O porteiro de um prédio na Praia Brava, em Florianópolis, onde o cão Orelha foi vítima fatal de um ataque, relatou diversos desentendimentos com os adolescentes suspeitos de envolvimento no crime. O “Fantástico” deste domingo (1º) divulgou um áudio enviado pelo funcionário junto a uma foto de dois jovens, em um grupo do WhatsApp.
De acordo com as investigações, bagunças, xingamentos, depredações e restrições de horário de entrada e saída do prédio foram os motivos das desavenças, que ocorriam desde o início do verão. Na mensagem, o porteiro, cujo nome não foi revelado, falava sobre adolescentes que estavam causando problemas na comunidade.
“Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece, que deram umas pauladas em um cachorro. E, depois, foram lá e mexeram na barraca ainda. É (sic) seis folgados. São seis folgados que tem aí“, disse ele, no áudio.
Ao saber das discussões e que os dois jovens tinham sido fotografados, os pais e o tio de um deles foram até a portaria. “Eu fui bastante xingado, né? Tenho um vídeo deles danificando lixeiras na frente do condomínio. Isso duas, três horas da manhã. E eles xingavam de ‘porteiro de merda’, ‘assalariado’, não sei o quê, ‘velho’, e ‘barrigudo’. Eu gravei bem esses guris por causa dessas coisas“, declarou ao dominical.
No entanto, ele afirmou não ter visto agressão a Orelha, nem a qualquer outro animal. “Agora, sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. Se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria que eram eles“, garantiu.

Um dos encontros com os pais e o tio dos adolescentes foi registrado pelas câmeras de segurança. O porteiro e duas testemunhas relataram à polícia que um dos familiares estava com um volume na região da cintura, dando a entender que poderia se tratar de uma arma de fogo.
“E nesse momento, uma dessas pessoas estava com volume na região da cintura, que deu a entender ali, tanto para a vítima, que seria a pessoa coagida, quanto para duas testemunhas que estavam presentes no momento da discussão, que poderia ser uma arma de fogo. Nós representamos para um mandado de busca e apreensão no endereço desse suspeito e não foi localizada essa arma“, disse a delegada de Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi.
O porteiro registrou boletim de ocorrência por ameaça. Já as famílias dos adolescentes fizeram um B.O., ao tomarem conhecimento da circulação da fotos dos jovens no WhatsApp.
De acordo com a investigação, as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado à Polícia Civil no dia 16. Orelha foi encontrado por moradores da região ferido e em estado de sofrimento. Ele foi recolhido e encaminhado a uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos.
Derli Royer, veterinário que fez o atendimento, também detalhou o estado do cão. “Lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo, e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo. Foi tentado dar os primeiros procedimentos, a soroterapia e tentar levantar ele, mas como ele estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida“, contou o profissional, que descartou que o animal tenha sofrido algum acidente.

O pai de um dos suspeitos afirmou que o filho deve responder pelo crime, mas apenas se for comprovado que ele cometeu o ato. “A educação que eu e minha esposa damos pra ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder, mas tem que ser provado porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada. Não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas“, disse ao jornalístico.
Ao todo, três adolescentes são investigados por suspeita de agredirem o animal de forma violenta, com a intenção de causar sua morte. Inicialmente, quatro eram suspeitos, mas um deles comprovou não ter relação com o episódio. A polícia já ouviu mais de 20 testemunhas e analisa cerca de mil horas de imagens registradas por câmeras de segurança. Contudo, de acordo com a corporação, não há registros dos adolescentes com o cão ou do momento exato da agressão. Até o momento, ninguém foi preso.
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