Uma família denunciou um homem que agiu de forma truculenta contra uma criança negra e com Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante um espetáculo infantil no Teatro Clara Nunes, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O menino de 10 anos estava perto do palco, junto a outras crianças, cantando e brincando com a artista quando foi agredido.
Em entrevista à TV Globo, Bruna Esteves, mãe do garoto, disse que o homem parecia alterado desde o início da apresentação, e já havia reclamado de outras crianças que estavam na frente dele. “Primeiro, ele começou a implicar com outra menina. A mãe dela estava umas três fileiras atrás e chamou a atenção dele“, contou.
Após ver o filho ser incomodado, Bruna reagiu: “Na hora, eu estava três poltronas dele e eu já falei: ‘Não toca nele, que ele é autista’. Ele responde com dois palavrões [questionando]: ‘É autista também?’. Fiquei muito nervosa. Não consegui ter outras reações. As outras mães foram se mobilizando porque viram a agressão. Ele ainda continuou e deu um beliscão. [Meu filho] começou a falar: ‘O tio me beliscou’“, revelou.
Bruno Ricardo de Brito, pai do garoto, também desabafou sobre o ocorrido. “Uma criança indefesa, pelas costas, sendo puxada por um homem. Um sinal grande de covardia“, declarou à emissora. Uma pessoa que estava na plateia registrou o momento em que o homem segura a criança de forma truculenta.
Assista:
Mãe denuncia homem que agrediu criança autista em teatro no Rio de Janeiro pic.twitter.com/rOZmac6o4U
— LeoDias 🍿 (@euleodias) May 6, 2025
Os pais levaram o menino para fazer o corpo delito, mas o sistema do Instituto Médico Legal estava fora do ar e os funcionários pediram que eles voltassem outro dia. Conforme a TV Globo, a família foi ao Hospital do Andaraí, onde o laudo médico apontou “dor a palpação local e leve edema, ausência de edema e sem sinais de fratura“.
O exame de corpo delito só foi realizado nesta segunda (5). O homem foi identificado e será intimidado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). O caso foi registrado na 15ª DP (Gávea) no domingo (4) como lesão corporal, injúria por preconceito e discriminação de pessoa com deficiência.
“Eu não pretendo me manter dentro de casa presa com meu filho, mesmo depois disso. Por isso, a minha vontade é que isso sirva de exemplo para que as pessoas entendam que a criança dentro do espectro autista, qualquer outro tipo de questão, ela tem que conviver em sociedade“, concluiu Bruna.
Procurado pela TV Globo, o Teatro Clara Nunes afirmou que repudia qualquer forma de violência, preconceito ou discriminação, especialmente contra crianças ou pessoas com deficiência, e que está à disposição das autoridades para ajudar na apuração dos fatos.
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