Polícia divulga imagens de suspeito que deixou mala com corpo humano em rodoviária do RS; veja

Bagaem ficou abandonada por quase duas semanas

Polícia divulga imagens do suspeito de abandonar mala com restos mortais de mulher na Rodoviária de Porto Alegre. Autoridades pedem ajuda da população para identificar o homem. Saiba como colaborar com as investigações.

Nesta quinta-feira (4), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul divulgou as imagens do homem suspeito de abandonar uma mala com restos mortais de uma mulher no setor de guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre. O registro foi feito por câmeras de segurança no dia 20 de agosto, por volta das 20h12, e mostra o suspeito usando boné vermelho, óculos, máscara cirúrgica, luvas e uma jaqueta azul.

Segundo o delegado Mário Souza, diretor do Departamento de Homicídios da Polícia Civil, ao g1, o homem demonstrou “elevado grau de organização e capacidade criminosa”, além de um possível conhecimento técnico para realizar os cortes encontrados nos restos mortais.

“Certamente a pessoa que fez isso detém essa habilidade, ou pela parte médica ou pela parte veterinária ou pela parte de lidar com carnes. A pessoa soube fazer cortes limpos, com alguma perícia, que tornou mais fácil o desmembramento”, afirmou o agente. Para ele, o crime foi premeditado: “Não resta dúvida, é muito possível que tenha planejado tudo isso e esteja seguindo um script”.

Polícia divulgou imagens do principal suspeito (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A polícia investiga se o crime foi cometido em etapas. No dia 13 de agosto, os membros superiores e inferiores da vítima foram encontrados em sacos de lixo na Zona Leste da capital gaúcha, em um local sem câmeras, nem circulação de pessoas. Já o segundo descarte, com o tronco da vítima, ocorreu sete dias depois. “Talvez o crânio seja o terceiro e último ato. O que nós queremos é prendê-lo antes disso. É uma pessoa perigosa, com capacidade de cometer crimes considerável, e que precisa ser retirada urgentemente de circulação”, disse Souza.

Continua depois da Publicidade

De acordo com o Instituto-Geral de Perícias (IGP), exames de DNA confirmaram que os restos mortais encontrados em locais diferentes pertencem à mesma mulher. “A confirmação se deu por exame de DNA e o laudo já foi entregue à delegacia de polícia responsável pelo caso”, informou o órgão. A causa da morte ainda não foi determinada. Segundo os peritos, os cortes foram feitos após a vítima já estar morta, e não há indícios de reação. “Não tem a causa da morte ainda. Com os primeiros restos a perícia não consegue dizer a causa”, pontuou.

A mala com o tronco ficou por 12 dias no guarda-volumes da rodoviária. De acordo com Henrique Zamora Rodrigues, supervisor do setor, a bagagem foi sinalizada para que apenas uma outra pessoa pudesse retirá-la. O suspeito usou um documento falso ao deixar a mala e indicou um segundo nome para buscá-la, essa pessoa ainda será ouvida pela polícia. Além disso, um papel com o nome de um escritório de contabilidade foi encontrado dentro da bagagem.

Mala estava no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre (Foto: Jonathan Heckler/Agência)

Foi somente no início desta semana que os funcionários notaram o cheiro vindo da mala e decidiram levá-la para o descarte. “Por causa do calor, começou a exalar cheiro ali dentro, e hoje estava insuportável. Tentei contato com os dados que tinham passado, mas não consegui nenhum contato, até para poder descartar”, contou Rodrigues. Ao abrir a bagagem, ele confirmou que havia um tronco humano: “Fomos abrir, quebrei o cadeado, estava com vários sacos plásticos pretos e vimos um tronco, que não era de animal, e acionamos a polícia na hora. Retiraram o corpo e o cheiro segue ali no ar”.

Continua depois da Publicidade

A vítima é uma mulher branca, de cerca de 50 anos, que ainda não foi identificada. A Delegacia de Desaparecidos está cruzando informações de pessoas desaparecidas no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina para tentar chegar ao nome da vítima. A polícia trabalha com a hipótese de que ela tivesse uma relação íntima com o autor do crime, o que pode configurar feminicídio. A ligação com facções criminosas não está descartada, mas é considerada menos provável.

Informações sobre o suspeito podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 0800 642 0121 e 181.

Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques