Lazaro

“Serial Killer” de Brasília: Pai do foragido afirma estar com medo e dispara sobre o filho: “Um monstro da pior espécie”

O pai de Lázaro Barbosa, assassino procurado incessantemente pela polícia brasileira, se abriu sobre o filho e os crimes cometidos pelo homem de 33 anos em recente entrevista ao Correio Braziliense. Edenaldo Barbosa Magalhães, de 57 anos, hoje vive com seus outros filhos, e se disse envergonhado pelas atitudes de Lázaro, que promoveu uma chacina em Ceilândia, Distrito Federal, e assassinou brutalmente quatro pessoas da mesma família.

Para o pai, a repercussão das barbáries promovidas pelo assassino é vergonhosa. “Esse monstro, eu registrei, mas quando as pessoas falam ‘o seu filho’, aquilo me estremece todo. Não dá vontade nem de ficar mais na Terra. Eu estou arrasado. Se eu vê-lo por aí, eu nem conheço mais“, lamentou ele.

O que mais me dói é o desespero que aquela família sentiu e o que ele fez com aquela pobre mulher. Isso não é gente. Isso é um monstro da pior espécie… Eu não quero ele solto jamais. Porque estou com medo dele fazer mal a mim e à minha família. Olha só o que ele tá fazendo com todo mundo”, apontou o homem, relembrando o assassinato da família de Ceilândia.

Edenaldo é casado há quase duas décadas com a mesma mulher e é pai mais três filhos de 16, 13 e 1 ano. Ele se aposentou por invalidez após sofrer um AVC (Acidente Cardiovascular) e dois infartos, e agora leva uma vida tranquila no município de Girassol, Goiás. Magalhães contou que se casou com Eva Maria Sousa, mãe de Lázaro, quando era um jovem de 17 anos, em Barra do Mendes, município da Bahia.

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Pai de Lázaro revela estar com medo do filho. (Foto: Reprodução/ Record TV)

O relacionamento foi complicado, cercado por brigas, agressões e acusações de traição dos dois lados. Quando o casal se separou, Lázaro e seu irmão mais novo, Deusdete, eram crianças. Há cinco anos, o irmão faleceu durante um acerto de contas, uma vez que também teria se envolvido com crimes como roubos e homicídios.

Seis anos atrás, Edenaldo encontrou o filho mais velho pela última vez, durante uma visita feita pelo rapaz. “Só me visitou e foi embora. Foi quando ele teve uma fuga aí. E eu com o coração na mão, doente. Só não morri ainda porque acho que Deus não quis“, falou ele, que se diz evangélico. “O demônio se apoderou dele“, apontou.

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Vizinhos contaram que Eva Maria se mudou de Girassol logo antes da chacina de Ceilândia, já motivada pelo envolvimento do filho com o crime. Comerciantes e moradores da região relataram que Lázaro teria assassinado também um caseiro de uma chácara próxima e, por isso, foi jurado de morte pelos demais donos de terrenos, que teriam inclusive oferecido um prêmio para quem matasse o bandido.

Relembre o caso

As buscas por Lázaro Barbosa Sousa, suspeito de assassinar quatro pessoas de uma família em Ceilândia Norte e aterrorizar moradores no Distrito Federal, continuam desde a última quarta-feira (9). Nas redes sociais, Lázaro tem sido retratado como o “serial killer de Brasília” – isso porque ele é acusado de matar o empresário Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, e os filhos dele, Carlos Eduardo Marques Vidal, 15, e Gustavo Marques Vidal, 21.

Os familiares foram encontrados sem vida na madrugada da quarta-feira passada, em uma chácara na região conhecida como Incra 9, em Ceilândia, no Distrito Federal. No momento da fuga, a esposa de Vidal, Cleonice Marques, 43, foi sequestrada. Minutos antes da entrada do criminoso na casa, entretanto, a mulher ligou para o irmão pedindo socorro. O rapaz chegou ao imóvel em pouco tempo, mas se deparou com os corpos estirados no quarto. Cleonice, por sua vez, permaneceu desaparecida por dias, até que o cadáver da mulher – sem roupa e com diversos cortes – foi encontrado na tarde de sábado (12), em um córrego próximo ao Sol Nascente.

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Policiais promovem uma busca incessante por Lázaro. (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Já são dez dias de fuga que acumulam outros atos violentos, após o baiano de 33 anos quase ser preso na rodovia BR-070, próximo à cidade de Edilândia (GO), no domingo (13). No mesmo dia, o foragido furtou um carro em uma chácara de Cocalzinho (GO) e abandonou o veículo, um Corsa vermelho, após avistar um ponto de bloqueio montado pela polícia. No interior do automóvel, foi encontrado um carregador de munições. As autoridades iniciaram uma intensa busca pelas matas, usaram cães farejadores, drones e helicópteros. Funcionários da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), da Polícia Militar (PMDF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF) atuam juntos no caso. As informações são do Correio Braziliense e do UOL.

Nesta quarta-feira (16), a esposa do foragido, que preferiu não se identificar, concedeu uma entrevista ao Correio Braziliense, e se disse estarrecida com a sequência de crimes praticados por ele. A jovem, de apenas 19 anos, confessou estar em estado de choque e que, em meio às buscas por Lázaro, sua família vem sofrendo muitas ameaças, o que a deixa apavorada. “Temos medo de receber a notícia de que ele morreu”, declarou.

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Segundo a mulher, eles estão juntos há quatro anos e compartilham uma filha, de apenas 2 anos. Ambos foram apresentados por uma tia do criminoso, que é uma amiga da família da jovem. Ela contou ao jornal que Souza é “um pai dedicado“. “É um bebê que quase todos os dias chama por ele. Isso me corta tanto. Ela é muito apegada. É a vida dele. Está todo mundo arrasado”, lamentou. Lázaro tem mais um filho, este de 4 anos, com uma ex-companheira.

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Lázaro era acusado de triplo homicídio, até que um quarto corpo foi encontrado. (Foto: Divulgação/Polícia Civil do Distrito Federal)

Durante a conversa, a esposa de Souza se declarou decepcionada com o comportamento do parceiro e apontou que ele teria tentado abandonar a vida do crime diversas vezes. “Se a gente tivesse a oportunidade de ir com a polícia para o meio do mato, para convencê-lo a se entregar. A gente não sabe o que aconteceu na mente e no coração dele. A ficha não caiu”, avaliou. “Espero que ele se entregue”, insistiu ela.

Por fim, a mulher descartou as acusações de que Lázaro estaria envolvido em rituais macabros e compartilhou que a família tem sido alvo de fake news e preconceito. “Não acredito em nenhum ritual. Ele tinha uma fé em Deus muito grande, foi até pregador da palavra no presídio. Eu só vou acreditar que ele se envolveu mesmo nisso quando ele for pego e falar”, concluiu.