Os quatro suspeitos que foram presos por envolvimento na morte de Adalberto Amarilio Júnior, empresário de 35 anos encontrado em um buraco no Autódromo de Interlagos, já estão soltos. Segundo informações do g1, um deles precisou pagar fiança para ser liberado. Um quinto suspeito não foi encontrado.
Entretanto, de acordo com a Polícia Civil, há outros suspeitos além dos cinco. “Não dá para atribuir ainda a autoria do crime para eles, mas eles estão numa relação de suspeitos, entre os quais a gente acredita ainda na participação de outras pessoas“, revelou o delegado Rogério Thomaz.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sexta (18). Quatro pessoas foram detidas na capital paulista e levadas para prestarem depoimento. Todas trabalhavam para a empresa de segurança do evento frequentado por Adalberto. O quinto suspeito ainda não havia sido localizado. Em coletiva de imprensa, o secretário-executivo da Segurança Pública, Nico Gonçalves, revelou que um deles é lutador de jiu-jitsu, com antecedentes por furto e ameaça.
Ele foi autuado em flagrante após a polícia encontrar 21 munições de calibre 38 em sua residência. Contudo, após o depoimento, ele pagou fiança e foi liberado. “Estranhamente, o lutador de artes marciais no dia seguinte já não foi trabalhar e foi retirado [da equipe]”, destacou Gonçalves.

As autoridades constataram que os nomes de dois funcionários ligados à segurança e que exerciam funções de liderança não foram colocados na lista fornecida pela empresa. “Foram conduzidas quatro pessoas, sendo um representante da empresa e três pessoas ligadas à segurança. Estranhamente, duas dessas pessoas não estavam na lista que a empresa forneceu. Eles estavam na posição de mando. Conseguimos uma outra lista que não bateu com a lista que a empresa forneceu“, explicou Gonçalves.
O secretário-executivo acrescentou que a polícia não descarta nenhuma linha de investigação: “No momento, estão na condição de investigados. Ninguém está sendo culpado ainda. Não há nada descartado. Um deles foi autuado porque estava com munição em casa, pagou fiança e foi liberado“.
De acordo com Thomaz, há provas que os dois funcionários omitidos da lista estavam presentes no dia do evento. Eles teriam exercido funções de coordenação, com poder de decisão sobre a segurança durante o festival. “Os representantes ainda não foram ouvidos por orientação técnica da defesa, eles querem ter conhecimento e eventualmente acesso à medida cautelar para que prestem depoimento na sequência. Mas tudo será investigado para entender o que houve. Ainda é prematuro dizer que o lutador é o principal suspeito. Só o fato dele ser lutador não traz como principal suspeito, mas ele trabalhou só na sexta, tem antecedentes. Vamos analisar tudo isso“, afirmou.
Sobre a empresa de segurança, a polícia esclareceu que não há relação direta com a administração pública ou com a gestão do autódromo. A empresa teria sido contratada exclusivamente para o evento. “Alguns que tiveram aqui na investigação, forneciam os celulares sem mensagem, o que achamos muito estranho, ainda mais envolvido com evento. É um caso complexo porque não tem imagem, tudo escuro, e trabalhamos com a hipótese de que quem matou teve auxílio de outra pessoa“, acrescentou a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP).

Conforme laudo pericial da Polícia Técnico-Científica, Adalberto morreu de forma violenta por asfixia. Até o momento, não foi possível determinar se a causa foi esganadura – já que havia escoriações no pescoço – ou compressão torácica. Uma das hipóteses é que, durante uma briga, alguém possa ter pressionado o tórax do empresário com o joelho. A polícia também encontrou sangue no carro da vítima, mas o laudo de DNA indicou que o material genético era do próprio Adalberto.
Um perfil feminino não identificado também foi detectado na amostra. Apesar do laudo não apontar a presença de drogas ou álcool no organismo, um amigo que esteve com Adalberto no autódromo afirmou que os dois consumiram maconha e cerveja. Uma das linhas de investigação é que Adalberto tenha sido colocado no buraco — com 70 cm de diâmetro e 3 metros de profundidade — por terceiros.
Relembre o caso
Adalberto Amarilio dos Santos Júnior, de 35 anos, foi encontrado morto em um buraco, localizado em uma área em obras, no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Ele estava desaparecido desde 30 de maio, após participar de um festival para motociclistas no local.
O corpo foi localizado próximo ao portão 9 do autódromo, entre a pista principal e o kartódromo. A estrutura tinha cerca de 2,5 metros de profundidade e apenas 50 centímetros de largura. Um funcionário da obra avistou o corpo, que usava o capacete de motociclista que Adalberto havia levado ao evento. A vítima estava sem calça e sem tênis, mas não havia sinais externos evidentes de agressão na avaliação inicial da polícia.
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