O pastor Marcio Poncio foi detido pela Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (2), na 5ª fase da Operação Unha e Carne. Conforme o g1, também há mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estavam encarcerados.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, expediu os respectivos mandados, outros 14 de busca e apreensão, e determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. O ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, é um dos alvos.
Prisão de Poncio
Os policiais prenderam Poncio em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. Ele é investigado por possíveis ligações com a “Máfia do Cigarro”, enquanto Adilsinho é apontado como o chefão do esquema.
Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, Poncio é uma figura conhecida nas redes sociais, além de ser pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-membro da dupla UM44K.

Operação Unha e Carne
Segundo a PF, esta etapa “busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho [Adilsinho] e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ”.
Adilsinho e Bacellar já estavam encarcerados, e o ex-deputado será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal.
A ação se insere no contexto da decisão do STF no julgamento da ADPF 635/RJ, a ADPF das Favelas. Dentre outras providências, a arguição permitiu que a PF conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
A 5ª fase da Unha e Carne derivou da Operação Fumus, de junho de 2021, que mirava o monopólio de cigarros no Grande Rio. Adilsinho era alvo, mas não foi encontrado na ocasião. À época, a PF descobriu planilhas com “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.
“As listas chamaram a atenção dos investigadores por possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ”, explicou. De acordo com a Globo, ao menos 20 políticos são investigados por receber mesada de Adilsinho. O bicheiro foi preso quase 5 anos depois, em fevereiro deste ano, em Cabo Frio. Um monitoramento por drones confirmou a localização do contraventor.
