Prefeito cai no choro ao falar sobre morte de pai e irmão, comerciantes, para a Covid-19: ‘Com a vida, conseguimos dar a volta por cima’; assista

O prefeito Márcio Melo Gomes, de Mongaguá, litoral de São Paulo, se emocionou durante uma transmissão ao vivo feita nessa quarta-feira (31), ao falar sobre a morte do pai e irmão, em decorrência da Covid-19. A família atuava no setor de comércio do município, atividade bastante impactada por conta da pandemia.

No depoimento, Márcio Cabeça, como é conhecido, criticou a falta de consciência de parte da população, que não tem respeitado as medidas restritivas neste período de isolamento social e pedido pela reabertura dos negócios. Sem conseguir conter as lágrimas, o prefeito disse que preferia ver os negócios da família falindo, do que perder os parentes para a doença.

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Ele respondeu aos comentários, feitos nas redes sociais, contra as regras em vigor. “Vi algumas pessoas, ligadas a academia e ao comércio, dizendo que ‘o prefeito quer fechar o comércio’, que ‘o prefeito quer quebrar a cidade’. Em todo esse um ano, tudo o que eu pude fazer para conciliar as duas coisas, para proteger o cidadão de Mongaguá e o comércio tentar sobreviver, vocês podem dizer que eu fiz o máximo do que eu pude”, começou.

“A minha família a vida inteira foi do comércio. Eu sou comerciante desde os meus 9 anos de idade. O meu pai e meu irmão eram comerciantes. E como eu queria hoje, sair dessa live e poder ouvir do meu pai assim: ‘Eu quebrei. O meu comércio quebrou’. Sabe por quê? Porque nós já quebramos, e com a vida nós conseguimos dar a volta por cima. E eu não vou ouvir isso deles mais, porque, infelizmente, por essa doença, eles perderam a vida”, lamentou, em seguida.

Ainda emocionado e com a voz embargada, Márcio deixou claro que as medidas restritivas visam o bem da população. “Não existe nada mais precioso que a vida de vocês, mas principalmente, a vida de quem vocês amam. Então essa é minha resposta. Repito: Não quero que ninguém quebre. Mas como eu queria ouvir agora, do meu pai e do meu irmão – um menino de 33 anos de idade que deixou duas filhas e a mulher – eu queria poder escutar isso deles na hora que terminasse essa live”, choramingou.

Por fim, o prefeito pediu desculpas “pelo destempero e por transbordar aquilo que estou sentindo“. “Quero simplesmente dizer pra vocês que ninguém aqui está brincando. Estamos nos empenhando ao máximo. Ninguém numa UPA aguenta 12h, 24h de plantão porque quer perder a vida de alguém. É hora de união, de amor ao próximo. Estamos aqui há um ano e um mês para poder evitar o caos. Mas repito. O caos não é só Mongaguá. É só você ligar a televisão”, desabafou. Assista:

Givaldo Alves Gomes, pai de Márcio, foi internado no Hospital Regional Jorge Rossmann, em Itanhaém, com cerca de 80% dos pulmões comprometidos. O senhor de 64 anos não resistiu às complicações e faleceu no dia 22 de abril do ano passado. Já Givaldo Melo Gomes Junior, irmão do prefeito, tinha 33 anos. O rapaz testou positivo em meio à internação do pai. Ele apresentou piora e foi internado na Santa Casa de Santos, mas morreu no dia 28 daquele mesmo mês.

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Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar das medidas de lockdown impostas por prefeitos e governadores, para conter o número de contágios e mortes por Covid-19. Em coletiva de imprensa realizada na manhã dessa quarta-feira (31), o chefe de Estado afirmou que o povo brasileiro quer voltar ao trabalho o mais rápido possível.

“Não é ficando em casa que vamos solucionar o problema. Essa política continua sendo adotada e o objetivo dela era achatar a curva de contaminação enquanto os hospitais se preparassem e as pessoas não perdessem suas vidas na fila de atendimento. O governo disponibilizou bilhões de reais para a saúde e é notório que os estados tiveram resultados superavitários (…) A fome mata muito mais do que o próprio vírus. Temos que enfrentar a realidade. Não adianta fugir do que está aí. Temos que ser fortes, acreditar em Deus e buscarmos solução”, declarou. Péssimo!