pés e braços e foi encontrado por moradores, que viram um saco suspeito dentro de um córrego e chamaram a polícia. Segundo o MPSC, há elementos que indicam que a vítima foi morta, esquartejada e teve partes do corpo ocultadas em diferentes locais. Uma das mulheres ouvidas pela polícia relatou que a morte de Luciani teria ocorrido com a participação da dona da pousada, do irmão do adolescente e da companheira dele.
A investigação também apontou que, no dia 7 de março, o carro da corretora de imóveis foi visto circulando pelos municípios de São João Batista e Major Gercino. Além disso, conforme a PC, o corpo apresenta características compatíveis com as de Luciani, mas a identificação oficial ainda depende dos exames periciais.
Erros gramaticais
O desaparecimento de Luciani repercutiu nesta semana. A família dela registrou um boletim de ocorrência no dia 9 de março, após suspeitar que alguém estaria se passando por ela em mensagens enviadas pelo celular. Luciani foi vista pela última vez no dia 4 de março, na região da Praia dos Ingleses.
A suspeita começou quando parentes passaram a receber mensagens com diversos erros gramaticais, algo que chamou a atenção por não ser comum na forma como a corretora se comunicava. O irmão de Luciani, Matheus Estivalet Freitas, disse que a família estranhou o conteúdo das conversas após um período sem conseguir contato direto com ela. Em uma das mensagens enviadas pelo celular de Luciani, a pessoa afirmou que ela estaria bem, mas sendo perseguida por um ex-namorado.

Preocupado com a situação, Matheus foi até o apartamento da irmã, no norte de Florianópolis, acompanhado por policiais. No local, eles encontraram sinais de abandono. As pessoas que tinham relação profissional com Luciani também começaram a estranhar a situação. De acordo com o irmão, alguns proprietários de imóveis administrados por ela declararam que não receberam os repasses de aluguel nos últimos dias, algo que nunca havia acontecido antes.
Luciani atuava como corretora e administradora de imóveis na região da Praia do Santinho, área turística da capital catarinense, além de cuidar de propriedades no Rio Grande do Sul.
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