A capivara que foi espancada por um grupo de oito pessoas neste sábado (21) na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, apresentou melhoras em seu quadro de saúde. De acordo com o veterinário Jeferson Pires, o animal passa bem, mas ainda corre risco por apresentar um traumatismo craniano.
Segundo o jornal O Globo, o roedor foi levado ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras), em Vargem Pequena, onde chegou em estado grave, com edemas na cabeça e sangramento nasal. O veterinário responsável afirmou que o animal estava reativo ao dar entrada na unidade e precisou ser sedado. Na manhã deste domingo (22), houve sinais de evolução: “Está de pé, mais alerta, mais responsiva, reagindo à aproximação. Sabemos que ainda tem risco de evoluir de maneira negativa, mas, pelo menos pela madrugada, teve uma ótima evolução”.
De acordo com o especialista, os próximos dias serão determinantes para a recuperação. Além do traumatismo craniano, há risco de complicações como necrose muscular, que pode surgir até um mês após o ataque, e até perda de visão no olho atingido. Um diagnóstico mais preciso deve ser possível entre 10 e 15 dias. “Se ela evoluir muito bem, sai daqui a duas semanas”, explicou. O veterinário também destacou que se trata de um macho adulto de grande porte, com cerca de 60 a 65 quilos, possivelmente líder do grupo de capivaras da região.
Investigação
A Polícia Civil apura a motivação das agressões, incluindo a possibilidade de crueldade ou abate para consumo. Seis adultos foram presos: Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo. Além deles dois menores, cujos nomes não foram divulgados, foram apreendidos. Os maiores vão responder por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores, enquanto os adolescentes responderão por atos infracionais equivalentes.

O jornal afirmou que uma testemunha procurou a 37ª DP (Ilha do Governador) alegando que um dos suspeitos, Wagner da Silva Bernardo, já havia participado de outra agressão contra uma capivara na mesma região uma semana antes. Segundo o relato, ao tentar impedir o ataque anterior, a testemunha foi agredida pelo suspeito.
O caso pode se tornar o primeiro a aplicar o novo decreto conhecido como “Justiça por Orelha”, que endurece as punições para maus-tratos a animais. A medida prevê multas que variam de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, podendo chegar a R$ 1 milhão em casos agravados.
O crime
O ataque ocorreu na orla do Quebra Coco, no bairro Jardim Guanabara, por volta de 1h19. No vídeo, é possível ver o animal sendo seguido pelos agressores, que carregavam pedaços de pau. A capivara aparece tentando escapar, mas é cercada e atingida diversas vezes. Mesmo após correr por alguns metros, ela cai no chão após as agressões. Assim que o animal desaba, o grupo se dispersa e foge do local. Assista (Atenção: imagens fortes!):
🚨 CASO NA ILHA | Homens atacam brutalmente capivara na Ilha do Governador
📸: Reprodução pic.twitter.com/SW2zkXCVQM
— Agenda do Poder (@agendadopoder) March 21, 2026
Moradores da região relataram que a capivara ficou gravemente ferida após o ataque. Ainda durante a manhã, o animal foi visto caminhando pelo bairro e acabou se abrigando em um terreno baldio. Agentes da Patrulha Ambiental foram acionados e encaminharam o roedor para o Núcleo Veterinário de Vargem Grande. De acordo com testemunhas, o animal pertence a um grupo de capivaras que vive há anos na região.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) abriu investigação para apurar o caso. Poucas horas após o crime, os suspeitos foram identificados e presos.
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