Tinder é acusado de transfobia por Romagaga, e mais usuários relatam exclusão de perfis; Aplicativo se pronuncia

Nesse domingo (12), o Tinder foi acusado de transfobia pela artista performática Romagaga após ela ter seu perfil excluído da rede sem nenhum motivo esclarecido. A postagem dela viralizou, fazendo com que outras pessoas transexuais relatassem casos parecidos. Após a repercussão, o aplicativo de relacionamentos emitiu um comunicado, se pronunciando sobre o caso.

Através de um vídeo publicado no Twitter, Romagaga mostrou toda sua revolta com o app. De acordo com ela, as dificuldades para manter seu perfil já duram dois anos. “Eu não queria ter que vir aqui expor essa situação novamente. Quem me acompanha sabe que essa luta vem desde 2018 só que agora não dá. É muita hipocrisia. Eu tô muito indignada. Eu tentei denunciar de várias formas essa atitude transfóbica do Tinder, mas infelizmente a militância é falsa”, disparou ela.

Na sequência, ela criticou o aplicativo que transformou seu logo nas cores da bandeira LGBTQIA+ com o lema “O Tinder é para todos”. “Está lá o Tinder usando a bandeira LGBT, usando a causa, se promovendo, sendo que nós, trans, não temos o direito de estar no aplicativo. Eu faço uma conta lá e em um minuto eu sou banida. Qualquer outra trans que faz é banida. Isso não é justo. Isso é crime”, desabafou.

“As pessoas LGBT tão passando pano. Isso é o que mais me deixa indignada. Há muito tempo que eu tento denunciar, fiz vídeo e o Tinder continua lá usando a bandeira LGBT, falando ‘é para todos’. Para todos é o inferno! Eu já tô cansada disso”, lamentou a artista, criticando todas as empresas que se beneficiam da causa para lucros, quando não a apoiam na prática.

O Tinder está usando as cores LGBTQIA+ em seu logo em todas as redes sociais (Foto: Reprodução/Twitter)

“Não é só um aplicativo não, eu estou cansada de hipocrisia, das pessoas estarem usando a bandeira LGBT e nós não termos direito nenhum. Essas empresas que estão usando a bandeira aí, quantas trans vocês estão vendo trabalhar? A gente não tá inclusa nesses direitos. O que mais me deixa revoltada é que, quando é pra destruir a vida de alguém, um artista, todo mundo se mobiliza, aí quando é uma causa de um aplicativo grande sendo transfóbico, cometendo um crime, ninguém [fala nada]. Tô cansada desse povo que ganha em cima da bandeira”, indignou-se.

A performer, então, pediu apoio de seus seguidores para espalharem o caso online. “Tentei protestar, tentei reclamar, não tive apoio. Então tô aqui pra pedir o apoio de todos vocês, pra gente ir lá protestar. Quero que todo mundo vá lá no perfil deles, denunciem, comentem muito ‘Tinder transfóbico’ e [peçam] que eles tirem a bandeira”, pediu.

“Isso me dói, gente. Não é só a questão do aplicativo que eu tô querendo usar. É um direito. Quero dizer que eu, como trans, não existo. O homem e a mulher [cis] podem usar o aplicativo, mas uma trans não pode, é banida. Até aí, tudo bem, o aplicativo tem a regra mas então tira a bandeira LGBT dessa p*rra”, finalizou Gaga, revoltada.

Assista ao relato dela na íntegra:

Diante da repercussão na web, outros relatos semelhantes ao da artista surgiram. “Eu mesma perdi minhas contas várias vezes por isso. Cheguei a entrar em contato com o app e sem sucesso me alegaram que violei algumas diretrizes do site, mas eles não falaram o que é. Sabe aquelas mensagens prontas? Pois é”, contou Cindy Teodoro.

“Cara, a minha [conta] também foi excluída, sendo que eu não tinha postado nada demais, apenas postei uma foto montada. Depois de alguns dias minha conta tinha sido excluída sem motivo algum. E isso não é só no Tinder, Grindr também apaga minhas fotos”, apontou Charllys Henry. “Old que eu tive 2 contas no Tinder banidas e nunca entendi o porquê. Nunca postei uma foto sequer de biquíni, todas de rosto! Na descrição tinha ‘menina trans’, seria esse o motivo?”, questionou Julie Victória.

O fato gerou revolta nas redes sociais e levou a hashtag “Tinder Transfóbico” a um dos assuntos mais comentados do Twitter. “Pessoas Trans precisam de um lugar seguro e acolhedor para conversar, conhecer pessoas. Não adianta o Tinder Brasil usar as cores LGBT, Bandeira de arco-íris e não proteger mulheres Trans e travestis de denúnciam de idiotas. Bora resolver isso. Elas merecem amor, sexo, dates”, pontuou o senador Eliseu Neto.

“A hipocrisia é não permitir trans no aplicativo e usar a frase ‘o Tinder é para todas nós’ com a bandeira LGBTQ+ no fundo”, criticou a internauta Marina. “É aquilo que eu sempre falo, amam levantar a bandeira na Internet para promover marcas e até perfis pessoais, mas na hora de colocar em prática o discurso barato de que todos são inclusos, enfiam no c* né”, disparou a usuária Anna.

Procurado pelo Estadão, o Tinder divulgou um comunicado sobre a acusação. “Estamos dedicados a tornar o Tinder o melhor aplicativo para todes conhecerem novas pessoas. O Tinder não bane usuários por conta da sua identidade de gênero. […] No entanto, sabemos que nosso trabalho não está concluído”, declarou a nota.

“Reconhecemos que a comunidade trans enfrenta desafios no Tinder, incluindo ser injustamente denunciado [sic] por matches potenciais. Esta é uma questão complexa e multifacetada e estamos trabalhando em estreita colaboração com organizações ao redor do mundo para melhorar constantemente nossas práticas”, finalizou a plataforma.