A mulher que ficou mais de 40 horas à deriva em alto-mar no litoral de São Paulo deu um depoimento emocionante sobre o episódio. Bruna Damaris Sant’anna da Silva e Dheorge Pereira Bernardino desapareceram durante um passeio de lancha em Ilhabela no mês passado. Ao “Domingo Espetacular”, ela narrou os momentos de desespero que viveu e revelou quando se perdeu do amigo. O corpo de Dheorge foi encontrado nesta segunda-feira (1º) pela Marinha.
Em entrevista ao programa, Bruna relembrou a sequência de acontecimentos que transformou um passeio em tragédia. Ela contou que o grupo participava de uma confraternização quando a dupla decidiu sair em uma moto aquática. Pouco tempo depois, o veículo apresentou uma falha mecânica. “Quando o meu amigo falou que estava parando de funcionar, eu simplesmente peguei e falei: ‘Você está brincando né? Você está de brincadeira comigo’. Aí ele: ‘Não, está parando’. E aí quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, recordou.
Segundo Bruna, a ilha ainda parecia próxima e, por isso, ela sugeriu que os dois abandonassem a moto aquática e tentassem chegar nadando até a costa. “Nesse momento eu olhei pra ele e falei assim: ‘Vamos pular, vamos nadar até a ilha. Porque está bem perto ainda, dá pra ver’. Aí ele ficou meio receoso, mas aí ele encontrou uma cordinha que amarrou no nosso colete e a gente pulou na água e começou a nadar”, contou.

A situação, no entanto, mudou rapidamente: “Só que no meio do caminho eu comecei a me desesperar, comecei a ficar em choque. Porque eu gritava, eu pedia socorro, eu pedia ajuda e não tinha ninguém ali por perto. Aos poucos a moto aquática começou a afundar. Naquele momento eu comecei a chorar, comecei a me desesperar, porque eu falei que eu não queria morrer, eu não queria ficar ali, que eu só queria ir para casa”.
Bruna ficou mais de 40 à deriva e relatou que chegou a desmaiar em alguns momentos. Por isso, ela disse não saber exatamente quando perdeu Dheorge de vista. “Começou a chover, começou a ventar, eu comecei a ficar vendo coisas, eu comecei a ficar vendo a minha mãe, eu vi um monte de coisa feia. Teve um momento que eu escutava alguma coisa me chamando e quando eu olhava pro breu, eu via como se fosse um barco. Eu comecei a nadar em direção a esse barco, só que não era um barco, era a montanha. E atrás da montanha tinha uma nuvem branca. Eu tava nadando pra morte. Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes“, descreveu.
O resgate aconteceu após o pescador Alex Quintino dos Santos mudar sua rota habitual e avistar Bruna cerca de 30 quilômetros distante do ponto onde ela havia desaparecido. “Eu estava no leme do barco ali. Aí eu olhei para frente, uns 100 metros do lado. Eu avistei uma pessoa na água. Eu nem sabia se era homem ou mulher. Bem fraquinho, levantou a mão lá. Aí eu falei: ‘Pode ficar com a mão que eu estou te vendo. Eu vou para cima’. Eu estava longe do lugar que estava. Não era possível ter alguém nadando ali”, relatou.

Bruna foi levada para um hospital, onde permaneceu internada até o dia 26 de maio. Ela contou que, quando finalmente foi retirada da água, sua preocupação ainda era com o amigo desaparecido: “Na hora em que eles me pegaram e eu desabei, porque meu corpo não aguentava mais, eu estava com muita dor, muito cansada. A primeira coisa que eu falei para eles: ‘O meu amigo está lá em alto mar, vai atrás dele, vai lá buscar ele'”.
Assista à entrevista completa:
A Polícia Civil de Ilhabela também abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do caso e já ouviu Bruna, amigos do grupo, o dono da lancha e outras pessoas envolvidas. A Marinha instaurou uma investigação própria sobre o acidente com a moto aquática.
O corpo de Dheorge foi encontrado após dias de busca. O homem de 28 anos estava desaparecido desde o dia 24 de maio após um passeio de moto aquática. Segundo o médico-legista Ricardo Cortes, do Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba, a causa da morte foi afogamento. Saiba mais detalhes, clicando aqui.
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