Como personagem virtual criada por IA enganou pedreiro que viajou mais de 2 mil km em busca de um encontro

Criada por inteligência artificial, a personagem virtual prometeu fazenda e vida de luxo a pretendentes

personagem virtual

Uma personagem virtual criada por inteligência artificial, identificada como Jéssica Oliveira, viralizou após um pedreiro viajar mais de 2 mil quilômetros para conhecê-la e descobrir que ela não era real. Com mais de 300 mil seguidores no TikTok, o perfil prometia relacionamento e sustento financeiro. A responsável pela conta afirmou que o objetivo era gerar engajamento e impulsionar vendas.

Uma personagem virtual criada por inteligência artificial chamou atenção recentemente após o caso do pedreiro de 49 anos, Edimar Rocha Martins, ganhar repercussão. Ele viajou cerca de 2,1 mil quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, para conhecer a suposta pretendente e só depois disso percebeu que foi enganado. O perfil dela acumula mais de 300 mil seguidores no TikTok e também divulga produtos vendidos pela internet.

Identificada como Jéssica Oliveira, a mulher se apresentava como uma fazendeira solitária em busca de um companheiro. Em seu perfil, a personagem virtual publica vídeos em que promete uma vida confortável, oferece sustento financeiro aos pretendentes e os convida a abandonar o trabalho para viver com ela em uma propriedade rural.

Em uma das gravações, a personagem virtual tenta convencer um possível parceiro a se mudar para a fazenda. “Quero que você venha pra cá pra viver vida de rei. Olha o tamanho dessa fazenda que vai ser sua”, afirma.

Em outros vídeos, Jéssica conta uma história pessoal para justificar a busca por um novo relacionamento: “Sou viúva há quatro anos e acho que tem que seguir em frente. Eu parei minha vida por causa da tristeza, mas agora quero novas emoções. Queria um homem que não tenha medo de mudança”.

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A personagem também afirma que vive sozinha e sente falta de alguém para compartilhar a rotina. Em uma das publicações, a suposta fazendeira ainda garante que pretende bancar as despesas do parceiro para que ele não precise mais trabalhar: “Eu quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar pra ficar só tranquilo”.

Assista ao vídeo abaixo: 

Além das promessas de relacionamento, a personagem virtual aparece em vídeos publicitários de produtos vendidos em uma plataforma. Em uma das gravações, ela faz referência a uma marca de produtos masculinos. “Quando eu vejo os homens tomando essa marca peruana, o meu interesse já aumenta demais”, diz a personagem. As marcas envolvidas ainda não comentaram o caso.

Após a repercussão, a pessoa responsável pelo perfil publicou um vídeo para esclarecer que Jéssica não é uma mulher real. Segundo ela, a personagem foi criada com inteligência artificial para gerar engajamento e impulsionar as vendas dos produtos divulgados na conta. “Sou feita de inteligência artificial. Nunca conversei com ninguém nesse perfil. O intuito foi ganhar engajamento para vendas”, declarou.

A responsável também negou ter conversado diretamente com Edimar Rocha Martins, o pedreiro que viajou do Maranhão a Minas Gerais, ou ter combinado um encontro com ele em Belo Horizonte. “Nunca falei diretamente com ninguém, e muito menos levei alguém a Belo Horizonte. […] Sobre o rapaz que falou que trocou mensagem comigo, é mentira”, afirmou.

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Ela acrescentou que a conta estava abandonada antes de o caso ganhar repercussão e disse ter ficado surpresa com a história. Ao final, alertou os seguidores para não acreditarem em contatos feitos por pessoas que utilizem sua imagem: “Como esse perfil está abandonado, pode-se dizer, foi uma surpresa para mim ver o que está acontecendo. Então, se alguém entrar em contato com alguém com a minha imagem, não acredite. E vou deixar claro novamente: não conversei com ninguém”.

De acordo com o g1, o Brasil ainda não possui uma lei geral em vigor que regulamente a inteligência artificial. O Projeto de Lei 2.338/2023, de autoria do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, propõe um marco legal para o setor e prevê a classificação dos sistemas conforme seus níveis de risco, além de possíveis sanções, como advertências, multas e suspensão. O texto aguarda análise na Câmara dos Deputados.

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Relembre o caso do pedreiro

Edimar Rocha Martins, de 49 anos, viajar cerca de 2,1 mil quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, para conhecer Jéssica Oliveira. Ele acreditava que conversava com uma mulher real, interessada em iniciar um relacionamento e disposta a recebê-lo em sua fazenda.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, o pedreiro contou que mantinha contato com a suposta pretendente por meio de redes sociais, incluindo Kwai e Facebook. Segundo ele, as mensagens o fizeram acreditar que poderia construir uma vida ao lado dela. “Ela falou assim: ‘Não, você vai morar mais eu aqui na fazenda’. Então, assim, eu digo: ‘Então eu vou’”, relatou.

Personagem virtual
Homem viaja e descobre que foi enganado por pretendente virtual. (Foto: Imagens cedidas à TV Globo)

Ao chegar a Belo Horizonte, porém, Edimar descobriu que a mulher dos vídeos era uma personagem criada por inteligência artificial e que não havia uma pessoa real por trás daquela identidade. Saiba detalhes, clicando aqui.

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Polícia alerta para possíveis golpes

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que não encontrou registro de ocorrência relacionado ao caso de Edimar. A corporação esclareceu que criar personagens fictícios com inteligência artificial não constitui, por si só, um crime. No entanto, o uso da tecnologia para enganar pessoas e obter vantagens ilícitas pode configurar estelionato ou fraude eletrônica, conforme as circunstâncias.

Segundo a instituição, ainda não é possível afirmar que houve crime no caso do pedreiro sem a apuração dos fatos e a identificação de possíveis responsáveis. A orientação é que pessoas que suspeitem de fraude procurem uma unidade policial ou registrem um boletim de ocorrência pela delegacia virtual. A polícia também recomenda preservar mensagens, comprovantes e outras evidências digitais, além de confirmar a identidade de pessoas conhecidas pela internet antes de realizar viagens ou transferências financeiras.

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