Nesta segunda-feira (1º), a Polícia Civil do Rio de Janeiro teve acesso às mensagens trocadas entre o entregador Valério Júnior — baleado pelo policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini — e a esposa do agente. Segundo informações do g1, Vanessa Priscila teria tentado cancelar o pedido mesmo após o confronto entre o marido e o trabalhador.
A conversa começou por volta da 1h48 da manhã, quando Valério informou que havia chegado à portaria do condomínio e aguardava para fazer a entrega.
Vanessa pediu que ele entrasse no condomínio, afirmando que estaria na porta do bloco. “Senhora eu não vou, eu estou te aguardando aqui”, respondeu o entregador. “Cara, eu até desço… Mas você vai vir até o bloco, beleza?”, escreveu Vanessa.
Valério explicou: “Senhora, procedimento do iFood. Se a senhora não quiser eu volto e a senhora recebe seu reembolso, mas ir até aí eu não vou”.
Na sequência, Vanessa argumentou que ninguém havia obrigado o casal a ir até a portaria. Vinte e nove minutos depois, às 2h28, ela enviou uma nova mensagem afirmando não encontrar o entregador: “Por conta da demora, gostaria de cancelar o pedido”.
Nesse horário, porém, Valério já havia sido baleado pelo policial. “Estou aqui no chão sangrando e você tentando cancelar o pedido?”, rebateu o entregador no chat do aplicativo.
Mesmo após a mensagem, Vanessa respondeu: “Como assim? Eu não sai de casa para receber, estou te esperando no bloco”.

De acordo com o g1, a esposa do policial será intimada a depor na 32ª DP (Taquara), responsável pelo caso, para esclarecer as circunstâncias da conversa. O marido, José Rodrigo da Silva Ferrarini, permanece preso desde domingo (31).
A investigação também apura se o próprio Ferrarini teria tentado cancelar o pedido. A suspeita é de que ele tenha usado o celular da esposa e se passado por ela nas mensagens enviadas ao entregador.
Relembre o caso
Na noite de sexta-feira (29), o policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini atirou no pé do entregador Valério Júnior durante uma discussão em um condomínio do Rio de Janeiro. Um vídeo gravado pela própria vítima mostra o momento exato do disparo.
Nas redes sociais, Valério relatou que a confusão começou após ele se recusar a subir até o apartamento para entregar o pedido, pedindo que o cliente descesse. No registro, o policial aparece dizendo: “Você não subir é uma parada”.
Quando o entregador tenta explicar a situação, o agente dispara. “Então valeu. Que isso é o c*ralho, me dá minha parada, tá me filmando por quê?”, diz Ferrarini.
Com o pé ensanguentado, Valério afirmou ser morador do condomínio: “Eu moro aqui, cara! Eu sou morador, cara!”. Em seguida, pediu socorro ao porteiro: “Ô, Tião! Me ajuda aqui, Tião! Ele me deu um tiro, Tião! Chega aí, Tião! Sou eu, Valério!”.
Veja abaixo [Atenção! Imagens fortes]:
Iae @iFood, um motoboy levou um tiro de um policial por não subir pra entregar o pedido. Quantos trabalhadores ainda vão precisar sofrer pra vocês deixarem CLARO pros clientes folgados que não é obrigação do entregador subir? pic.twitter.com/XUnWWoZmAk
— Projeto Hórus 👁️ (@projetohorusofc) August 30, 2025
Valério foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Lourenço Jorge, onde segue internado em estado estável. A vítima também passou por exame de corpo de delito.
Já Ferrarini alegou à polícia que o disparo foi acidental. No entanto, o delegado Marcos Buss, da 32ª DP, classificou o ato como “voluntário”.
Em entrevista ao Bom Dia Rio, o delegado afirmou: “Ele admitiu que se envolveu numa discussão com o entregador porque ele não teria se disposto a levar o lanche na casa dele. Em dado momento dessa discussão, segundo ele, a arma dele disparou acidentalmente e atingiu o motoboy”.
O policial chegou a ser liberado após o primeiro depoimento, mas, com a divulgação das imagens, a prisão foi solicitada e decretada pelo Plantão Judiciário. No domingo (31), Ferrarini foi transferido para o Presídio Constantino Cokotós, em Niterói (RJ), unidade destinada a policiais presos.
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