Mulher que humilhou fiscal em bar lotado no Rio de Janeiro é demitida após reportagem do Fantástico viralizar: “Melhor do que você” — assista

O “Fantástico” deste domingo (05) cobriu a reabertura dos bares no Rio de Janeiro, que gerou aglomerações, acompanhadas de muitas ofensas à Vigilância Sanitária. Um desses ataques chamou bastante atenção; na ocasião, um casal humilhou um fiscal diante das câmeras, dizendo-se superior apenas por uma formação universitária. Nesta segunda-feira (06), a mulher que aparece no vídeo foi demitida.

Após o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ter liberado a reabertura de bares e restaurantes pelo Estado, cenas de aglomerações foram vistas em diversos locais da Capital. Mas uma, em especial, viralizou nas redes sociais depois de ser exibida no “Fantástico”, com um retrato da arrogância que os fiscais da Vigilância Sanitária têm enfrentado ao fazer seu trabalho – tentando garantir a segurança da reabertura, em plena pandemia do coronavírus.

Durante a filmagem, exibida no “Fantástico”, o casal surge tirando satisfações pela fiscalização da vigilância sanitária. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Durante uma inspeção, os fiscais avaliaram que um estabelecimento não cumpria as determinações de distanciamento social e de regras de higiene. Foi então que dois clientes vieram tirar satisfação. “Cadê sua trena? Eu quero saber como você mediu as pessoas?”, disparou um homem. O fiscal tentou responder: “Cidadão…”. Até que a mulher o interrompeu. “Cidadão não, engenheiro civil, formado, melhor do que você”. Assista:

O fiscal atacado era Flávio Graça, superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação em Vigilância Sanitária, Fiscalização e Controle de Zoonoses da Prefeitura do Rio de Janeiro. De acordo com o G1, o profissional é formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e tem doutorado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), está no cargo desde 2017, e já atuou como coordenador de cursos de pós-graduação.

Flávio Graça – atacado pelo casal – não só é formado, como tem doutorado pela UFRJ, e trabalha desde 2017 como superintendente na Prefeitura do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Segundo ele, a cena se deu após um registro da porta do restaurante, para a comprovação na denúncia. “As pessoas começaram a proferir palavras agressivas, xingamentos, palavras de baixo calão. Aí pegaram os celulares e colocaram apontando diretamente para o rosto dos fiscais, a cinco ou dez centímetros do rosto. Não era uma filmagem, era uma forma de agressão”, explicou o superintendente, em entrevista.

Arrogância gera revolta na web

Ao longo desta segunda-feira, o assunto seguiu repercutindo pelas redes sociais, com muita gente horrorizada pelo comportamento do casal que aparece em cena. “A arrogância do cidadão brasileiro médio que acha que ensino superior, o que ainda é um privilégio para boa parte das pessoas, torna um sujeito melhor que outro”, escreveu um perfil no Twitter. Foram várias as reações contrárias à atitude. Confira algumas delas:

Demissão e pronunciamento da empresa

Nívea del Maestro e Leonardo Barros, que aparecem dirigindo a ofensa aos fiscais, começaram a sofrer consequências de seus atos. A empresa de energia elétrica Taesa anunciou hoje a demissão de Nívea, afirmando que o comportamento da funcionária não condizia com as normas da corporação.

“A companhia não compactua com qualquer comportamento que coloque em risco a saúde de outras pessoas ou com atitudes que desrespeitem o trabalho e a dignidade de profissionais que atuam na prevenção e no controle da pandemia”, disse a Taesa em nota. Confira o comunicado na íntegra:

NOTA DE POSICIONAMENTO OFICIAL

A TAESA é uma companhia comprometida com a segurança e a saúde não apenas de seus empregados, mas também com o bem-estar de toda a sociedade. Desde o início da pandemia da Covid-19, a Taesa implementou inúmeras iniciativas para proteger a saúde de seus profissionais e seus familiares, como o home-office para 100% do seu quadro administrativo, e a adoção de diversas outras medidas de proteção para as equipes que operam em campo.

A companhia não compactua com qualquer comportamento que coloque em risco a saúde de outras pessoas ou com atitudes que desrespeitem o trabalho e a dignidade de profissionais que atuam na prevenção e no controle da pandemia.

A TAESA tomou conhecimento do envolvimento de uma de suas empregadas em um caso de desrespeito às leis que visam reduzir o risco de contágio pelo novo coronavírus e compartilha a indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio, sobretudo em um momento no qual o número de casos da doença segue em alta no Brasil e no mundo.

A TAESA ressalta que segue respeitando o isolamento e as mais rigorosas regras de prevenção ao coronavírus e que a empregada em questão desrespeitou a política vigente na empresa. Diante dos fatos expostos, a TAESA decidiu por sua imediata demissão.

Casal se apresentava como “bolsonarista”

Depois que seus nomes foram divulgados, Nívea e Leonardo deletaram alguns perfis pelas redes sociais. No entanto, em seu perfil no Twitter, o “engenheiro formado” se descrevia como “pai, casado, engenheiro, atleta amador, mergulhador. Direita, anti-PT, anti-PSOL, anti-PC do B, anti extrema imprensa”. Ela, por sua vez, se declarava formada em gestão de Projetos e Processos, Planejamento Estratégico e gestão de Custos de Projetos e Corporativos, de acordo com os dados em seu Linkedin.

Nas redes sociais, Leonardo dizia ser de “Direita” e “anti extrema imprensa”. (Foto: Reprodução/Twitter)

Em outro vídeo que circula pelas redes sociais, gravado e publicado pelo próprio Leonardo, eles aparecem confrontando um jornalista pelas ruas. Nas imagens, o engenheiro questiona se a sua entrevista será editada pelo repórter, enquanto Nívea aparece dizendo: “Ô raça vagabunda do c*ralho”. Confira:

Reações à demissão

Assim que a notícia da demissão de Nívea foi publicada, o assunto tomou conta das redes sociais. Os termos “Desempregada” e a hashtag “#Demitida” rapidamente chegaram aos Trending Topics da tarde de hoje. “Cidadã não, desempregada”, comentou a jornalista Cecillia Olliveira. “Vivemos no país em que cidadania é ofensa. Bom mesmo é dar carteirada pra ficar DESEMPREGADA”, ironizou outro perfil.

Com a postura firme da Taesa, os internautas não apenas comentaram sobre o jogo ter virado para a dupla “melhor do que o fiscal”, como também cobraram que o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) se posicionasse sobre o assunto. “Engenheiro(a) civil e desempregada. Agora só falta, ao menos, um posicionamento do CREA”, pediu um internauta.

Procurada pela reportagem do G1, Nívea del Maestro não atendeu às ligações.