Orelha: Polícia Civil cumpre mandados em operação que investiga morte de cão comunitário em Florianópolis

Polícia já identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no caso

Nesta segunda-feira (26), uma operação da Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados por maus-tratos e coação no processo que apura a morte do cão comunitário Orelha. As buscas ocorreram nas casas de quatro adolescentes já identificados e também de seus responsáveis legais.

Nesta segunda-feira (26), uma operação da Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados por maus-tratos e coação no processo que apura a morte do cão comunitário Orelha. O animal tinha cerca de 10 anos e foi agredido na Praia Brava, em Florianópolis.

Conforme o g1, a PC já identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no caso. As buscas ocorreram nas casas deles e também de seus responsáveis legais.

Os mandados também foram cumpridos em locais vinculados aos adultos investigados por possível coação durante o andamento do processo. Os nomes, no entanto, não foram divulgados. Aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por análise.

Pessoas serão ouvidas pela polícia ainda hoje. A investigação chegou até os suspeitos pela análise de câmeras de segurança e depoimentos de moradores. Apenas no ano passado, Santa Catarina teve 5.605 registros de agressões a animais em todo o estado.

Orelha foi encontrado com ferimentos graves dias após desaparecer (Foto: Arquivo pessoal)

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Entenda o caso

Conforme relatos dos moradores, Orelha estava desaparecido. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam dele, o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando. Ela recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, ele foi submetido à eutanásia.

Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, explicou como a comunidade tomou conhecimento do caso. “A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário. Precisa de justiça, né?”, cobrou, emocionado.

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Orelha estava em uma das três casinhas de Praia Brava, destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região. “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.

Além de conviver com os moradores, Orelha também interagia com outros cães do bairro. A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, explicou que sua própria cachorra interagia com os outros animais durante os passeios. “Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos'”, afirmou.

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Em comunicado, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o papel afetivo do cão. “Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem”, declarou.

Desde a morte de Orelha, moradores, protetores independentes, Organizações Não Governamentais (ONGs) e institutos ligados à causa animal têm se manifestado, pedindo justiça. Nos dias 17 e 24 de janeiro, eles se reuniram em uma mobilização pelo mesmo propósito. Um boletim de ocorrência foi registrado, e o caso é investigado pela Delegacia de Proteção Animal.

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