Nesta terça-feira (27), a Polícia Civil de SC detalhou novos pontos da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis. Exames periciais confirmaram que o animal sofreu uma pancada na cabeça com um objeto contundente, ferimento que agravou seu estado de saúde e levou à realização de eutanásia.
As informações constam em laudo pericial divulgado durante uma coletiva de imprensa. Segundo a corporação, o objeto utilizado na agressão não foi localizado até o momento. “Ele teve uma lesão contundente, que pode ter sido causada por um pedaço de pau, garrafa ou outro objeto. Foram lesões na cabeça”, detalhou a delegada Mardjoli Valcareggi.
Quatro adolescentes já foram identificados como suspeitos de ato infracional por maus-tratos contra o cachorro e três adultos foram indiciados por suspeita de coagir uma testemunha. O crime de coação teria sido cometido contra o vigilante de um condomínio, que possui uma imagem que pode ajudar na investigação.

A agressão
De acordo com a investigação, as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado à Polícia Civil em 16 de janeiro. Orelha foi encontrado por moradores da região ferido e em estado de sofrimento. Ele foi recolhido e encaminhado a uma clínica veterinária e, no dia seguinte, precisou passar por eutanásia em razão da gravidade dos ferimentos.
Embora não existam imagens do momento exato, Valcareggi explicou que outros registros feitos na mesma região permitiram a identificação dos suspeitos. A Polícia Civil informou ainda que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança.
Durante a apuração, surgiram indícios de que o mesmo grupo teria tentado afogar outro cachorro comunitário, conhecido como Caramelo, também na Praia Brava. Segundo Valcareggi, há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo, e moradores relataram que viram os suspeitos jogando o cão no mar.

Os nomes e idades dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades, por conta Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo em procedimentos envolvendo menores de idade. Dois adolescentes estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação ontem (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em “viagem pré-programada”. A polícia prepara um esquema especial de segurança para recebê-los no aeroporto.
Pais de adolescentes suspeitos se pronunciam
Duas famílias cujos filhos adolescentes são suspeitos terem participação no caso se pronunciaram através dos advogados. Em nota enviada ao hugogloss.com, eles pediram cautela por parte da população na repercussão do caso. Leia abaixo:
“Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais de dois dos adolescentes supostamente envolvidos no episódio de agressão ao cachorro Orelha, na Praia Brava (SC), vêm a público para destacar importantes informações transmitidas pelas autoridades em coletiva de imprensa realizada hoje (27 de janeiro de 2026).
Como informado durante coletiva da Polícia Civil, não há vídeo ou imagens que comprovem o momento do suposto ato de maus-tratos. Destaca-se que, em seu esclarecimento, a delegada do caso, Mardjoli Valcareggi, afirma que tal vídeo nunca existiu, contrariando rumores de que ele havia sido apagado em um contexto de coação para eliminação de provas [ver vídeo em anexo].
Da mesma forma, vale destacar que os dois adolescentes não aparecem em vídeo mostrando um grupo de rapazes que também circula nas redes, estimulando a desinformação, ameaças e ataques.
A exposição irresponsável da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais – infringindo o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – assim como de suas famílias, exige que se reitere a necessidade de que se cumpram os ritos formais do processo pelas autoridades competentes, se analisem as evidências concretas para que, então, sejam declarados e punidos os culpados.
Em nome das famílias que enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio, pedimos a cautela e a responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos. Por último, reiteramos a colaboração com as autoridades para que se esse triste episódio seja rapidamente esclarecido”.
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